Dia 46: Expiação particular.

“Ele foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação.” (Romanos 4:25)
Se você não leu o texto de ontem, seria uma boa ideia você ir lê-lo, pois a expiação particular é um desenvolvimento lógico da doutrina da eleição, então pare de ler esse texto e leia o de ontem, que as coisas certamente farão bem mais sentido.
Até então já falamos sobre a depravação humana e sobre sua incapacidade de ir até Deus por suas próprias forças, da ação misericordiosa de Deus de escolher aqueles quanto os quais Ele salvaria e então chegamos a um ponto crítico das doutrinas da graça: a expiação particular (ou limitada). Em termos de discussões teológicas, certamente esse ponto é muito mais delicado que a doutrina da eleição, pois não existe um meio termo como as pessoas insistem em fazer com a doutrina da eleição, por exemplo.
Mas o que a doutrina da expiação particular diz? Bem, sabemos que Deus elegeu quanto os quais ele salvaria e que os planos de Deus de modo algum podem ser frustrados, tendo isso em vista, logo Jesus não precisaria morrer para o mundo todo, no sentido de morrer para cada habitante da terra individualmente, mas apenas para aqueles que Deus Pai elegeu. Antes de jogar pedras em mim e me chamar de herege, termine de ler esse texto que eu explico tudo.
Existe uma analogia muito interessante que explica essa ideia bem, imagine que você vá até uma loja, compre todas as balas que você conseguir carregar em suas mãos, pague por elas e na hora de ir embora, simplesmente jogue-as todas no chão. Onde está o seu prazer nisso tudo? Você comprou as balas com qual objetivo se não ia usa-las para aquilo que elas foram feitas?
É nessa hora que você deve estar inquieto na cadeira dizendo “mas o que você tem a dizer sobre João 3:16?” Bem, eu não tenho nada a dizer, o texto já fala por si. Deus amou o mundo, não no sentido de cada pessoa individualmente, mas no sentido de pessoas de todos os povos do mundo, e isso fica bem claro na segunda parte do texto “para que todo aquele que nele crê” a condição da recepção do amor salvífico é a fé, que como já sabemos é um dom de Deus¹.
Quando falamos sobre expiação limitada, estamos falando sobre sua amplitude, não sobre sua intensidade. A expiação de Cristo é suficientemente completa para limpar completamente os eleitos, não digo que o sangue de Jesus não seja poderoso o suficiente para limpar todas as pessoas do mundo, só estou dizendo que isso não é necessário, Deus já sabia aqueles que teriam fé, pois é ele quem gera fé no coração dos homens, se Cristo tivesse morrido por todas as pessoas da terra, Ele teria, em certa parcela, morrido em vão.
A expiação particular destaca ainda mais nossa incapacidade de chegarmos a Deus, pois sem o sangue de Cristo somos apenas homens depravados que negam a Deus em cada respirar.
(Continua…)
Esse texto faz parte de uma serie de textos, se você se interessou (?) pode achar outros como esse aqui “Devocionais de um Tolo”.

