Somos todos humanos

Sensibilidade humana sobrepondo-se a perfis

Foto da capa do Facebook do contador Sandrival Nogueira
“Prefiro confiar em pessoas à personas”

Para muitos essa frase parece fazer o maior sentido do mundo, para outros, um pouco controversa. Uma Persona nada mais é do que perfil médio de pessoas de um determinado grupo, um resumo do seu público alvo usado para balizar e orientar suas decisões, correto?

Pois então.. tenho cá minhas dúvidas.

Não quero questionar a ferramenta Persona, muito menos seu uso, quero apenas trazer uma reflexão sobre um approach muito mais humanizado do que nós costumamos ter, com um foco na vida das Pessoas, aquelas que estão por trás daquele seu perfil construído através de pesquisa e resumido em um Persona.

Um caso hipotético

Digamos que você realizou imersões em 50 laboratórios e escolas de ciência e encontrou um perfil de cientista sério, atento, muito organizado e preocupado, que não joga ou se diverte. Alguém extremamente focado e que não gosta de brincadeiras.

Você já parou para pensar que você estava no ambiente de trabalho dessas pessoas? E que o que ela faz não é exatamente o que ela é?

Cientistas são sérios, preocupados, atentos e focados, não brincam, não se divertem.
Este cara talvez discorde de você. Albert Einstein era apaixonado por música, se divertia e tinha sua pitada de brincalhão

Muitas vezes (na maioria delas) as personas usadas são limitadores das nossas soluções.

Não estou dizendo que é uma ferramenta ruim, quando bem usada ela realmente ajuda muito na pesquisa, o que quero dizer é que se você não utilizasse Personas e sim Pessoas, nos seus “dia a dia”, se você conseguisse extrair um pouco mais do que só o profissional delas, conseguiria informações muito mais ricas, do pessoal, do emocional, da verdadeira pessoa para quem você está criando.

Um caso real

A cerca de 1 ano, trabalho em um produto voltado a contadores, e neste um ano de pesquisa, realizei cerca de 30 imersões em escritórios de contabilidade e algo como 300 entrevistas e testes com este público alvo.

Definimos então, depois de muita pesquisa uma persona para nossos contadores.

Essa nossa persona, era um cara sempre impecável, de camisa social, extremamente organizado, sério e desconfiado, porém 100% confiável e correto. Com um certo preconceito essa persona pode acabar se tornando um perfil sem muita vida social, que é muito focado no trabalho, política e jornais e que "não tem tempo para brincadeira".

Legal, temos uma persona, muito bem definida, e realmente validada em campo. Encontramos esse perfil em vários escritórios de contabilidade e fazia sentido utilizarmos como um balisador das nossas soluções.

Trouxe então, 12 contadores do Brasil inteiro para um dia de dinâmicas, para definirmos o roadmap do trimestre colaborativamente.

Nada mudou, minha percepção continuou a mesma.

Para minha felicidade, alguns destes contadores voltariam apenas no outro dia, então marcamos de ir a um bar na cidade para conversar sobre outros assuntos.

Várias verdades caíram na primeira hora de conversa.

Divertidos, contando sobre aventuras que fizeram, viagens com amigos, com a família, além de contarem piadas e mostrarem aplicativos que nunca imaginaríamos que seriam do uso deste perfil.

Percebi então que nunca iríamos tocar no emocional desses caras utilizando personas montadas a partir de observações em seu ambiente de trabalho.

Não intencionalmente, este grupo foi fazendo parte das minhas redes sociais e me fez perceber que o caminho que seguimos não é 100% certo. Precisamos olhar muito além do que aprendemos nas imersões no ambiente destes usuários, precisamos saber quem são as pessoas por trás destes profissionais.

Quem realmente são essas pessoas? O que elas desejam fora do trabalho? O que fazem nos seus dias de folga? O que tem paixão em fazer? O que gostavam de fazer na infância e trazem boas lembranças? O que os deixam extremamente felizes?

São perguntas que em uma simples entrevista no escritório, podem ser mascaradas, mas que o facebook não esconde =)

Gostaria, com a autorização destes contadores sérios, desconfiados, metódicos e sempre bem arrumados, de mostrar um pouco do que vi no facebook deles.

O que realmente os fazem felizes, o que toca seus corações…

Sergio Mattos, Contador, apaixonado por cachorros
Diego Beckert, Contador, apaixonado por Bacon
Diego Beckert, Contador, "sem vida social"…com certeza..
Sandrival, Contador, apaixonado por sua mulher e sua linda filhota
Cristiano Freitas, Contador, mais um apaixonado por cachorros
Sergio Mattos, Contador, "Contadores não se arriscam"

Consegui mostrar meu ponto? A Persona criada bloqueia a Pessoa que existe por trás desse perfil.

Com esse pensamento, surgem milhares de novas possibilidades, novas saídas, muito mais criativas, muito mais emocionais, focadas nas pessoas, em quem elas são de fato e não o que o nicho dela representa.

Novas soluções, muito mais emocionais podem ser colocadas a prova, desmistificando alguns perfis tido como sérios, sizudos.

Por que não tratar sistemas com muito mais pessoalidade, afinal,

somos todos humanos!

Não posso deixar de agradecer ao nosso Contador e Gerente de Produto, Mateus Gundlach e ao Diretor de Crescimento do ContaAzul e também Contador, Marcelo dos Santos, pela oportunidade de ver no meu dia a dia Pessoas trabalhando comigo, e não perfis ☺.

Mateus Gundlach, Contador, Gerente de Produto e Surfista
Marcelo dos Santos, Contador, Diretor de Crescimento do ContaAzul, Motoqueiro

Se você acredita no artigo e/ou é um profissional de um segmento "sério" mas que entende que é a emoção que deve motivar as soluções, comente =)

Um abraço

Gui Verdasca

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