Samarco demite mais de mil no dia em que o prefeito de Mariana pede sua volta

Foto: Agência Senado

Quase 7 meses se passaram desde o crime feito pela Samarco no Rio Doce, nas regiões de Minas Gerais e Espírito Santo. A situação, no entanto, está longe de se aproximar de um final minimamente decente para as populações afetadas.


Com o Brasil envolto a tentativas de impeachment/golpe (deixo ao leitor e à leitora a decisão de que verbete utilizar) a Samarco efetuou um acordo com o governo federal para receber um aporte financeiro, ainda com a presidência de Dilma Rousseff e, claro, a anuência do governo estadual.

A situação é complicada e não pode ser vista como algo simplório. Conforme este repórter já descreveu, a cidade de Mariana há muitos anos que depende financeiramente das mineradoras. Segundo o vereador Cristiano (PT de Mariana), 85% do PIB da cidade de Mariana está ligado à Samarco, o que faz com que a população fique a mercê dos desmandos da empresa ligada à Vale.

Mais do que isso, o Brasil tem também seu PIB dependente da agricultura e dos minérios. O que significa dizer que a pura e simples satanização das empresas, ainda que com razões merecidas, não resolve nem aprofunda as discussões sobre o tema. O extremo oposto, no entanto, também é verdadeiro.

E o mais absurdo parece ser a política local. A cidade histórica de Mariana — outrora capital de Minas Gerais — teve nos últimos 7 anos, um total de 5 prefeitos. O atual, Duarte Júnior (PPS), era vice de Celso Cota prefeito eleito em 2012 e cassado em 2015. Entre outras peripécias, o atual secretário adjunto de comunicação ganhou o cargo depois de uma doação para a campanha do próprio chefe (a comprovação está lá, no ImprenÇa).

Pois Duarte Júnior resolveu ir até o presidente interino, Michel Temer, pedir para que o PMDBista defenda publicamente a volta da Samarco para Mariana, além de pedir um aporte financeiro do governo federal para a cidade. Não é apenas o problema financeiro que o motiva. Mais do que isso, Duarte pretende se candidatar à prefeitura local, este seria um de seus trunfos para a campanha.

Seria absolutamente corriqueiro, não fosse o fato de que a Samarco está, no mesmo dia em que o prefeito de Mariana pede sua volta, realizando a demissão de mais de mil funcionários (mil e duzentos, aproximadamente) que já estavam afastados da empresa, em situação de lay off (quando a empresa legalmente suspende os pagamentos dos trabalhadores — que não precisam trabalhar durante o período — mas sem efetuar de fato a demissão.), um mecanismo previsto na CLT para que empresas em situações complicadas financeiramente, possam evitar demissões. O lucro líquido da Samarco em 2015 foi de 2,8 Bilhões de reais, apesar da crise das commodities.


Reportagem por Victor Amatucci, do blog ImprenÇa para o Democratize