PM protege boneco de plástico, ataca manifestantes e permite agressões

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Mesmo após a suspensão dos depoimentos, manifestantes compareceram ao Fórum Criminal da Barra Funda; atos terminaram em confronto e novos abusos de violência da PM.

Aconteceram, na manhã desta quarta-feira (17), atos a favor do ex-
Presidente Lula, no Fórum Criminal de São Paulo. Cerca de 3 mil manifestantes lotaram a entrada do local. Houve, também, uma pequena parte que protestava contra o ex-­presidente.

Lula foi inicialmente chamado para prestar esclarecimentos após o vazamento de informações relativas a um apartamento no Guarujá (SP). A acusação seria de que o ex-presidente teria recebido o imóvel como propina em troca de tráfico de influência.

O Instituto Lula publicou documentos que provam a versão do ex­-presidente e rechaçou o que chamou de “invencionices”. Após a divulgação dos documentos, o Deputado Federal Paulo Texeira (PT-­SP) entrou com uma ação no Conselho Nacional do Ministério Público, alegando que o processo não seguiu os trâmites normais. Ainda segundo o deputado, o processo foi encaminhado intencionalmente a um promotor cujas opiniões são tendenciosas ­ O promotor Cassio Conserino deu declarações à revista Veja, dando sua opinião sobre o caso antes mesmo de ouvir Lula.

O depoimento estava marcado para a manhã desta quarta­-feira, mas uma liminar favorável às alegações do deputado petista revogou a decisão da promotoria. Diz a liminar:

“Ex positis, e com fundamento no art. 43, inciso VIII, do RICNMP, DEFIRO parcialmente o pedido de medida liminar formulado pelo Requerente, a fim de tão somente suspender a prática de qualquer ato pelo Requerido relacionado aos fatos narrados neste Pedido de Providências, em especial no âmbito do PIC no 94.2.7273/2015, até que o Plenário deste CNMP delibere sobre a alegação de ofensa ao princípio do Promotor Natural na hipótese dos autos.”
Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Assim, a liminar suspende a intimação até que o Pleno do Conselho possa julgar o caso, ainda que o ex-presidente Lula e sua esposa Marisa tenham que prestar depoimentos, futuramente.

Mesmo com a intimação suspensa, os atos que estavam marcados foram mantidos. Apenas cerca de 300 manifestantes contrários ao Lula compareceram, enquanto mais de 2 mil pessoas foram em defesa do ex-
Presidente. O clima ficou tenso e a Polícia Militar se colocou entre os dois grupos, que gritavam palavras de ordem.

Militante da Juventude Petista do Município de São Paulo, Rodrigo César, conseguiu furar o cerco e rasgar o boneco de plástico com a imagem de Lula vestido de detento. Ainda enquanto furava o boneco, Rodrigo foi agredido por manifestantes contrários.

A reportagem conversou brevemente com Rodrigo. “Resolvi furar o boneco porque não podemos deixar que Lula seja atacado sem darmos respostas. A sociedade brasileira precisa saber que não vamos permitir julgamento sem provas nem a criminalização do companheiro Lula, que vamos reagir a cada iniciativa golpista, que não vamos adotar uma postura bovina.”

Ainda segundo Rodrigo, a manifestação foi mantida porque é preciso conter a ofensiva conservadora e a mobilização social é fundamental para isso. Ele conta ainda que conseguiu furar o boneco e se desvencilhar dos agressores antes que a Polícia chegasse ao local: “Tenho certeza que se não tivesse conseguido apanharia da PM assim como aconteceu com outros companheiros”, complementa.

Agressões da PM são comuns nos atos de esquerda. Enquanto os manifestantes pró­-impeachment tiram fotos com a tropa de choque, os estudantes secundaristas cansaram de serem agredidos, durante as ocupações nas escolas.

No ato desta quarta­-feira, o militante Michel Adriano Szurkalo foi detido pela PM. Relatos dão conta de que ele teria se machucado durante o enfrentamento entre os grupos, com a intenção de defender Rodrigo César, que estaria sendo atacado por lideranças dos Revoltados Online.

No momento em que a reportagem era escrita, Michel Adriano foi liberado do 23o DP, em Perdizes. Cerca de 20 manifestantes contrários a ele e 2 favoráveis, estavam no local para prestar depoimentos.

O dirigente sindical da CUT, Nelson Canesin, foi agredido por um Policial Militar, que o atacou no rosto com um cassetete. Ele saiu do local carregado e inconsciente. Até o momento a reportagem não conseguiu apurar o estado de saúde do militante.

Veja algumas fotos clicadas pelo nosso fotógrafo Gustavo Oliveira:


Por Victor Amatucci do Blog ImprenÇa, exclusivo para o Democratize