A decisão de abandonar a carreira

Sobre tomar decisões difíceis na vida.

Algumas pessoas vieram me perguntar como eu fiz pra decidir essa importante guinada que dei na vida.

Logo que eu percebi uma possibilidade, prontamente fui fazer listas de prós e contras, análises meticulosas, ponderações.

De nada adiantou, a decisão já estava tomada, eu só não sabia…

Na época eu não havia percebido, mas a vibração do coração foi quem decidiu.

Eu, sinceramente, achava isso balela.

Que história é essa de decidir com o coração? Conversa pra boi dormir…

Salmão, um dos homens mais sábios da história, cita em provérbios: “sobretudo o que deve guardar, guarda o teu coração, pois dele procedem as saídas da vida.”

Gandhi seguiu seu coração, mesmo diante de uma ideia dita como insana de ter uma Índia independente de forma pacífica, sem pegar em armas, pregando a não violência como filosofia principal.

Depois lembrei, mais tarde, que acredito muito no brilho no olhar, e acredito também que muitos serviços públicos são de uma qualidade baixa porque boa parte de quem os presta não têm esse brilho no olhar, não gostam do que fazem e estão ali sofrendo.

Gostariam de estar em outro lugar, mas continuam ali por medo de se arriscar e fazer algo diferente.

Não fazem de coração, muitos fazem somente pelo salário ou algo do gênero — status, poder.

Por isso, lembrei de que o coração é onde reverbera a vontade genuína da essência.

Por isso, quando eu falava com os Alunos do pelotão que comandava, dizia para decidirem suas especializações levando em consideração o “espírito da arma”, ou seja, aquela pela qual o coração palpitação mais forte, que fazia o olho brilhar e sua vibração ir lá em cima!

Assim, por maiores que sejam as dificuldades de um desafio, por mais pesados que por vezes possam parecer os fardos, nada deixará de abalar a estrutura do guerreiro que marcha com seu coração latente em prol do seu ideal.

Assim, as decisões da vida se tornam fáceis e suaves, só que a mente racional quer tomar conta para que não perca seu senso de identidade — o ego, daí o que era algo simples se torna tortuoso e sofrido.

Apenas temos que ter o cuidado para não confundirmos o coração com a emoção. Seguir o coração tem a ver com a intuição, a conexão com uma consciência mais elevada.

Emoção é produzida por pensamentos, que, por sua vez, alimentam as emoções. Pode ser uma armadilha silenciosa se não estivermos conscientes e atentos.

Que tal ouvirmos mais nossos corações e vontades genuínas? Que tal deixarmos a razão com seus medos e crenças negativas um pouco de lado, silenciarmos a mente e sermos mais coração, onde estão as saídas de nossas vidas?

“Porque a sabedoria entrará no teu coração e o conhecimento será suave à tua alma” Provérbios: 2–10