“Voz da moral” pelo impeachment, senador teria recebido R$100 mil de repasse não declarado

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Magno Malta (PR) é uma das vozes mais ativas pelo impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) no Senado Federal, utilizando de frases de efeito com base no velho moralismo conservador para justificar seu posicionamento. O problema é que uma troca de e-mails entre empresários podem complicar a vida do senador.


Senador pelo estado do Espírito Santo, Magno Malta (PR) ficou conhecido por defender o afastamento em definitivo da presidente Dilma Rousseff (PT) nos últimos meses no Senado Federal, com discursos um tanto polêmicos.

Magno já tocou em diversos temas durante o processo de impeachment: a existência do Foro de São Paulo como forma de impor uma ideologia na América Latina; chamou a presidente afastada de “Mãe da Mentira”; e chegou até mesmo a se emocionar durante seu voto favorável ao afastamento de Dilma em maio deste ano.

Porém, poucos anos atrás a situação era completamente diferente: Magno Malta faz parte daquela base política do chamado “centrão”, que geralmente corre para o lado onde o poder se encontra.

Nas últimas campanhas, ficou ao lado da presidente afastada e do ex-presidente Lula, utilizando da imagem dos petistas para favorecer sua própria campanha ao Senado Federal. Hoje, conforme caminha o senso comum da sociedade no geral, procura ser acolhido pelos setores mais conservadores.

Magno ao lado de Dilma, durante campanha em 2010 | Foto: Tasso Marcelo/AE

O senador cresceu na política através da sua carreira evangélica, atuando inicialmente como pastor e integrante de uma banda gospel. Como todo bom membro do centrão, passou pelo PTB, PL, PMDB, PST, e hoje faz parte do PR.

Mesmo quando parte da base aliada de Lula e Dilma, Magno Malta já fazia parte dos noticiários. Teve seu nome envolvido entre os políticos que desviaram recursos públicos para a compra de ambulâncias no Ministério da Saúde, a chamada Máfia das Sanguessugas. Seu nome também aparece entre os beneficiados dos atos secretos, que veio a público após uma série de denúncias sobre a não publicação de atos administrativos, tais como nepotismo e medidas impopulares, em junho de 2009.

Agora, ao mesmo tempo em que lidera o chamado “discurso moral” pelo impeachment, o senador do PR se encontra mais uma vez nas manchetes sobre corrupção.

Segundo uma troca de e-mails entre dirigentes de uma das maiores fabricantes de móveis de cozinha do país, Magno Malta teria recebido cerca de R$100 mil em repasses não declarados. As informações são de que as “doações” teriam ocorrido em 8 de setembro de 2014, ano eleitoral.

Em uma das conversas por e-mail, um dos empresários pede ao filho para depositar para a Vix Consulting somente R$475 mil — “Os outros 100.000 são para compensar a retirada em dinheiro de R$100 mil do Malta. Não sei como foi contabilizado [a saída desse valor da empresa]”.

O filho dele questiona: “Quem realizou o pagamento do Malta? Existe NF, foi declarado a doação?”. Seu pai nega: “Não existe NF, não declaramos. Está em aberto, talvez como adiantamento para mim. Veja com Lailton [tesoureiro da empresa]. Favor apagar todos os e-mails sobre este assunto”.

O senador negou todas as acusações.

Desde as manifestações do ano passado, os movimentos pró-impeachment e “anti-corrupção” colocam a imagem de Magno Malta como grande aliado pelo afastamento de Dilma Rousseff, chegando a discursar em carros de som durante manifestações.