Dos 17 blocos no Congresso, pelo menos 8 tem líderes envolvidos com corrupção

Foto: Agência Brasil

Em uma pesquisa realizada pela Agência Democratize, descobrimos que 8 dos 17 blocos parlamentares na Câmara dos Deputados contam com líderes investigados por casos de corrupção. O impeachment da presidenta Dilma Rousseff está nas mãos deles.

Muito se fala sobre corrupção, Lava Jato, juiz Sérgio Moro, prisão do Lula, impeachment da Dilma… mas pouco se tem falado sobre a eficiência do Congresso Nacional, e principalmente a integridade dos nossos deputados federais.

Como se o Brasil fosse um time de futebol, onde apenas o técnico e sua equipe de auxiliares fossem punidos em caso de derrotas, ignorando completamente a ineficiência e irresponsabilidade do elenco, dos jogadores.

Em uma breve pesquisa feita pela Agência Democratize, constatamos que dos 17 blocos parlamentares existentes hoje na Câmara dos Deputados, pelo menos 8 contam com líderes envolvidos em casos de corrupção.

O deputado Aelton Freitas (PR), líder do bloco que engloba PR, PSDB e PROS na Câmara, foi flagrado em vídeo ensinando a comprar votos e difamar adversários. Uma cópia do vídeo foi entregue ao Ministério Público em Minas, que enviou o material para a Procuradoria Geral da República.

Outro líder é o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP), do bloco PP, PTB e PSC. Aguinaldo é investigado pela operação Lava Jato. Segundo documentos da Polícia Federal, o deputado e líder do bloco parlamentar é acusado de formação de quadrilha para práticas dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o doleiro Alberto Youssef, o deputado e ex-ministro se beneficiou do pagamento pensal de propina feito ao PP, com repasses da “cota” do partido no esquema da Petrobras.

O deputado Aguinaldo Ribeiro | Foto: Agência Brasil

Afonso Florence, líder do PT na Câmara, foi investigado pelo Ministério Público da Bahia e pelo Tribunal de Contas do Estado sobre irregularidades no repasse de verba da Secretaria de Desenvolvimento Urbano a entidade privada. Em 2008, quando comandava a Sedur, Florence autorizou convênio com o Instituto Brasil de R$17,9 milhões para construir 1.120 casas populares, sem licitação.

A liderança tucana não é muito diferente disso. O deputado federal do PSDB e líder do partido, Antônio Imbassahy, aparece na lista dos 96 deputados que receberam doações para campanha de 2010 de empresas investigadas pela Polícia Federal na Lava Jato. Algumas das empresas são investigadas por depositar recursos na MO Consultoria, empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef. O deputado tucano teria recebido R$100 mil em doação.

O deputado Celso Russomanno | Foto: Folha de Brasília

Um velho conhecido dos escândalos de corrupção, o deputado Celso Russomanno (PRB) é líder do bloco com PRB, PTN, PTdoB e PSL. Recentemente, foi condenado a dois anos e dois meses de prisão (que foram convertidos em penas alternativas) por ter nomeado como funcionária de seu gabinete, entre 1997 e 2001, a gerente de sua produtora de vídeo — Night and Day Promoções. Segundo a Justiça Federal do Distrito Federal, Sandra de Jesus recebia salário como assessora pela Câmara dos Deputados, mas trabalhava de fato na empresa de Russomanno.

Já o deputado e líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino, foi recentemente condenado a devolver cerca de R$4,6 milhões aos cofres públicos. De acordo com o Tribunal de Contas do Estado, o deputado teria superfaturado contratos quando era secretário da Educação de Manaus — ironicamente, o deputado responsabilizou o PT pela acusação, afirmando ser vítima de uma perseguição política.

Nem mesmo o deputado e líder do PPS, Rubens Bueno, foi poupado. O Supremo Tribunal Federal chegou a investigar a existência de Caixa 2 em sua campanha. O material divulgado pelo STF diz que “em fevereiro de 2012 foi instaurado inquérito para apurar delito de falsidade ideológica supostamente cometido por Renata Bueno, filha de Rubens Bueno, candidata ao cargo de vereador em Curitiba. O crime estaria associado a acusação de realização de esquema de “caixa 2” de campanha. Em maio deste ano o Ministério Público Federal, visando o aprofundamento das investigações, solicitou a realização de diligências que envolveriam também o deputado federal Rubens Bueno.”

O deputado Sarney Filho | Foto: Reprodução/Google

E claro, não poderia faltar um representante da família mais polêmica de Brasília. O deputado e líder do PV na Câmara, Sarney Filho, é um dos investigados pelo Ministério Público por usar passagens aéreas para voar ao exterior com a mulher e o filho. Para o MP, esse e outros casos mostram uma série de irregularidades cometidas na emissão de passagens aéreas pagas com recursos da Câmara dos Deputados.

São essas as lideranças que estão movimentando dois grupos no Congresso que devem definir o futuro da presidenta Dilma Rousseff, por conta do processo de impeachment que será votado neste domingo, dia 17.

Parece que a sociedade brasileira precisa parar de culpar apenas o técnico, e começar a reavaliar os jogadores.