F̶A̶V̶E̶L̶A̶

FAVELA é quente, barulhenta, confusa, alegre, triste, mágica, maravilhosa. FAVELA né!? Carros importados sobem e descem. Para, pede e paga. Corre, pega, entrega. O processo é rápido. Nada de lentidão. Tipo fast food. O Trabalhador trabalha o dia todo. Chega em casa, toma uma gelada e curte arrocha, quase no volume máximo. Tudo numa boa. A viela é tipo uma orquestra sinfônica comandada por djs de vários estilos. Uma beleza. Os moleque não trabalham, mas querem tirar onda empinando. O camburão vem, eles dão perca. Entram numa viela, saem na outra. Nem o Hamilton pega. O motor das motoca estrala. As crianças perdem o sono. As tias [que cuidam dos filhos sozinhas] ficam bravas, reclamam, xingam, tiram satisfação. Tudo se resolve, não. Nada resolvido. Desordem. A ordem foi embora com os “bandidos bons”, que escolheram os caminhos ruins. Sem escola, alguns tentam a vida pelo caminho mais rápido. A quem vai pros corres porque se acha Zika demais pra trabalhar. Os que não são Zika, enveredam porque não ganhou outra oportunidade. Sem desculpas. Empreendedores empreendem. Abrem botecos, mercearias e salões, para deixar os cabelos na régua. Dão o jeito. Na escola, outros desenham o futuro. O futebol, a arte, o ballet são saídas que levam para entradas. O governo não liga. Só aparece a cada 4 anos. As ONGs fazem o papel do Estado. Salvam vidas. Infelizmente, tem gente que se perde. Vai pra igreja, volta pro crime, pra igreja, pro crime. Não se indireta. Os bailes lotam. Polícia fecha. Abrem meia hora depois. O som continua a noite toda. Do outro lado, o silêncio corta a madrugada. Às vezes, o som dos tiros faz a trilha da noite. Pessoas são mortas, mas a vida do cidadão continua. Tem que trabalhar no outro dia. Garantir o leite, a comida e o material escolar das crianças. A grana é pouca, mas trabalhador tem que trabalhar. FAVELA é foda, sinônimo do que chamam de resiliência.