Quilombo é ameaçado de despejo em Porto Alegre

Foto: Gabriel Soares / eDemocratize

O Quilombo Lemos sofreu uma tentativa de despejo nessa ultima quarta-feira, 7, quando o Oficial de Justiça juntamente com policiais da Tropa de Choque da Brigada Militar adentrou o terreno do Quilombo, sem qualquer tentativa de diálogo e sem aviso prévio para os moradores e sem os tramites legais para esse tipo de ação.

Por Gabriel Soares

O Quilombo Lemos é o sétimo quilombo de Porto Alegre e nele moram cerca de 66 pessoas. Devido a sua localização, é alvo de especulação imobiliária, por conta da “revitalização” da Orla do Guaíba.

Em função dessa tentativa de despejo ter ocorrido em torno de uma manhã de quarta-feira, muitos moradores não se encontravam no local na hora — estavam trabalhando e as crianças na escola. Graças as redes sociais e telefonemas de urgência, uma defensora pública e um procurador do MPF apareceram para interferir nessa reintegração.

Sandro Lemos | Foto: Gabriel Soares / eDemocratize

De acordo com Sandro Lemos, filho do patriarca da família, Jorge Lemos, no dia 08/11 foi oficializado junto a Fundação Palmares a certificação como Quilombo. Essa disputa judicial pela posse do terreno é com o Asilo Padre Cacique, instituição de caridade que cuida de idosos e que é vizinha do Quilombo. Jorge e a esposa Delzia trabalharam a vida toda no asilo, e logo após a morte do sr. Jorge em 2009 o asilo decide entrar na justiça para reaver um terreno que a família Lemos viveu por mais de 50 anos, e que hoje moram seus descendentes.

O Quilombo Lemos ainda corre o risco de ser despejado, pois pode sair outro mandato enquanto a justiça federal não suspender essa reintegração.

Outros quilombos de Porto Alegre, tribos indígenas, advogados e defensores de direitos humanos fazem uma vigília junto ao Quilombo Lemos para poder resistir de toda maneira possível.

Entrada do Quilombo Lemos | Foto: Gabriel Soares / eDemocratize

O Quilombo está precisando de doações de sacos de lixo, frutas, luz de emergência, café, açúcar, massa e óleo entregue diretamente no endereço deles (Av. Padre Cacique 1250).

A Ação de Reintegração de Posse tramita na 17ª Vara Cível de Porto Alegre.

Veja mais fotos, por Gabriel Soares.

Descendentes dos fundadores do Quilombo Lemos
Buraco feito pela Brigada para invadir o quilombo