(Presti)Digitação

Dores e delícias de só se saber digitar olhando pro teclado


Você se vê tendo que preencher um longo formulário de cadastro em um site e, para tornar isso o menos doloroso possível, enfia a cara no teclado e começa a digitar seus dados com uma agilidade digna dos mais eficientes datilógrafos. Observando hipnotizado aquele balé de dedos perfeitamente sincronizados e precisos, cada informação digitada é permeada por estratégicos SHIFTs que garantem a capitalização adequada e sucedida por um TAB precisamente calculado para garantir que cada campo seja digitado com a eficácia necessária para otimizar ao máximo essa enfadonha tarefa.

Seria prudente olhar para a tela e conferir as informações? Sim, claro que seria, mas, naquele momento, não há necessidade disso pois você e o teclado se tornaram uma única entidade. As rápidas olhadelas no monitor servem apenas para te guiar por aquele mapa de entradas de texto e revelar qual delas é a próxima a ser esmirilhada por essa besta da digitação na qual você se transformou.

Ao finalmente pressionar a barra de espaço para ticar o checkbox de “li e aceito os termos legais do site”, os dedos se acalmam e um gratificante silêncio toma conta do recinto. Arte acabou de acontecer nesse formulário! É hora de respirar fundo e, orgulhoso, olhar para a tela do computador para contemplar o magnífico trabalho.

Uma pena que, cego pela ambição, você não foi capaz de perceber a luzinha acesa ao lado da palavra FIXA (o que fizeram com você, CAPS LOCK, meu velho amigo?). Agora, naquele formulário que iria revolucionar as interações homem/cadastro, seu cuidado com a capitalização adequada das palavras apenas faz aumentar a impressão de que você só digitou um monte de nicknames de usuários do mIRC.