O cotista racial brasileiro
O tema Cotas Raciais vem sendo debatido pela sociedade desde 1930 e ganhou força a partir da sanção da Lei 12.711 (Lei de Cotas), em 2012. Essa temática polêmica tem uma série de questões históricas, econômicas, culturais, políticas e educacionais que a envolvem, mas, pouco se fala do elemento humano. Qual é o perfil desses estudantes?

Conforme dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017, a maioria dos cotistas são do gênero feminino (57,93%). Além disso, a idade média do estudante cotista é de 19 anos, ou seja, cerca de dois anos a mais do que aqueles que não utilizam o sistema de cotas e ingressam em uma instituição de ensino superior logo após a conclusão do Ensino Médio.
Embora haja insinuações de que esses jovens não se esforçam o bastante e usam as cotas como “muleta” para “tomar o lugar de alguém que merece”, a pesquisa aponta que eles possuem, em geral, média semelhante e até superior a dos não cotistas durante a graduação.
As cotas se tornam necessárias porque, entre outros motivos, a média de estudantes cotistas no Enem é inferior a 6% em relação às vagas de ampla concorrência. Isso significa que, sem as cotas, talvez não existiriam oportunidades, visto que há uma defasagem das escolas públicas em relação às particulares.
Falar sobre cotas é falar sobre histórias. Há quem defenda, há quem discorde e há quem fique em cima do muro. Mas, o fato é que os negros representam 54% da população brasileira enquanto as salas de aula estão tomadas por alunos e professores brancos.
