João Menezes
Apr 11 · 4 min read
Parte do time no Conta Azul Design Day, discutindo processos e métodos de Design de Produto #ParaTodosVerem: Seis pessoas sentadas em mesas, usando camisetas azuis da Conta Azul e conversando

Para garantir o alinhamento entre os diferentes times da Conta Azul, estipulamos métodos específicos para acompanhar metas e objetivos. A nível estratégico, utilizamos Balance Score Card (BSC), um modo estruturado de listar atividades nos eixos de mercado, processos e pessoas.

A partir da visão do BSC, cada área tem abertura para estipular um meio específico de acompanhamento de seus entregáveis, o que é natural, tendo em vista as diferentes atribuições de cada time.

No desdobramento para o time de Pesquisa & Desenvolvimento, no qual o capítulo de Design de Produto está inserido, optamos pela utilização de Objectives & Key Results (OKRs). Este método é utilizado no time de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Conta Azul há quatro anos, sendo originalmente conduzido na Intel e no Google (leia mais neste link).

Neste artigo, apresento os principais aprendizados que tivemos sobre OKRs após a condução de uma reunião de Retrospectiva em dezembro de 2018, que contou com a participação de todo o time de gestão de Design, de Produto e de Engenharia.


1. Não confundir objetivo com resultado-chave

No nosso dia a dia, era comum confundir "objetivo" com "resultado-chave". É importante ter clareza que se trata de dois itens bastante distintos. O objetivo está relacionado às necessidades de negócio com as quais a sua iniciativa contribuirá. Já o resultado-chave é a evidência mensurável que você acompanhará para dizer se atingiu ou não o seu objetivo.

Um objetivo pode (e, preferencialmente, deve) ter números, mas a relação entre esses números e sua iniciativa não é direta. A conexão entre essas partes acontece justamente pela delimitação dos resultados-chave.

2. OKRs devem se aplicar à squad toda

Também observamos que objetivos muito técnicos, como escalabilidade de microsserviços em Engenharia, por exemplo, dificultavam a percepção de pessoas de outras disciplinas em como ajudar a alcançá-los. Mas nosso consenso após a Retrospectiva foi que, mesmo nesses cenários, é possível fazer contribuições.

Por exemplo: se o desafio é a escalabilidade de microsserviços, o product designer pode ajudar no levantamento de percepção de satisfação e qualidade diretamente com os usuários.

3. É necessário criar meios para acompanhar os resultados-chave diariamente

Exercer a transparência com o time na comunicação dos objetivos e resultados-chave é essencial. De modo geral, os resultados-chave passíveis de serem mensurados com base diária são os mais eficientes em fomentar essa cultura de acompanhamento.

Se você tem resultados-chave com ciclos longos de acompanhamento, a sugestão é tentar quebrá-los em visualizações parciais ou ter resultados-chave complementares que possam ser vistos todos os dias.

4. Cronograma e data de entrega não são resultados-chave

Apesar de determinadas iniciativas terem datas específicas para entrega, como no caso de eventos pré-agendados de lançamento ou calendários sazonais, a data em si não é um resultado-chave.

É essencial que o time esteja comprometido com a qualidade, o escopo e a entrega evolutiva de valor para o cliente. Não recomendamos adicionar datas como objetivos, e sim como milestones (marcos).

5. Job description não é resultado-chave

Apesar de incentivarmos o cadastro de objetivos pessoais na ferramenta de gestão utilizada pelo nosso RH, a Qulture.Rocks, é importante diferenciar responsabilidades de um cargo de objetivos do time.

Por exemplo: nosso capítulo de Design de Produto, por meio do trabalho de Design Ops — equipe de gestão de processos de Design — cita que uma boa prática é conduzir testes de usabilidade com ao menos 5 clientes. Ao mesmo tempo em que isso pode virar um objetivo para incentivar a execução desse processo no dia a dia dos designers, esse número em si não representa um resultado-chave para o negócio.

6. Redigir OKRs mais curtos que metade de um tweet

Redigir os objetivos e os resultados-chave em frase curtas, sem ambiguidade, permite clareza sobre quais são os indicadores a acompanhar. Além disso, é preferível ter menos itens para auxiliar o time a navegar pela complexidade.

Na Conta Azul, usamos três grupamentos: objetivos da empresa, objetivos do time e objetivos pessoais. Cada um desses grupamentos é composto por de 2 a 4 objetivos, no máximo.

7. OKRs devem ser incômodos

Se seus OKRs deixam o time confortável, é receita para desempenho aquém do esperado. Naturalmente, os OKRs precisam ser desafios factíveis, porém, difíceis de alcançar.

Até por isso, sugere-se a escala padrão de 0,7 para a entrega do escopo esperado; 1,0 para entrega acima do esperado; e índice acima de 1,0 para entregas extraordinárias :).

Espero que essas recomendações ajudem na implementação ou na melhoria do acompanhamento de resultados na sua empresa. Se tiver alguma dúvida, dá um toque nos comentários aqui neste artigo.

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Conta Azul Design

Conectando donos de negócio e contadores por meio do Design. Somos o chapter de Design da Conta Azul.

João Menezes

Written by

Product Design Manager @ Nubank

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