Estudantes ocupam a Alesp e batem de frente com Alckmin pela CPI da Merenda

Foto: Gabriel Soares/Democratize

No ano passado, o pesadelo do governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi a mobilização dos estudantes secundaristas contra a reorganização escolar. Parece que poucos meses depois, esse pesadelo voltou: os estudantes querem a abertura da CPI da Merenda — algo que foi vetado pelo seu partido na Assembleia Legislativa.

Já são 14 escolas ocupadas ao redor do estado de São Paulo nesta quarta-feira (4), além do Centro Paula Souza, que foi tomado por estudantes no dia 28 do mês passado.

Mas, para piorar a vida do governador Geraldo Alckmin, estudantes secundaristas resolveram ir além: ocuparam a Assembleia Legislativa do Estado, a Alesp, na noite desta terça-feira (3).

Tudo isso ocorre porque o partido do governador, PSDB, tem feito o possível para brecar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Máfia da Merenda, escândalo investigado pela Polícia Civil que envolve nomes importantes do partido no estado, como o próprio presidente da Alesp, deputado estadual Fernando Capez (PSDB).

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

A entrada dos estudantes foi difícil: policiais militares e seguranças fizeram o possível para impedir que os secundaristas conseguissem tomar as galerias e o plenário da Casa, mas sem sucesso.

Posteriormente, o presidente da Casa, Fernando Capez, deu uma entrevista coletiva para a imprensa afirmando ser “a favor da abertura de uma CPI sobre a Máfia da Merenda”. O deputado ainda criminalizou a ação dos estudantes contra os policiais, caracterizando de “violenta”. Na realidade, Capez se referiu ao fato de um deputado petista (João Paulo Rillo) ter dado um empurrão em um policial militar.

A “atitude violenta” de Rillo ganhou mais destaque na mídia tradicional do que a própria ocupação feita pelos estudantes — ou o motivo pelo qual os estudantes ocuparam a Alesp. O Jornal Nacional, da TV Globo, pouco disse sobre a Máfia da Merenda, focando na “agressão”. O jornal Folha de São Paulo seguiu o mesmo caminho.

Porém, nenhum dos dois retrataram a violência que foi usada pelos seguranças, policiais e funcionários da Alesp contra os estudantes que ocupam o prédio.

Durante a madrugada desta quarta-feira, a estudante Flávia Oliveira, que faz parte da União Estadual dos Estudantes (UEE) foi agredida por funcionários da Alesp durante a ocupação dos alunos no local.

A estudante Flávia, da UEE | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

A tendência nos próximos dias é que o número de ocupações aumente ainda mais — principalmente por conta da atenção que a Alesp ocupada trouxe para a mídia.

Ontem, eram cerca de 7 escolas ocupadas, em sua maioria ETECs. Hoje já são 14, incluindo escolas estaduais — além do Centro Paula Souza.

O governo Alckmin sofreu uma derrota considerável na batalha pela Merenda na segunda-feira, quando o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, resolveu montar uma operação para invadir o Centro Paula Souza. Policiais fardados e armados entraram no local, ocupado por alunos, e ficaram lá até às 20 horas. A decisão de Alexandre foi criticada pela Justiça, que exigiu explicações do governo estadual sobre a operação — já que não havia mandado e a reintegração de posse havia sido suspensa, colocando a ação da Polícia Militar na ilegalidade.

Para a “sorte” de Geraldo Alckmin, não é apenas São Paulo que vive uma onda de ocupações nas escolas estaduais.

Estados como Rio de Janeiro e Ceará enfrentam neste exato momento a mesma situação: secundaristas ocupando as escolas, exigindo melhor infra-estrutura e o fim de cortes nos investimentos para Educação, algo que se tornou “lei” para os governos estaduais por conta da crise.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

No Rio, mais de 70 escolas estão ocupadas. No Ceará são 4 escolas — sendo que em ambos os estados os professores da rede estadual estão em greve.

Secundaristas de outros estados como Pará e Rio Grande do Sul já se manifestaram neste ano contra a precarização do ensino, e a possibilidade de ocupações em ambos é grande.