PM de São Paulo vira “polícia política” contra movimentos pró-governo

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Na noite de sexta-feira (11), a PM invadiu o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em Diadema, onde acontecia ato em defesa do governo petista. Começam a circular boatos de ações de policiais militares contra organizações de esquerda neste fim de semana em São Paulo.

Soldados da Polícia Militar invadiram, na sexta-feira (11) à noite, a subsede de Diadema do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na Grande São Paulo, onde ocorria um ato de desagravo às recentes ações da Polícia Federal e do Ministério Público paulista contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo Dilma. O encontro reunia políticos — entre eles o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, e o deputado estadual Teonílio Monteiro da Costa, o Barba, o ex-prefeito daquela cidade e ex-secretário de Saúde da capital José de Filippi, militantes do partido, sindicalistas e movimentos sociais .

De acordo com o deputado estadual e presidente do PT de Santo André, Luiz Turco, a plenária corria normalmente quando militares entraram no espaço. “Fomos surpreendidos com a chegada da Polícia Militar, que entrou no prédio do sindicato, sem justificativa, de forma ostensiva, criando um clima de tensão muito grande entre os companheiros presentes”, relatou Barba em seu perfil no Facebook.

“Dois PMs, um tenente e um soldado invadiram a plenária, argumentando que queriam saber o que estava acontecendo no local. Logo após chegaram muitas viaturas fechando a rua em frente ao prédio do sindicato. Os soldados estavam armados com metralhadoras e revólveres. Parecia uma praça de guerra do lado de fora”, contou Luiz Turco.

Foto: Reprodução/Facebook

Ao mesmo tempo, circulavam boatos nas redes sociais de uma possível abordagem policial contra membros da Apeoesp, o sindicato dos professores da rede estadual. Segundo as informações, alguns teriam sido presos pela PM.

No sábado, foi a vez da UNE (União Nacional dos Estudantes) ser alvo de rumores, desta vez confirmados: o prédio da organização havia sido vandalizado, mas não por policiais militares.

De qualquer forma, as organizações pró-governo em São Paulo já ligaram o sinal de alerta. Durante a semana, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tratou de fazer pouco caso com possíveis mobilizações contra o impeachment no estado, afirmando que não permitiria manifestações pró-governo nesse domingo (13). Na sexta-feira de tarde, o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, afirmou em coletiva de imprensa que a SSP daria total segurança aos manifestantes pró-impeachment na Avenida Paulista. A mensagem foi vista como uma ameaça caso partidários do ex-presidente Lula quisessem se manifestar em São Paulo na mesma data.

O uso da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança pelo governo tucano é motivo de polêmica.

Um pedido de impeachment contra Geraldo Alckmin foi protocolado no começo de março pelo empresário Felipe Gini. A razão é a mesma: o uso da PM para fins políticos, quando policiais reprimiram manifestações de estudantes secundaristas na capital.

Além disso, a interferência da SSP nas manifestações contra o aumento da tarifa neste ano também gerou críticas ao governo estadual. Na época, o secretário Alexandre de Moraes distorceu a Constituição Federal para que a Polícia Militar pudesse ditar qual seria o trajeto das manifestações do Movimento Passe Livre.

Agora, a SSP tem realizado reuniões com lideranças dos movimentos pró-impeachment, exibindo o uso da máquina pública com fins partidários e políticos.