Políticos de hoje em um passado de fotos

Foto: Arquivo/Chicago Tribune

A foto em destaque é a do então jovem Bernie Sanders, atual pré-candidato para a presidência dos Estados Unidos, sendo preso em uma manifestação estudantil contra a segregação dentro das universidades do país nos anos 60. A foto nos deixou curiosos, então procuramos outras de vários políticos nos dias de hoje, em situações semelhantes no passado.

O pré-candidato democrata Bernie Sanders parece animar cada vez mais a nova geração norte-americana. Recentemente, o jornal Chicago Tribune divulgou uma foto de Sanders sendo detido por policiais, durante uma manifestação estudantil contra a política de segregação dentro de universidades. A foto, de 1963, foi confirmada pelo próprio pré-candidato.

O Democratize separou algumas fotos de vários políticos da atualidade em situações semelhantes: protestos, greves, prisões. E principalmente, checamos qual o posicionamento deles, como políticos agora, sobre os temas levantados no passado.

Luciana Genro

Na foto abaixo, a ex-presidenciável pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) enfrentava um cordão policial durante uma manifestação em Porto Alegre, nos anos 90. Tratava-se de um protesto feito por professores da rede pública de ensino.

Agora candidata para a prefeitura de Porto Alegre neste ano, Luciana Genro tem demonstrado em suas bandeiras a mesma vontade política por um sistema de qualidade e público na Educação.

Lula

Então sindicalista, Lula foi um dos nomes mais importantes durante a greve dos metalúrgicos do ABC, em São Paulo, no começo dos anos 80.

A mobilização exigia melhores condições de trabalho e reajuste salarial, mas acabou levando outras pautas políticas como a questão da democratização do Brasil, e o fim da perseguição contra opositores ao regime militar. Cenas históricas como a foto abaixo foram registradas, em assembleias que duravam quatro horas e reuniam mais de 50 mil pessoas.

Atualmente, Lula faz parte de uma lista de investigados por corrupção pela Polícia Federal. Seus partidários afirmam que trata-se de uma perseguição política contra o ex-presidente, encabeçada pela oposição e por meios de comunicação que nunca gostaram da imagem do ex-sindicalista.

Durante seu governo o emprego metalúrgico cresceu cerca de 54%, segundo levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), a pedido do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região. Comparado com o governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a categoria dos metalúrgicos amarguravam a perda de 5.764 postos de trabalho, representando então na gestão petista um grande reaquecimento para a categoria.

Pepe Mujica

O nosso querido Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, não pode faltar nessa lista. Na foto acima, no ano de 1985, o então livre militante de esquerda uruguaio fala com trabalhadores e estudantes, em sua primeira participação no processo eleitoral do país.

Poucos meses atrás, no mesmo ano de 1985, Pepe era enfim liberado da prisão, depois de 14 anos detido por participar de um movimento político armado de esquerda, o Movimento de Liberação Nacional — Tupamaros (MLN-T).

De lá pra cá, Mujica se tornou uma verdadeira referência política ao redor do mundo, após se tornar presidente do Uruguai. Apesar de seu passado de guerrilha urbana e prisão, ficou conhecido internacionalmente por sua calma e simplicidade, e em adotar políticas de esquerda e liberais, como na questão do aborto com as mulheres e a legalização da maconha.

Dilma Rousseff

Foto histórica da atual presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, no ano de 1970. Nela, o julgamento diante do Tribunal Militar sobre sua participação em atividades armadas contra a ditadura militar. Assim como Pepe Mujica, Dilma também ficou presa por conta de seu ativismo político de esquerda. Passou cerca de 3 anos na prisão.

Naquela momento, com apenas 22 anos de idade, Dilma jamais imaginava que se tornaria a mulher mais poderosa do país, se elegendo presidente em 2010 pelo Partido dos Trabalhadores.

Infelizmente, com o cargo de presidente do país, Dilma não conseguiu lidar com a questão de ativismo político e perseguição pelo Estado. As manifestações de 2013 e a Copa do Mundo em 2014 provaram o contrário: para barrar manifestantes, o governo federal se aliou com diversas forças de segurança estaduais, com o intuito de enfraquecer possíveis grandes atos durante o evento da FIFA. Com apoio federal, mais de 20 ativistas políticos de esquerda foram presos no Rio de Janeiro, além dos célebres casos envolvendo o ativista Fábio Hideki e o ex-policial militar Rafael Lusvarghi, em São Paulo. A militarização em comunidades pobres no Rio de Janeiro também fazem parte da política de segurança pública do Estado, o que mostra o quão diferente se tornou a ex-militante política da foto.

Zé Dirceu

Talvez o mais decepcionante dos casos, o Zé Dirceu da foto acima ainda era reconhecido como uma das grandes boas surpresas da militância estudantil durante a ditadura militar. Militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN), na foto acima presidia a União Estadual de Estudantes, com o codinome de “Daniel”. Firmou-se como uma das principais lideranças estudantis do Brasil, chegando a ser preso em 1968, durante a realização do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes.

Ao contrário do que se esperava, Dirceu teve a oportunidade de tornar possível tudo o que pregava durante a ditadura, com a vitória de Lula em 2002, sendo o “homem de confiança” do presidente. Assumiu o cargo de Ministro da Casa Civil, o mais importante do governo. Mas não durou.

Nesta lista, foi o que teve o destino mais trágico: associado com diversos casos de corrupção, seja durante as investigações do “Mensalão” ou atualmente na Lava Jato, Dirceu acabou sendo preso novamente — mas desta vez por burlar o sistema por benefício unicamente de enriquecimento próprio.