Escrevendo para UX: Como verificar a qualidade do seu texto

Jan 17 · 6 min read
(Descrição: Imagem de pessoa utilizando tablet touchscreen)

UX Writing, competência do Design focada em como escrever textos eficazes para possibilitar uma boa experiência aos usuários, é algo novo. Há pouco, grandes empresas começaram a perceber que de nada adiantam telas bonitas se as pessoas não entendem aonde precisam clicar.

Assim, passaram a investir na contratação de profissionais, designers ou não, familiarizados com escrita, chamados de writers (copywriters, conteudistas, escritores, designers de conteúdo, entre tantos outros nomes). E cabe a esta pessoa pesquisar muito para descobrir como aprimorar e como testar as microcópias — pequenos textos que populam telas — , responsabilidade que divide com todo o chapter de Design.

Mas além da forma mais direta de testar: perguntando às pessoas se elas compreendem um parágrafo, oração ou palavra, existem outras maneiras de verificar a qualidade dos textos.

Abaixo, mostro algumas técnicas que utilizamos aqui na Conta Azul, também usadas por vários writers ao redor do mundo. E comento pequenas modificações que sugerimos para estas técnicas serem mais condizentes com as atividades profissionais contemporâneas.


Antes das técnicas, boas práticas

1. Dar nomes (certos) aos bois

Existe uma sutil — mas significativa — diferença entre validar e verificar um conteúdo. Recentemente, durante um dos módulos da Lumos Experience, nossa escola de Design, uma das professoras convidadas, a UX Researcher Karla Cruz, trouxe à tona essa questão. Segundo ela observou, apesar de “validar” ser um termo amplamente utilizado no meio da Tecnologia, deve-se tomar o cuidado de usá-lo no contexto correto.

Afinal, só validamos algo que já descobrimos que funciona. Validar, portanto, significa confirmar. Já verificar algo impele pesquisa, suor. Percebe a diferença? Na maior parte do tempo, o que precisamos é verificar se algo que estamos propondo, que achamos que faz sentido para nossos clientes e clientes em potencial, realmente os atende.

2. Delimitar

Antes de começarmos a verificar conteúdos é importante delimitarmos o campo de análise. E bem delimitadinho, pois quanto menor o trecho de texto a ser verificado, maior a atenção da pessoa respondente da pesquisa.

Vale, portanto, mostrar preferencialmente orações soltas para essa pessoa, em vez de um parágrafo inteiro. Também é imprescindível explicarmos o contexto e o que esperamos que ela avalie.

3. “Eu acho” não nos interessa

Independente do método escolhido para verificarmos se uma pessoa compreende ou não um conteúdo, devemos dar a ela a opção de responder “Não sei” — ainda que optemos por enviar um questionário com perguntas objetivas.

Isso porque a adivinhação aleatória ou o popular “chute” não nos interessam. Afinal, se alguém “acha que você quis dizer algo” é porque a sua mensagem não foi eficaz. Como dizia Einsten, “Se você não consegue explicar algo de modo simples, é porque não o entende o suficiente”.


Agora sim, vamos às técnicas!

Glossário + Teste A/B

Uma boa opção para encontrarmos palavras assertivas para as nossas interfaces é juntarmos a nossa equipe e colocarmos num papel vários termos que permeiam um universo pesquisado, ou sinônimos de um termo em questão, criando um glossário.

Existem algumas ferramentas auxiliam na escolha das melhores palavras, como Google Keyword Planner, Google Trends e Answer the Public. Elas ajudam a entender como as pessoas pesquisam certo termo na web e, consequentemente, o que provavelmente querem saber sobre determinado assunto.

Após criarmos este glossário, vemos quais palavras achamos que faz mais sentido levarmos até nossos clientes para verificação. Uma opção é selecionarmos as duas palavras mais recorrentes ou mais votadas pela equipe para um teste A/B, que nada mais é do que um teste de duas versões. Neste caso, a pessoa respondente deverá escolher a palavra que mais lhe agrada e que compreende melhor num determinado contexto.

Teste de cloze

O nome deste método, uma referência à palavra inglesa close (fechar) já diz tudo. Neste teste, usamos o “fechamento”, mecanismo pelo qual pessoas compreendem um conteúdo como completo mesmo que faltem algumas partes.

Segundo consta em artigos, este teste foi proposto pela primeira vez pelo psicólogo, professor e pesquisador Wilson L. Taylor ou W. Taylor, em 1953, e era usado para análises de raciocínio e comportamentais.

Como aplicar
1. Selecione um trecho pequeno de texto e substitua uma palavra importante ou que você acredita que pode gerar dúvidas por um espaço em branco.

Ex.: Você também pode fazer a _______________ bancária com a Conta Azul e conciliar os seus pagamentos automaticamente.

Descrição: Enunciado de um teste de cloze. Imagem: Periódicos Eletrônicos em Psicologia (Pepsic)

2. Peça ao participante para ler o texto alterado e preencher o espaço em branco com seus melhores palpites sobre a palavra que falta.

Resultado
Calcule a pontuação medindo a porcentagem ou a quantidade de palavras adivinhadas corretamente pelo respondente. Se várias pessoas sugerirem a mesma palavra que você, maravilha. Mas se a maioria sugerir uma palavra diferente da que você propôs, ela pode ser a mais adequada para o seu contexto e público alvo.

Teste com marcadores

Este teste consiste em pedir para as pessoas apontarem palavras ou trechos que as fazem se sentirem mais e menos confiantes em relação ao seu produto ou a sua solução.

Como aplicar
Antes, esse processo de marcação era feito em textos impressos, assinalados com canetas marca texto de cores distintas (normalmente cor verde para “boas” palavras e rosa ou laranja para “ruins”).

Hoje, no entanto, podemos digitalizar essa interação. Basta compartilharmos com o respondente trechos de texto em um doc., por exemplo, e pedirmo para esta pessoa mudar as cores das palavras ou dos trechos de acordo com a sua percepção.

O ideal é que usemos sistemas simples de operar, como um documento de texto do Word ou do Google, pois as pessoas têm diferentes níveis de maturidade digital.

Ex.: Por favor, senhor fulano, marque, em verde, as palavras com as quais se sente mais seguro/familiarizado na oração a seguir. E em vermelho, as com as quais se sente mais inseguro ou tem menos familiaridade:

Oração: “Você também pode fazer a integração bancária com a Conta Azul e conciliar os seus pagamentos automaticamente.”

(Descrição: Pessoa destacando texto com um marcador. Imagem: ND Online)

Resultado
Analise se houve mais palavras marcadas como positivas ou negativas. As cores fornecem uma indicação visual de fácil avaliação sobre o que funciona e o que pode ser necessário reescrever no seu texto.

Pergunte, também, os motivos da pessoa respondente ter feito as escolhas que fez. E aproveite para verificar e explicar coisas sobre o seu produto que ela pode não ter compreendido num primeiro momento.

Caso tenha havido muitas marcações negativas em uma mesma palavra, certamente é o caso de repensá-la e até, dependendo do nível de recorrência, de retirá-la da sua comunicação.


E como realizamos os testes?

As avaliações de conteúdo são feitas, normalmente, durante os testes de usabilidade com nossos usuários. São realizadas pelos próprios designers, com a minha assistência ou participação.

Não realizo os testes individualmente porque o conteúdo faz parte da interface e os designers da Conta Azul têm consciência de que precisam verificá-lo, assim como fazem com os demais elementos da tela.

É importante, como conteudistas, cultivarmos esta relação de proximidade e de significância quanto ao conteúdo junto às nossas equipes e, até mesmo, junto aos nossos usuários. Afinal, boas interfaces e boas experiências de uso não existem sem a duplinha conteúdo + elementos visuais.

E você, aplica testes de compreensão de conteúdo na sua empresa? Conta para a gente!

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Conta Azul Design

Conectando donos de negócio e contadores por meio do Design. Somos o chapter de Design da Conta Azul.

    Ludmila Rocha

    Written by

    UX Writer @ Conta Azul

    Conta Azul Design

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