Que imagem você quer passar para os outros?

Esse é um dos maiores vilões da nossa essência… “ter” que passar uma imagem.

Quando eu estava como Oficial da ativa, era considerado um absurdo eu sentar no meio fio da calçada, ainda que a paisana, pois passa uma imagem de desleixo, falta de postura…

Essa tal de imagem tornou-se um problema para a humanidade…

É por causa dela muitas guerras surgiram, tantas doenças psicossomáticas se multiplicam a cada dia…

Sinto que as coisas estão mudando no mundo como um todo, estão ficando menos rígidas, e isso não significa menos disciplina, significa mais flexibilidade, ser mais maleável… Aí a coisa começa a se encaixar.

Se observarmos ao longo da história, a humanidade vem a passos lentos se tornando mais flexível… hoje já não temos mais uma raça subordinada a outra — escravidão, apesar de ainda haver alguns tipos de desigualdade…

É o caminho natural das coisas… Da nossa evolução… A frequência do planeta está se elevando como um todo…

Por isso, para nos tornarmos verdadeiramente livres, é preciso o desapego ao ego… quando eu ouço a expressão “você tem uma imagem a zelar”, isso significa fatalmente que a pessoa está presa a ele.

E é exatamente isso que a nossa atual educação faz: forma prisioneiros do ego.

“A partir de agora vão ver você não mais como o Joaozinho, mas sim como um militar; imagine um advogado falando termos chulos, que absurdo?! Administrador de empresas andando todo esfarrapado pelas ruas do conjunto empresarial… É necessária uma postura mínima…”

Ainda há pessoas apegadas ao poder que essa imagem tem perante a sociedade… claro, é mais difícil “largar o osso” quando se tem um.

Já peguei alguns desses quando estava a frente do pelotão em missões na fronteira.

Quando eu me deparava com aquele famigerado “Você não sabe com quem você está falando?”, na mesma hora eu ficava olhando seriamente para aquela pessoa, sem mexer uma ruga… pois ela não é mais importante do que o tiozinho vendedor de leite que passara minutos antes… não mesmo.

Existem certas convenções sociais que se respeitam e é natural que sigamos assim por mias algum tempo… mas eu penso que isso vai, aos poucos, caindo por terra…

Caso contrário, as pessoas vão continuar sofrendo…

Quantos amigos e pessoas próximas conhecemos que não estão encaixados num sistema e odeiam as segundas-feiras? Que não podem ser quem são de verdade?

Isso não é à toa, e não é um problema, mas sim um sintoma de que as pessoas estão usando máscaras desconfortáveis na sua maioria para parecerem ser algo que não são de verdade.

Não somos em essência doutores, diplomados, vendedores, militares, concursados, bacharéis, ou qualquer rótulo que nos incutiram.

Essa imagem é frágil, pois pode ser que, em um instante, não consigamos zelar essa imagem apropriadamente, então, ela cai num piscar de olhos, como um castelo de cartas.

E quando essa fixa caiu pra mim, fiquei muito mais leve, pois eu estava lidando com um fardo que não me pertence…

Como se minhas atitudes tivessem que ser justificadas pra alguém… “o que, o Luiz André fazendo isso?!?!”

Hoje, eu não quero passar imagem nenhuma, quero viver plenamente as experiências que a vida me proporciona todos os dias, tanto as que eu planejo quanto as sincronicidades que me apontam o caminho ou a correção de rumo…

A viagem tornou-se mais agradável agora, sem rótulos e sem uma “imagem a zelar”. A imagem que os outros veem de mim não é problema meu…

Essa pra mim é a liberdade primordial das nossas vidas… a liberdade do Ser, aquela que destrava nossa essência e permite brotar coisas inimagináveis dela, que nós nunca havíamos pensado sermos capazes de tal.

Até por que, estávamos muito preocupados em nos encaixamos em uma imagem…