Sem espetáculo e holofote, Cunha é preso em Brasília

Foto ilustrativa, do deputado Eduardo Cunha em aeroporto no Rio de Janeiro | Foto: Reprodução

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), foi preso nesta quarta-feira (19) em Brasília. Mas ao contrário do que tem sido comum nas prisões da Lava Jato, não tivemos link ao vivo, muito menos a tão desejada imagem dele algemado por policiais. Afinal, por que essa diferença de tratamento é tão gritante?


Por Francisco Toledo

A quarta-feira já começou de uma forma que deixava claro aquilo que viria a acontecer: o ex-presidente da Câmara dos Deputados, conhecido por seu engajamento no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), seria preso.

Isso porque logo cedo a Polícia Federal entrou em sua casa no Rio de Janeiro. A notícia se espalhou rapidamente em Brasília.

A própria Globonews admitiu que Eduardo Cunha (PMDB) já tinha conhecimento de que o próximo passo seria que policiais o abordassem em Brasília para a prisão. Por isso o terno e gravata, segundo os jornalistas do canal.

Mas isso não foi registrado.

Pra quem está acostumado com cada detalhe das prisões da Operação Lava Jato, trata-se de uma mudança muito repentina na forma de atuação dos meios de comunicação. Quando o ex-presidente Lula (PT) foi conduzido pela Polícia Federal no mês de março, muito se falava sobre “qual roupa Lula estava usando”, ou da forma como “ele foi pego de surpresa”, até mesmo o diálogo entre ele e sua esposa Marisa. Sem mencionar o verdadeiro esquadrão de jornalistas do lado de fora de sua casa, na cidade de São Bernardo do Campo em São Paulo.

Foto: Fotos Públicas

É preciso deixar claro ao leitor: a forma como a mídia tem tratado as prisões da Lava Jato é sensacionalista, para não dizer incorreta. Individualizam a corrupção como se fosse algo exclusivo de políticos X ou Y, criando uma personalidade como se fosse um reality show.

Mas é no mínimo curioso esse formato de atuação não ter se repetido com Eduardo Cunha.

E estamos falando de um dos políticos mais importantes da atualidade, responsável por quebrar a governabilidade de um governo conduzido por um dos partidos mais polêmicos do país, que governava o Brasil desde 2002. Não é qualquer político.

É o homem responsável pelo impeachment de Dilma Rousseff. Sem mencionar que também é o deputado conhecido internacionalmente por sua conduta imoral, com contas bancárias na Suíça, acusado de propina no valor de R$5 milhões. Cunha será sempre lembrado pela sua forma de atuação na Câmara, com chantagens emocionais e financeiras, com suas manobras para que cada votação seguisse aquilo que ele desejasse.

Parece exagero, mas não é.

E a forma como a mídia conduziu a sua prisão será motivo de muita análise nos próximos meses. Principalmente se, eventualmente, outra figura importante do Partido dos Trabalhadores for presa.

É esperar para comparar, mais uma vez.


Francisco Toledo é co-fundador e escritor pela Agência Democratize em São Paulo