As Desventuras voltarão em Série

Seane Melo
Oct 25, 2016 · 3 min read
Fonte: Netflix

Não sei que busca deprimente o trouxe até aqui ou por que razões alguém faria esse link cair nas suas mãos, mas, em consideração a algum leitor desavisado, estamos te dando essa chance de parar agora.

Em 2005, quando li, pela primeira vez, a história dos órfãos Baudelaire, gostaria que alguém tivesse feito o mesmo comigo. Minha amiga Jéssika poderia nunca ter me emprestado a obra de Lemony Snicket, Heri poderia ter dito que o cachorro comeu as páginas finais do primeiro livro da mesma forma que ele sempre comia as tarefas de Física e meus pais _se fossem um pouco mais razoáveis_ poderiam ter me mudado de escola para que eu nunca mais entrasse em contato com essas pessoas que escutavam Evanescence, desenhavam costuras na pele, exageravam no lápis de olho e, pior, liam Desventuras em Série.

Passaram-se 10 anos e eu gostaria de escrever palavras de alento, esperança e superação nesse parágrafo, porém, o tempo não foi suficiente para apagar o horror que passei a experimentar a partir do momento em que descobri que existiam vilões capazes de fazer coisas horríveis para crianças indefesas e que esses vilões podiam ter uma única sobrancelha em vez de duas. Não foi à toa que dediquei tanto dinheiro fazendo as sobrancelhas.

Para lidar com o horror, não ousei pronunciar as palavras Baudelaire, Olaf, Beatrice e wasabi por todos esses anos. Felizmente, apenas em rodízios de sushi isso costumava me causar alguns problemas. Também frequentei todas as manifestações de junho de 2013, em São Paulo, aterrorizada, mas com o nobre propósito de evitar que, em meio aos gritos de “O gigante acordou” ou “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, a multidão começasse a repetir “Queimem os órfãos!”

Infelizmente, quando achei que os infortúnios dessa história ficavam cada vez mais no passado, a Netflix anunciou o lançamento da primeira temporada dessa história para . Ao ver o trailer, fiz a única coisa que uma pessoa sensata poderia fazer: xinguei no Twitter. Foi assim que eu e começamos a conversar sobre todas as tristezas pelas quais os Baudelaire tinham passado. Também foi assim que descobrimos que a única maneira possível de superar nossos traumas era voltando à história e desconstruindo tudo.

Se você também passou por essas coisas horríveis, gostaria de convidá-lo para se juntar a nós em nossas DesLeituras em Série. São treze livros e dez semanas até que o conde Olaf reapareça na TV e volte a nos assombrar. Publicaremos um texto por semana na tentativa de amenizar esses horrores e lembrar de qualquer coisa que possa nos ajudar. Pelo menos é o que esperamos, mas não descartamos a possibilidade de ficarmos tão tristes e desesperançosas a ponto de não conseguir levantar da cama por alguns dias. Até 13 de janeiro, podemos encontrar algo que nos conforte. Ou não.

Vem com a gente?

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Por favor, não leia essa publicação, também não pense em reler Desventuras em Série com a gente. É tudo muito triste.

Seane Melo

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Jornalista e escritora maranhense, autora do romance “Digo te amo pra todos que me fodem bem”

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Por favor, não leia essa publicação, também não pense em reler Desventuras em Série com a gente. É tudo muito triste.