Testes de usabilidade para novas features

Como conduzir testes com usuários no ambiente ágil

Iterar rápido, validar hipóteses, melhorar e evoluir de forma contínua. Escrevo este post para compartilhar com você como realizamos testes com usuários dentro do ambiente de desenvolvimento ágil. Foram diversas rodadas com o objetivo de desenvolver novas features para um produto de alta escala como o RD Station. Existem diversas técnicas de pesquisa para projetos centrados na experiência do usuário. Além das entrevistas com usuários, é indicado também a investigação contextual, pesquisas exploratórias, grupos de foco e testes de usabilidade.

Tendo em vista projetos específicos para o produtos digitais, autores como Russ Unger e Carolyn Chandler definem os passos básicos de pesquisas com usuário em cinco etapas.

1. Definir o grupo de usuários
2. Planejar o nível de envolvimento
3. Conduzir a pesquisa
4. Validação das informações
5. Requisições do usuário

1. Definir o grupo de usuários

A primeira etapa consiste em definir objetivamente o grupo de usuários primários, descrevendo o tipo de usuário que estamos analisando e permitindo assim o foco nos esforços para recrutar tais usuários de pesquisa. Por exemplo, usuários do RD Station que utilizam o aplicativo pelo menos 1 vez por semana.

Diferentes perfis participaram da pesquisa, não apenas perfis demográficos, mas perfis de usuários mesmo. Cada um deles possuem diferentes objetivos ao utilizar o nosso produto. É preciso conversar com eles, entender suas necessidades, expectativas e dores que enfrentam atualmente. Assim podemos clarificar os diferentes perfis de usuários que utilizam o produto.

Você pode começar pelos usuários nos quais você já tem alguma afinidade ou algum contato anterior. Normalmente é mais fácil para quebrar o gelo, além de facilitar no processo de investigação, pois você pode já ter uma ideia das dores e dificuldades que ele possa enfrentar. A confiança é importante para gerar vínculos, principalmente para que o entrevistado sinta-se bem à vontade para responder as perguntas, sendo o mais natural e sincero possível.

Fabiano Meneghetti conduzindo teste de usabilidade sobre a integração de automação em Landing Pages.

2. Planejando o nível de envolvimento

Com base no que era preciso validar, criei um roteiro para execução dos testes. Este roteiro apresenta os possíveis pontos de fricção e incertezas que tive ao desenvolver as soluções. O roteiro expõe o usuário a estas tarefas e permite validar ou não cada etapa. É importante ter uma visão bem clara da tarefa, objetivo e qual o critério de sucesso que pretende-se adotar.

Escolhi o Adobe XD para montar o protótipo. Mesmo não sendo uma interface fiel em termos de profundidade de navegação, o XD permite a construção visualmente bem próxima ao que gostaríamos de validar. Exige um pouco de tempo de preparação mas em termos de custos de desenvolvimento ela é super acessível e permite resultado altamente satisfatório.

3. Conduzindo a pesquisa

Antes de iniciar o teste é importante dar o contexto aos usuários, ou seja, descrever o cenário aonde estamos inseridos, buscando contextualizar com números e dados. Justificar o porque iremos realizar determinada tarefa e como a nova feature que estamos tentando validar pode ajudar a realizar o trabalho a ser feito. E se tudo isto faz sentido pra ele também (se não fizer sentido, volta pra prancheta).

É importante ser transparente ao máximo, explicar para o usuário o que ele vai experimentar. Se é uma nova feature, qual o propósito dela e qual o problema que ela pretende resolver. Deixando sempre claro que estamos utilizando um protótipo e que estamos testando a interface, não o usuário. Se ele se sentir desconfortável a culpa é nossa (designers), não dele (usuário).

Wesley Rocha experimentando a nova interface que estamos projetando.

4. Validando as informações

Para validar algumas informações que estamos buscando, é possível tratar a interface como um obstáculo que o usuário precisa transpor. Sem dar qualquer pista ou como fazer determinada ação, é importante verificar o sucesso de cada tarefa menor proposta. O conjunto de pequenas tarefas compõe a execução da tarefa maior pretendida.

A cada teste, quando verifico algum problema ou dificuldade que o usuário encontrou, procuro fazer os ajustes em apostas de solução para rodar os próximos testes. Assim, posso validar ou não algo que está sendo criado como solução durante os testes. Procuro medir a eficácia, eficiência e satisfação dos usuários. É importante também ter o controle sobre as versões para o melhor aproveitamento em relação ao que é desenvolvido.

5. Requisições dos usuários

Por fim na quinta etapa extrai-se as requisições de usuário, ou seja, as declarações dos recursos e funções mais importantes do aplicativo. Porque isso é importante? Por que os produtos resultantes dos projetos de pesquisa devem ser de fácil uso para o mais variado grupo de pessoas, atendendo expectativas e necessidades relacionadas às tarefas. Assim, é importante compreender em profundidade quais são os usuários e quais as tarefas que eles precisam e querem executar.

É possível identificar níveis de frustração que esses usuários estão dispostos a suportar, antes de desistir de uma aplicação e partir para o concorrente (churn). Assim, se houverem mudanças nos padrões de uso, é necessário buscar dados e informações através de pesquisas com os usuários que utilizam o RD Station e iterar em cima destas informações para melhorar continuamente a qualidade das entregas.

E aí, pilhou trabalhar na Resultados Digitais?

Bora aplicar lá na vaga:
https://resultadosdigitais.com.br/trabalhe-conosco/