Manifesto Product-Led Growth

Princípios para construir produtos focados na experiência do usuário e o que você deve saber para lutar por isso

Josias Oliveira
Feb 13, 2019 · 4 min read

Durante o ano de 2018 trabalhei num time um pouco diferente. Não era um time melhor ou pior do que qualquer outro time do produto, não é nada disso. Acredito que o time era e continua sendo um pouco “diferente” porque funciona quase como uma startup dentro da startup. Inclusive usamos o antigo nome dado ao produto nos primórdios da RD no canal do Slack: Sistemarketing.

Além disso há uma clareza muito grande do seu real propósito: liderar o crescimento da empresa através do produto. Existe um senso de progressão muito claro e um grande sentimento de produtividade entre os membros do time.

Esta clareza fez com que desenvolvessemos princípios que hoje orientam a tomada de decisão. Talvez alguns não sejam princípios novos, outros foram totalmente adaptados para nossa realidade. Tudo começa com o playbook de Product-Led Growth, onde o produto lidera o crescimento exponencial, escalável e de forma sustentável.

Mas na prática o que acreditamos é na melhor experiência para o usuário: faça o que é melhor para seu usuário que o crescimento será uma consequência.

Esse manifesto é valido para qualquer time que deseja realizar entregas focadas no usuário e criar uma cultura de transparência entre os membros, seja PLG ou não.


1. O cliente não pode pagar por uma ineficiência do produto

Não toleramos erros e ineficiências que penalizam o nosso cliente. O produto deve ser self-service e atender o cliente em todos os requisitos, sempre gerando a melhor experiência possível. Ninguém aqui vai facilitar a vida dos designers, desenvolvedores, gerentes de produto, nem ninguém. Deve ser fácil pro cliente usar, mesmo que seja mais difícil pra implementar.

2. Obsessão pelo usuário

Nós valorizamos muito a experiência do usuário e fazemos melhorias no nosso produto com base em feedback de usuários reais. Para nós cada usuário é único e ele merece toda a atenção e o devido respeito. Nenhuma dor pode ser ignorada. Todos no time se envolvem em feedback de usuários e todos no time participam do maior número de entrevistas e testes com usuários. Esses feedbacks não viram backlog: eles se transformam em melhorias rápidas no produto através de um processo de evolução contínuo.

3. O protocolo não pode ser maior que a utilidade

Não podemos entrar em modo piloto automático. A cerimônias devem ser adequadas a sua utilidade, servir ao real propósito aos quais elas foram concebidas. Se algo não está ajudando ou não está tornando nosso trabalho mais eficiente, despriorizamos. Aplica-se em todas as cerimônias, que devem ser questionadas sobre sua real utilidade. Existe uma cadência, um sentimento de progressão muito grande, mas também há a flexibilidade necessária para remanejar ou ajustar uma cerimônia de acordo com os contextos e entregas.

4. Ultra lean

Ter uma forma de pensar extremamente enxuta e realmente voltada para resultados. Priorizamos e fazemos o uso inteligente do nosso tempo. Isso significa que nenhuma entrega poderá ser sacrificada com a desculpa de que não houve um planejamento adequado. Devemos analisar quanto tempo temos disponível e o que será possível entregar até a data com a qual nos comprometemos com a entrega do time. A gente tem que expor rápido para os clientes e pegar feedback. Mas não necessariamente o que estamos fazendo deve ser lançado rápido pro mercado, sacrificando a experiência.

5. Extreme ownership

Cada indivíduo no time sabe que é uma peça fundamental para a entrega do todo e todos são responsáveis pelas entregas nas quais estão comprometidos. Não toleramos desculpinha. Não toleramos terceirização do problema. Não aceitamos que “não deu pra fazer” como resposta. É o poder de tomada de decisão. Todos são responsáveis e todos estão trabalhando em prol de um único objetivo. A maturidade faz parte do processo e é necessária para que todos estejam comprometidos com o time.

6. Transparência total

Para que todos estejam comprometidos é preciso ter transparência total. A gente diz "na lata" o que precisa ser dito e não fica dando voltas. A gente não faz feedback 360º, nem team building, nem amigo secreto. Porque essas coisas acontecem naturalmente na nossa rotina. As pessoas precisam dizer o que precisa ser dito, no momento adequado e com o devido contexto. Ninguém pode se sentir ofendido por um questionamento ou por algum feedback. O que precisa ser dito, será dito, inclusive usaremos o termo adequado quando necessário. Da mesma forma, defenderemos com todas as nossas forças qualquer membro do time que precisar de ajuda.

UX Resultados Digitais

Experiências do time de design por trás do RD Station

Thanks to Caroline Guilherme

Josias Oliveira

Written by

Head of Product and Design at @octadesk

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