#entrevista | “Há tantas pessoas que lutam contra a depressão em sigilo”, diz Brinson

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“Deus cria beleza a partir dos momentos mais sombrios do homem”. Brinson sabe o que fala. Curado de uma depressão, que quase resultou em suicídio, ele compartilha suas experiências no EP Black Canvas. “Eu estava no fundo do poço, quando Deus me tirou do escuro”, afirma. Com o disco, o rapper e CEO da GodChaserz pretende ajudar as pessoas que estão passando por momentos difíceis e conscientizar a igreja para que dê atenção a elas. “Muitas vezes, há pessoas que está no centro das atenções, mas vive deprimido”.

Via e-mail — conforme a GB solicitou -, Brinson respondeu algumas perguntas sobre Black Canvas, sua luta contra a depressão e o cenário do rap cristão nos Estados Unidos.

O tema principal de Black Canvas é a redenção de Cristo na vida do homem. Este disco é um auto-retrato?

Sim. É um auto-retrato de alguns momentos da minha vida que Deus transformou. Então, eu escrevi sobre a dor na esperança de transmitir uma mensagem positiva a alguém.

Por que Black Canvas (tela preta)?

Porque a nossa vida é como uma tela preta que apenas nós podemos decidir o que pinta sobre ela.

Que mensagem você quer passar com este trabalho?

Eu quero dizer que todos nós passamos por lutas, mas Deus está acima da dor. Quando nós damos a Ele o nosso tudo, as coisas que nos rodeiam mudam de acordo com o que diz em Romanos 8:28: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito”.

Em Still Alive: No One Greater você toca em um assunto sensível e pouco tratado nas igrejas: o suicídio. Você passou por uma experiência que quase terminou em suicídio. Como foi transferi-la para a música?

Sim, estes são eventos reais que aconteceram na minha vida. Eu queria ser transparente sobre este projeto porque eu sei que não sou o único que passou por esse tipo de dor.

Pastores raramente falam sobre esta questão em suas ministrações. É ainda um tabu falar de suicídio e depressão na igreja?

Eu não acho que seja um tabu. Na minha visão, alguns ministérios não colocam o assunto como prioridade. Espero que estas canções possam criar conversas que levem as pessoas para fora desse estado de espírito (depressivo), com a ajuda de Jesus.

Há uma falta de atenção para com as pessoas deprimidas?

Há tantas pessoas que lutam contra a depressão em sigilo. Muitas vezes, há pessoas que está no centro das atenções, mas vive deprimido. Ela só precisa vir para a luz.

Como você conseguiu se libertar da depressão? O apoio da igreja foi fundamental para mudar esta situação?

Eu simplesmente dei crédito ao que Paulo escreveu em Romanos 8.28. Somente a palavra de Deus me mudou. Agarrei-me nela.

Outro tema central de Black Canvas é a mudança de finalidade do hip hop cristão. O dinheiro está falando mais alto do que a missão de transmitir o evangelho?

O foco mudou nos últimos anos e eu quero dar atenção para Cristo e viver para ele.

Você estava desapontado com o rumo que hip hop cristão tomou?

Eu amo o hip hop cristão. Ele tem ajudado a minha caminhada com Deus e me apresentou a algumas pessoas excelentes. Tenho viajado ao redor do mundo para fazer o que eu sei que é de valor. Eu sei que o poder de Deus pode trabalhar através dele e eu quero que o Senhor seja glorificado.

O rap cristão tornou-se mais um negócio que um ministério?

Eu não posso dizer isso. É ambos na realidade, e pode oscilar entre os dois de acordo com o selo artístico. Estou mais focado no ministério que nos negócios.

No Brasil, o rap cristão ainda está engatinhando, falta profissionalismo. Por ser o berço do hip hop, na América a cena cristã tem progredido muito. Ou não?

Há uma boa progressão no rap cristão por todos os lados. Mas nós temos um monte de espaço para melhorar. Nós estamos orando e trabalhando para que isso aconteça.

Na América, é possível viver exclusivamente do ministério (da música)?

Sim, é o que tenho feito por 10 anos. Não é um estilo de vida glamoroso, tem uma tonelada de sacrifícios. É como começar tudo a partir do zero diariamente.


_ publicado em 18/07/16 no GospelBeat

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