Quem será o próximo malvado favorito de Kataguiri e sua turma?

Foto: Divulgação

Não adianta negar. Kim Kataguiri e sua turminha neo-liberal usaram o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) até o momento em que foi necessário. Depois, ele se tornou descartável. Mas a história continua e não deve parar ai. Com tantos “ativistas” pró-impeachment concorrendo nas eleições, fica a dúvida: quem será o próximo malvado favorito dessa galera?


Por Francisco Toledo

Hoje em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, o coadjuvante Kim Kataguiri resolveu tentar limpar a sua barra sobre a relação que tinha com Eduardo Cunha (PMDB), ex-deputado e ex-presidente da Câmara, afastado na noite desta segunda-feira (12) por esmagadores 450 votos contra 10.

No texto, que obviamente não é a sua praia, o líder do Movimento Brasil Livre (MBL) usa repetecos e tenta desviar do foco sobre a corrupção em torno da imagem de Cunha: “Nunca me perguntaram sobre o lamaçal de corrupção dos governos petistas”.

Ironicamente, os governos petistas citados por Kataguiri não foram compostos apenas pelo PT, mas também como pelo PMDB — partido no qual membros do MBL hoje são candidatos para vereador e prefeito, além de ser a sigla defendida nacionalmente pelo grupo na imagem do novo presidente Michel Temer, blindado de críticas.

Depois de muito blablabla e auto-promoção, Kataguiri diz que o MBL nunca promoveu qualquer tipo de apoio público ao deputado Eduardo Cunha.

Esqueceu, obviamente, das postagens e vídeos na página de seu grupo elogiando a postura de Cunha, e sua iniciativa contra o governo Dilma Rousseff. Fizeram até “memes do óculos escuro”, como se Cunha “humilhasse” o governo petista e isso fosse motivo de aplauso.

Também esqueceu daquela campanha: #SomosTodosCunha. Quem não se lembra disso?

Talvez Kataguiri não tenha, de fato, esquecido. Até que porque o MBL apagou todas as publicações relacionadas ao deputado Eduardo Cunha antes de seu afastamento, tanto no Facebook quanto no Twitter.

Porém, seu colega e candidato para vereador pelo DEM, Fernando Holiday, esqueceu mesmo foi de apagar um post em sua página pessoal:

“Cunha, amar ou odiar? Eis a questão”, escreveu Holiday, sobre a notícia de Cunha ter mandado policiais contra os manifestantes que estavam do lado de fora da Câmara dos Deputados, protestando contra a lei que amplia a terceirização.

Durante todo o resto do texto, aquilo tudo que já estamos cansados de ouvir: Dilma Rousseff, golpe, Collor, impeachment, narrativa, crimes…

Para alguém que tem plena consciência do seu posicionamento, Kataguiri escreveu demais e explicou de menos. Ou pelo menos tentou explicar demais, para alguém que não tem Cunha como amigo ou colega.

No final das contas, ele termina dizendo que os petistas terão de achar “outro malvado favorito”.

Mas na realidade essa não é a tarefa da esquerda. E sim deles, do MBL.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Afinal, para conseguir espaço na política institucional, membros do grupo se renderam a partidos políticos mergulhados em casos de corrupção, como é o caso do próprio PMDB, ou até mesmo do DEM, de Fernando Holiday — apadrinhado por outro “malvado favorito”, chamado Pauderney Avelino, deputado federal pelo partido, envolvido em diversos escândalos de corrupção — sendo condenado a devolver pelo menos R$4,6 milhões para os cofres públicos.

Nenhuma novidade.

Para quem defende as ideias que eles defendem, é preciso agir nos bastidores. Caçando malvados para representar suas ideias por trás de um pano falso de moralidade.

Cunha foi apenas o primeiro deles. Mas existem tantos outros: do corrupto Pauderney até o senador Caiado (DEM), que faz apologia ao trabalho escravo no campo. De Michel Temer, citado um turbilhão de vezes na Lava Jato, até o novo Ministro da Educação, amigo intímo de Kim Kataguiri e sua turma, que teria recebido propina segundo o procurador-geral da República nas eleições de 2014.

A lista é grande. Dá trabalho apagar o passado, mas essa não será a única vez.

Para colocar em prática a política de austeridade, de cortes trabalhistas, de perda de programas sociais e tantas outras conquistas da classe trabalhadora, Kataguiri e sua turma vão precisar ralar muito mais. E agora, sem o “Fora Dilma” para ganhar apoio da massa despolitizada da classe média, vai ser bem mais difícil.

Protesto lotado contra Michel Temer e as políticas de austeridade defendidas pelo MBL | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Francisco Toledo é co-fundador e escritor pela Agência Democratize em São Paulo