Em conversa, infiltrado do Exército nas manifestações diz “não confiar na polícia”

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O Capitão do Exército, William Pina Botelho, atuou como infiltrado (mais conhecido como p2) nas manifestações contra o presidente Michel Temer em São Paulo. Durante conversa com o professor Pablo Ortellado, ainda utilizando a identidade de “Balta Nunes”, o capitão que foi responsável epla prisão de pelo menos 21 jovens diz “não confiar na polícia”.


No dia 4 deste mês, durante manifestação contra o presidente Michel Temer (PMDB) em São Paulo, jovens se encontravam no Centro Cultural São Paulo (CCSP) para debater sobre o atual cenário político e principalmente articular sobre os protestos. Entre eles, estava um homem que se apresentava como Balta Nunes. Na realidade, esse homem era um capitão do Exército, chamado William Pina Botelho, que se infiltrou nas manifestações contra o novo presidente para denunciar supostos “vândalos” para a polícia.

Neste dia, pelo menos 21 jovens foram presos após uma denúncia feita pelo próprio capitão William. Os manifestantes detidos começaram a desconfiar de William após ele não ter sido encaminhado para o Deic junto com os demais detidos. O próprio boletim de ocorrência não cita o nome de “Balta Nunes”, apontando apenas que um homem que não havia se identificado teria chamado a atenção dos policiais para um grupo de manifestantes.

Após a descoberta, o perfil de Balta Nunes foi apagado no Facebook. Nele, diversos contatos de ativistas e militantes de grupo de esquerda, possivelmente monitorados pelo capitão do Exército, que ainda tinha uma conta no Tinder (site de encontros amorosos), se apresentando com identidade falsa e uma citação errada do filósofo alemão Karl Max.

Mas antes de excluir o perfil, o professor Pablo Ortellado resolveu conversar com o capitão do Exército. Ortellado tem acompanhado e feito um trabalho extenso sobre as manifestações populares no Brasil desde 2013.

Na conversa, o capitão diz ter lido um post do professor Ortellado no Facebook, mas que tal publicação “não reflete a verdade”. “Eu não sou P2. Não sou um infiltrado… e eu fui convidado por uma das meninas. Dekka. É bem verdade que não conheço o grupo… estava com eles na sexta, no afã de participar dos atos eu topei. Não tenho idade para isso Pablo. Não é minha praia”, disse William, ainda utilizando identidade falsa.

Após afirmar ao professor que “daria um tempo”, William diz que tem “andado pela cidade o tempo todo com medo da polícia”, e de estarem supostamente seguindo ele.

No final, William diz: “Não confio na Polícia. Acho que existe sim algo rolando por trás”, diz sob a identidade de Balta Nunes.

Veja os prints:

Em nota, o Exército confirmou que o capitão William é oficial do Exército, afirmando que as circunstâncias ainda estão sendo apuradas. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirma desconhecer qualquer ação de inteligência que tenha sido realizada por qualquer outro órgão de segurança.