Post no Facebook é causa de prisão por “terrorismo” no Brasil

eDemocratize
Jul 28, 2016 · 3 min read
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Foto: Alice V/Democratize

Cuidado com o que você posta nas redes sociais, faltando poucos dias para os Jogos Olímpicos no Brasil.Segundo seu advogado, em entrevista ao Estadão, o rapaz foi preso nesta quarta por causa de uma postagem no Facebook em que registrou que “assistiu dolorosamente a queda de uma mesquita por terrorismo”.

Isso porque nesta quarta-feira (27), um homem chamado Chaer Kalaoun, 28, de origem libanesa, foi preso pela Polícia Federal em mais uma operação “anti-terrorismo” no Rio de Janeiro.

Kalaoun é brasileiro, muçulmano e morou durante sua adolescência no Líbano. Assim como os 10 detidos na semana passada pela Polícia Federal, não existe nenhuma comprovação de seu envolvimento em planejamento de atentados. A causa de sua prisão é outra: o Facebook.

Segundo seu advogado, em entrevista ao Estadão, o rapaz foi preso nesta quarta por causa de uma postagem no Facebook em que registrou que “assistiu dolorosamente a queda de uma mesquita por terrorismo”.

“Não há uma acusação básica, uma acusação completa, uma acusação definida. Apenas há suposições de ele teria feito postagens no Facebook, postagens de ligações e até com relação ao Estado Islâmico, mas que não tem nada objetivo com relação a ele. Ele não tem qualquer vinculação com o EL. Ele não tem o que chamam por aí de batismo, então, não estaria recrutando, trazendo pessoas, não estaria colaborando e não estaria incentivando projetos do EL”, afirmou o advogado Edson Ferreira.

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Michel Temer e Alexandre de Moraes, na cerimônia de posse dos ministros do governo interino em maio | Foto: Alice V/Democratize

A prisão faz parte da polêmica Operação Hashtag, comandada pela Polícia Federal pessoalmente pelo Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

A forma autoritária de Moraes há havia sido motivo de critica por parte do próprio governo de Michel Temer, e de seu Ministro da Defesa, Raul Jungmann, na semana passada.

Segundo informações da Revista Época, o próprio presidente interino teria enquadrado Moraes por ter chamado “para si a responsabilidade da operação, que contou com a participação de outros órgãos”. Por trás dos holofotes, fica clara a intenção do Ministro da Justiça: tornar cada vez mais viável sua candidatura ao governo do estado de São Paulo em 2018, pelo PSDB.

Moraes foi secretário de Segurança Pública entre 2015 e 2016 em São Paulo, sob o comando do governador Geraldo Alckmin, seu padrinho político.

Até o momento, 12 pessoas foram presas em 8 diferentes estados durante a Operação Hashtag, que foi duramente criticada pela opinião pública pela falta de justificativa e principalmente por exageros que teriam vindo na fala de Alexandre de Moraes.

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