Sou um vazio cheio de fraqueza

Logo quando acordo me recuso a olhar no espelho. Vou para o banheiro e sou bem ágil ao abrir a portinha com espelho para pegar minha escova de dente. Tomo um café da manhã nada saudável, basicamente, comer o que tiver. Fico sentada a mesa pensando no dia que preciso viver, nos afazeres a serem feitos, na correria a ser corrida e penso que se meus pais soubessem o quanto eu não quero trabalhar, sair do lugar e prefiro chorar, eles chorariam. Talvez de desgosto.
Coloco o uniforme, ajeito minhas coisas e finalmente me vejo em frente ao espelho, lidando com meu reflexo, olheiras e cara de cu. Preciso ajeitar isso e parecer mais amigável com a vida. Ser o eu que as pessoas “conhecem”. Confesso que gosto de maquiagem, mas quando ela só faz parte de algo que você tem que fazer para parecer você mesma, perde a graça.
Minha essência parece fumaça.
Me questiono de manhã sobre minha vontade de não fazer nada, se é preguiça, desânimo ou depressão. Pelo o que me dizem é só covardia e sou sem noção. A tarde já estou cansada de sorrir para os colegas de trabalho. Me sinto o tempo todo sufocada e angustiada. Se estar sozinha pode ser ruim imagine estar com pessoas e sentir sozinha. Durante a noite tento não pensar mas falho pois é só o que faço. Penso no dia que passou, no que esta se passando e no de amanhã que sentirei tudo outra vez e talvez pior.
É a noite tudo me invade. Não tenho cadeados e sem proteção. A máscara de garota que corre atrás da vida se cai, eu caio.
Só me sinto no chão e já faz tempo.
Parece drama, são palavras mal escritas e frases mal compostas mas são dolorosas para mim.
Coisas sentidas que nunca são bem explicadas.
Estou tentando escrever porque isso já me aliviou e esvaziou um dia. Mas agora não consigo rimar, não estou sendo profunda, nada marcante. Talvez a escrita e a poesia esteja se definhando junto comigo. Pelo o que eu saiba quando as flores morrem, as pétalas murcham.
Estou murchando aos poucos para depois morrer?

