Cotas raciais: realidade ou apenas discussão?

Thamires Naves
Sep 7, 2018 · 2 min read

Há 88 anos iniciamos a luta pelos direitos raciais e hoje, em pleno século XXI, a luta ainda é constante.

Após muito tardar, a Lei de Cotas (n° 12.711) foi aprovada no ano de 2012, no Brasil, mas a discussão e a polêmica não deixaram de existir.

Desde 2003, quando a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) implantou o sistema em seu processo seletivo, de forma pioneira, os números de instituições que ofertam vagas nessa modalidade aumentaram significativamente. Essa é uma realidade em instituições como UEL, UESC, UENP, UFPR, USP, UNICAMP, UERJ e UnB.

Mesmo com o Estatuto de Igualdade Racial, aprovado pela presidenta Dilma Rousseff, em 2010, e a constitucionalidade das cotas em 2012, as universidades não são obrigadas a implantar o sistema. Dessa forma, enquanto as federais aderiram ao movimento, as estaduais dependem inteiramente do posicionamento de suas reitorias.

Thaís C. Nascimento, 21, acadêmica da Universidade Estadual de Maringá (UEM), diz ser a favor das cotas, embora não acredite que sejam a solução. “Elas são um caminho para a promoção do jovem negro ao ensino superior em universidades públicas, que estão ocupadas, majoritariamente, pela população branca de elite.”

A UEM, por sua vez, não tem cotas raciais - embora todas as universidades públicas do Paraná tenham. A reivindicação por mudanças nesse sentido se estende há mais de 10 anos, feita por diferentes grupos, como o Coletivo Yalodê-Badá, a União e Consciência Negra de Maringá e o Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiros (Neiab).

Em 2009, esses movimentos conquistaram a inserção das cotas sociais na UEM e, nos últimos anos, passaram a usar novas estratégias para tratar o tema, como: palestras, debates, exibição de filmes e uma petição online (yalodebada.com.br) para coletar assinaturas em favor das cotas raciais.

A reitoria tem se mostrado aberta ao diálogo, encaminhando as demandas apresentadas aos setores competentes, participando de eventos e mesas de debate e até levando a reivindicação por cotas ao Conselho de Ética em Pesquisa. Ainda assim, nenhuma decisão foi tomada, seja ela favorável ou contrária a ideia de que a UEM apresente condições mais justas, tenha diversidade social, pluralidade étnica e exerça a equidade no vestibular.

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Sob um olhar crítico e contestador transformamos o que é tabu em informação.

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