10 coisas que podemos fazer para melhorar a experiência do pareamento
por Tarso Aires
Quantas vezes já não passamos por uma experiência de pareamento que foi produtiva e compensadora, tanto do ponto de vista profissional quanto do pessoal? Mas podemos também enumerar outras tantas vezes em que ficamos nos perguntando o porquê daquela vez não ter sido tão agradável e efetiva quanto poderia. Os benefícios da programação em par para times de projetos de software, ágeis ou não, já são bastante conhecidos; porém, o sucesso de sua prática exige que as pessoas praticantes acreditem na sua força e, sobretudo, dediquem-se à atividade.
Mas como fazer a experiência de pareamento dar certo? A simples finalização da tarefa da qual o par se incumbiu não é critério suficiente de sucesso. O pareamento é muito mais do que apenas se juntar para concluir uma tarefa: é uma oportunidade de estreitar relações com o seu par; uma chance de ensinar e de aprender, não apenas aspectos técnicos, mas também culturais; de entender aquilo que seu par almeja, o que o motiva e o que o desmotiva.
Marcos Brizeno, consultor que trabalha no escritório de Recife, fala em um de seus posts sobre os desafios de parear, que para ele são:
- Infraestrutura — configuração comum de hardware e sofware usada pelo time para parear;
- Fadiga — a energia exigida para manter o foco durante o pareamento; e
- Ego — o desafio de permanecer humilde e evitar discussões improdutivas.
A verdade é que não existe uma receita pronta para tornar a prática do pareamento mais agradável. Mas procurarei expor e discutir algumas ações que podem ser tomadas para melhorar a experiência do pareamento e ajudar a superar alguns dos desafios enumerados pelo Marcos.
#1 Não centralize o driving. Aquele no par que se sente mais confortável com o ambiente de desenvolvimento tende naturalmente a centralizar o driving, em parte porque a outra pessoa geralmente tem a sensação de que vai prejudicar o ritmo do pareamento ao fazer o driving. O lado ruim é que quem está menos acostumado vai continuar assim ao final da experiência. Definir um intervalo de tempo de troca de driving pode ajudar a balancear essa dinâmica.

#2 Gerencie o foco em conjunto. Pelos mais diversos motivos, uma das pessoas pode estar mais concentrada do que a outra em determinados momentos. Caso isso se torne um problema, a que está mais concentrada deve chamar a responsabilidade e abordar a situação, propondo uma solução. Pode ser muito complicado esperar que seu par recupere o foco por si só, e perder o seu foco por causa disso também não vai ajudar em nada. Técnicas como Pomodoro podem ajudar a resolver situações de falta de foco, mas o par deve conversar sobre a melhor solução.
#3 Evite trabalhar individualmente. Às vezes uma das pessoas pode precisar se ausentar por um tempo. Nesse caso, tente esperá-la voltar. Procure fazer outra coisa nesse tempo que ajude o projeto ou a empresa, ou aproveite para usar esse intervalo para fazer coisas não relacionadas ao trabalho. Claro, fatores como senso de urgência e a situação da iteração devem ser levados em conta; se for inviável deixar a atividade parada, continue sem seu par, mas não deixe de passar o contexto do que foi feito durante sua ausência quando ele voltar.
#4 Procure intercalar momentos de concentração e descontração. Foco é fundamental, mas seu excesso é prejudicial. Pessoas não são robôs que conseguem trabalhar 8 horas ou mais de maneira ininterrupta. Procure fazer intervalos periódicos e deixe o trabalho completamente de lado durante eles. Procure fazer coisas junto com seu par, como descobrir e conversar sobre um assunto em comum, jogar videogame ou sair para tomar um café.

#5 Celebre as conquistas! Ao final de uma etapa ou da atividade de pareamento em si, pode ser bastante gratificante dar uns passos para trás e contemplar o que foi construído ou alcançado. Celebre! Pode também ser um bom momento para compartilhar os resultados com o resto do time.
#6 Sincronize-se com seu par. É natural que uma pessoa tenha mais contexto na atividade a ser desempenhada do que a outra, e isso pode provocar uma diferença de ritmo que prejudica a experiência. Se você tem mais contexto ou facilidade, tenha a sensibilidade para perceber isso e adapte seu ritmo ao do seu par. Pare e explique quantas vezes for necessário. Se você tem menos contexto, deixe isso claro. Interrompa a atividade para pedir que seu par lhe explique o que está fazendo e o porquê. Comunicação é essencial.
#7 Passe o contexto adequadamente. Na hora de passar o contexto, é importante se certificar de que ambas as pessoas no par usam um vocabulário comum e conhecido. É horrível tentar entender o sentido de uma frase sem saber o significado de algumas palavras que a compõem. Procure explicar de maneira simples e direta, desenhando diagramas caso necessário. Se ajudar, traga outra pessoa do time que você acha que pode explicar os conceitos de uma maneira melhor.
#8 Saiba lidar com as divergências. As divergências acontecem o tempo todo durante o pareamento, e nesses momentos é muito importante dentro de cada par ouvir a outra pessoa e expor suas opiniões de maneira serena e respeitosa, sem ser arrogante. Tentar enxergar o problema do ponto de vista do seu par pode ajudar a perceber algo que você não estava levando em consideração. Deixe a competição de lado, você não precisa ter razão em tudo. Se por acaso houver um conflito de soluções, chamar uma terceira pessoa para votar em uma delas pode ajudar.

#9 Tenha disposição para aprender e ensinar. Mesmo que seja seu primeiro dia de projeto, tenha consciência de que você pode contribuir mesmo não sabendo de muita coisa. Da mesma forma, se você já tem bastante tempo de projeto e está pareando com alguém que entrou agora, abra espaço para que a outra pessoa contribua também. Faça as perguntas certas, apresente os conceitos gradativamente e conduza seu par à solução de maneira sutil.
#10 Troque feedbacks. Quando terminar de parear, procure trocar feedbacks enquanto as percepções estão frescas na memória. Não precisa ser nada muito formal; uma conversa de 15–30 minutos pode ser suficiente para expor para seu par como foi a experiência, o que ele deve continuar fazendo, o que ele pode melhorar, etc. Caso não tenha a oportunidade, escreva notas sobre seu par em algum lugar para que os feedbacks possam ser trocados em outro momento oportuno.
É importante mencionar que essa lista de ações aqui enumeradas foi compilada com base em feedbacks que dei e/ou recebi ao longo do meu tempo na ThoughtWorks, e não pretende de forma nenhuma ser absoluta; deve ser encarada como conselhos, apenas. Você tem algum feedback sobre essas ações? Tem mais alguma coisa a acrescentar? Exponha suas ideias nos comentários. :)
Post publicado originalmente em https://www.thoughtworks.com