Por que alguém se daria ao trabalho de escrever sobre “The Following”?

Por que alguém se daria ao trabalho de assistir “The Following” em primeiro lugar?


The Following é uma série bem tosca: direção burocrática com atuações canastríssimas permeando um roteiro simplório, previsível e, acima de tudo, mal escrito. Logicamente, tendo consciência de todos esses fatores, chega o momento em que um homem são deve se perguntar das razões que o levam a continuar investindo nessa relação insatisfatória. Até o nome, se repetido diversas vezes como no começo desse texto, fica meio idiota de se pronunciar e irritante de ouvir (numa metáfora bastante eficiente para a experiência de se assistir à primeira temporada da série): “The Following. Defollowing. Defólouim.”

Já que meu investimento na história é basicamente nulo devido à incompetência de sua narrativa, decidi assistir à estréia da 2ª temporada apenas motivado a desvendar esse estranho quebra-cabeças que, mesmo se apresentando semanalmente como uma reafirmação de incapacidade fílmica, ainda assim, exercia estranha atração sobre mim.

Como de praxe, o episódio foi horroroso.

O herói amargurado que toma decisões estúpidas e recusa ajuda por conta de uma vingança pessoal que o coloca em atrito direto com seus superiores e os meios legais; a polícia sempre incompetente; os personagens que fazem coisas porque o roteiro precisa que elas sejam feitas e não porque seria algo que o personagem diria ou faria naturalmente; as cenas de suspense obrigatórias com o Kevin Bacon de arma na mão se esgueirando por algum corredor; os vilões unidimensionais sem motivação crível; a direção sempre inexpressiva e didática mostrando um descaso geral por qualquer tipo de ressonância emocional que a narrativa possa proporcionar.

Horroroso, porém sob esse novo prisma, bastante familiar também. O uso de todos esses clichês denota uma certa falta de ambição artística e temática que, por sua vez, evoca a ingenuidade narrativa e o climão típicos de um gênero de filmes deveras específico: o filme de Super Cine.

Taram … Taram… tarãããããmmm

Aquele thriller policial genérico que embalava os finais de noite de sábado da sua infância e tem como charme e principal característica justamente essa completa falta de personalidade em tudo: desde o título (“Risco Fatal”, “Assassinato em Primeiro Grau”) até aquele ator do elenco que você não sabe o nome, mas faz papel do perigoso braço direito do vilão em vários outros filmes também.

No fim da experiência, embora tenha assistido a 43 minutos de péssima televisão, decidi que, enquanto The Following for ruim dessa maneira bastante particular, continuarei acompanhando essa bizarra ode a tudo de mais insosso e clichê que os filmes direto pra vídeo dos anos 80/90 produziram.

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