MPL não irá divulgar trajeto e convida Alckmin e Haddad para o diálogo

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Em coletiva convocada pelo Movimento Passe Livre na manhã de hoje, representantes do grupo reafirmaram seu posicionamento de não divulgação do trajeto do ato de hoje, contrariando as exigências inconstitucionais da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Além disso, convidaram o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin para o diálogo.

Depois de realizar um pequeno protesto nesta segunda-feira (25) na saída da missa feita na Sé em celebração ao aniversário da cidade — onde estavam tanto Haddad quanto Alckmin — o MPL resolveu partir para o diálogo. Mas não antes de demonstrar que sua jornada de luta contra o aumento das passagens vai sim continuar, e se radicalizar cada vez mais.

O motivo é que poucas horas depois do protesto o movimento soltou nota oficial declarando que não pretende divulgar o trajeto da manifestação desta terça-feira com antecedência, conforme exigido neste ano pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Até o momento, cinco protestos já foram feitos na cidade contra o aumento desde o começo do ano, convocados pelo MPL. Em dois deles, por conta do trajeto, houve brutal repressão policial, resultando em dezenas de feridos — incluindo jornalistas, fotógrafos e trabalhadores que passavam pelos locais.

Segundo integrantes do movimento e diversos especialistas, não existe nenhuma exigência na Constituição Federal que fale sobre o trajeto de uma manifestação pública. Em teoria, o MPL sempre divulga com dias de antecedência o local de concentração de seus atos — o que tem sido suficiente desde o começo do movimento, gerando problemas só agora em 2016 por conta da criminalização dos atos contra a tarifa pelo poder público.

Ontem (25), o MPL aproveitou a presença de Haddad e Alckmin na missa em celebração pelo aniversário de São Paulo para cobrar ambos sobre a repressão policial e a redução da tarifa | Foto: Alice V/Democratize

Em coletiva com a imprensa convocada para a manhã de hoje, o Movimento Passe Livre deixou claro que não irá mais recuar diante da pressão da SSP, que segundo eles “tira o foco da principal pauta do movimento”, que é a redução imediata da tarifa no transporte público de São Paulo — que hoje é de R$3,80.

Ao mesmo tempo, integrantes do movimento mostraram que estão prontos para o diálogo com o poder público, convidando o prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para uma reunião na quinta-feira (28), onde deve haver uma nova manifestação contra o aumento das passagens.

O clima de tensão para o ato de hoje, que já é o sexto no ano, é muito claro. Se a SSP continuar com o seu posicionamento, que para muitos é inconstitucional, a Polícia Militar provavelmente deve agir para que a manifestação não saia do seu local de concentração — que será em frente ao Terminal da Luz, às 17 horas.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Segundo o evento no Facebook, são esperadas pelo menos 5 mil pessoas para a manifestação de hoje.

Apesar da queda de número de adeptos, especialistas apontam que tal diminuição não se dá por conta do nível de indignação da população e dos mais jovens com o aumento da tarifa, e sim pela própria repressão da Polícia Militar.

Duas manifestações específicas do MPL foram marcadas por graves casos de repressão policial, o que pode ter afastado um número considerável de manifestantes. Mas o movimento promete não recuar.