Crackeando o código de Havana
Coisas que eu queria que tivessem me dito — mas que também não perguntei.
(E nem li. Meu estilo de viagem é assim: eu vou. E ao chegar lá eu vejo.)

Cuba é bem caro para turistas brasileiros. O CUC vale mais que o dólar — e ainda tem uma taxa de 10% para câmbio de dólares (não faça como eu: leve euros).
Mas existe uma Cuba para os cubanos, que afinal não ganham em dólar e precisam viver lá. Só que, até a pessoa descobrir como andar por Cuba como um cubano, já tá na hora de ir embora da ilha. Pois bem, eu não fui embora, resolvi ficar até entender e conseguir comer e me locomover como eles. Faz uma PUTA diferença: a diferença entre pagar 10 dólares por um taxi ou 40 CENTAVOS de dólar, no MESMO trajeto. Parece loucura? É bem louco mesmo.
Os códigos em Cuba são diferentes e eu demorei pra captar. Este é um guia pra quem quer visitar Havana sem gastar os tubos. (Uma viagem é um recorte: aquilo que vi entre tanto que não vi, as pessoas com quem cruzei e que me levaram neste lugar e não em outro, o restaurante em que entrei no meio de tantos que poderia ter entrado. Esse texto fala do que eu experimentei nas três semanas de julho/agosto de 2017 em que estive em Havana).

DINHEIROS
Tem o CUC, que é a moeda que os turistas usam, e tem o CUP, o peso cubano, que é a moeda local. Um CUC é 24 CUP. É sempre bom ter um pouco de CUPs (dá pra trocar nos bancos e CADECA, as casas de câmbio). Para pegar os taxis colectivos, comer em alguns lugares, comprar comida de rua e na feira, comprar o Granta dos velhinhos jornaleiros. Memorize as diferenças entre as notas.
MAPA
Eu usei o Google Maps, assim: quando estava conectada na internet, abria o app do mapa no celular e buscava os lugares. Busque pelo nome do lugar, e não pelo endereço, porque o mapa não posiciona bem as numerações das casas (em Havana um endereço só está completo se informa entre quais ruas aquele número está localizado, por exemplo: calle Amistad 173, entre Neptuno y Concordia). Salve o lugar no mapa. Pronto: mesmo quando você estiver offline o lugar vai aparecer no mapa. E você também. Mesmo sem internet o pontinho que é você aparece e se movimenta no mapa. Não dá pra fazer buscas e trajetos, mas tendo o lugar que você quer ir, e vendo onde está e pra que lado está se movendo, dá pra chegar em qualquer lugar.
TRANSPORTE
É muito simples. A ponto de eu simplesmente NÃO ENTENDER por que eu levei 12 dias até pegar meu primeiro taxi colectivo. Claro que não te contam isso — que existem taxis colectivos — assim, de cara. Mesmo meus anfitriões da primeira semana, super gente boa, e mesmo eu reclamando do preço absurdo dos taxis, não me contaram (mas eu também não perguntei).
A gente começa a se dar conta da existência de uma rede de transporte alternativa assim:
- Hmm, mas os taxis são caros demais. Como os cubanos que não têm carro vão trabalhar? (Tem ônibus, mas mesmo para os padrões cubanos há que se ter muita paciência — são poucos e demoram muito pra passar)
- Pra quem aquelas pessoas estão fazendo sinais na rua? E esses carros velhos parando pra elas e carregando um monte de gente ao mesmo tempo?
Ah. Saquei.
Depois que eu finalmente peguei meu primeiro taxi colectivo, me dei conta de que não é mistério, não tem ninguém escondendo dos turistas. Já foi dito que para conseguir boas respostas é preciso fazer as perguntas certas. Nesse caso é só perguntar duas coisas:
- Primeiro, pergunte pra alguém em que rua se pega o taxi colectivo para o lugar onde você quer ir. Os colectivos têm rotas fixas.
- Quando passar um carro velho, que pode ou não ter um sinal escrito TAXI no vidro, faça sinal.
- Se ele parar, pergunte para o motorista se ele vai pra onde você quer ir. De Centro Havana para Vedado ou Miramar é ou pela 23 ou pela Linnea, você tem que ver vê qual opção te deixa mais perto de onde quer ir. Então pergunte “23?”. Ele vai ter perguntar até aonde, e você fala a intersecção onde vai descer, por exemplo “23 y G”. Aí ele te dá um não na cara ou te manda entrar. Ah, não bata a porta do taxi velho (porque periga cair) para não levar um xingão do motorista.
- O dinheiro dos taxis colectivos é peso cubano. Geralmente custa 10 pesos cubanos. É melhor já ter trocado. Eles não costumam gostar de dar troco quando a quantia é pouca.
(Depois de alguns dias pegando taxis colectivos eu admito que fiquei um pouco cansada. É meio desgastante. Você — e um monte de gente — fica de pé na rua debaixo do sol fazendo sinal pra tudo que é carro velho. Muitos nem param. Para os que param você pergunta por onde vão. Leva vários “nãos” na cara — os nãos dos cubanos são bem antipáticos. Dependendo da hora do dia e do calor do sol, você começa a fantasiar pegar um raio dum taxi de turista e pagar os raios dos 10 CUC mesmo, caraio)

Pra ir pra praia
No Parque Central saem os ônibus de turismo. A linha T3 é a que vai para as praias do leste de Havana. Custa 5 CUC ida e volta. A praia mais legal é Santa Maria del Mar, as últimas duas paradas. Para voltar, esteja no ponto às 18h, hora do último ônibus. Se estiver com mais gente dá pra negociar com um taxi e dependendo de quantas pessoas pode sair mais barato.

COMIDA
Dá pra fazer uma boa refeição por 5 CUC ou menos. Lembrando que isso é caro para os padrões de um cubano, mas razoável para turistas. Informe-se com seu anfitrião onde estão os restaurantes ou “paladares” próximos. Em Vedado eu fui algumas vezes no Razones, na F entre 5ª e Calzada. Nunca gastei mais que 5 CUC. Perto de Centro Havana o grande achado foi o restaurante da Asociacion Canaria, que fica atrás do hotel Plaza, na frente do Edifício Baccardi. É ainda mais barato que o Razones.
Vegetariano em Havana
Não é nada difícil ser vegetariano numa viagem, nem na América Central, vivo dizendo isso. Tá, é um pouco mais complicado, em Cuba não tem tantas opções de vegetais (ainda mais no verão). Mas tem duas coisas, em praticamente qualquer menu, que salvam a vida: arroz moro (ou Moros y Cristianos), que é um arroz cozido com feijão, e vianda (fervida ou frita). Vianda é algum tubérculo, como batata doce ou mandioca. Eu pedia arroz moro, vianda hervida, salada (que geralmente vem com abacate) e um suco de manga ou goiaba e pronto. O Razones tinha também grão de bico ao curry — não estava no cardápio, mas a garçonete sugeriu quando eu disse que não comia carne. Nos bares de hotéis dá pra pedir um sanduíche só de vegetais. E teve um dia, num bar meio pra turistas, que eu mandei ver num macarrão com molho de tomate (que custou 5,5 CUC).

Ah, e em tudo que é lugar tem bananas e plátanos (eu acho que o mesmo que banana da terra no Brasil). Em Cuba existem três tipos de pratos com elas: plátano frito (macio), chicharritas (chips de banana frita) e tostones (esse não dá pra entender direito, a primeira vez que comi pensei que era empanado, mas não é: é plátano frito e amassado e refrito — ou algo assim).
Café da manhã
Na primeira casa que eu fiquei eles ofereciam café da manhã por 3 CUC. Eu comia frutas picadas (manga, papaya, banana), pão com abacate, suco de manga e café.
Cozinhando
Quando consegui uma cozinha pra mim, comecei a comprar vegetais na feira e cozinhar. Aí sim dá pra comer barato. Eu comprava feijão, mandioca, cebola, tomate, pimentão, plátanos, manga, coco, goiaba, abacate. Tudo bem barato, pois na feira a gente compra com pesos cubanos (uma manga grande custa 10 pesos, mais ou menos R$ 1,50). Em Centro Havana tem várias dessas, além de vendedores com carrinhos de frutas na rua. Em Vedado tem menos, mas também tem.
Eu costumava fazer uma panela de feijão, mandioca com cebola e pimentão, e purê de plátano. E tacava abacate em tudo, muito e sempre :) O abacate de Cuba é uma delícia, não é seco que nem o avocado e nem aguado que nem o abacate manteiga (aquele de casca fina comum no Brasil). Tem um sabor bem neutro, então é ideal para usar como manteiga no pão ou como complemento de qualquer comida. E amadurece de jeito diferente: continua firme. Se a casca começa a escurecer é porque o abacate já está passando do ponto.

CERVEJA
Eu comecei bebendo a Bucannero, que é mais encorpada e mais forte. Mas minha preferida acabou sendo a Presidente. Não bebia Cristal nem se fosse a única disponível: parece uma Itaipava, clarinha como xixi e sem gosto. Se comprar cerveja na loja de bebidas (tem uma na esquina da Neptuno com a Galiano) ou no super (tem um no subsolo do centro comercial que fica na esquina na frente à loja de bebidas), custa 1 CUC a long neck. Nos bares e baladas, paguei de 1,65 CUC (Hotel Colina) a 3 CUC (hotéis chiques).
INTERNET
É cara. Existe internet em hotéis, alguns restaurantes mais famosos (Floridita, onde ia Hemingway), em alguns parques, praças e lugares públicos. E em algumas casas particulares. E só. As pessoas não têm internet no celular. A maneira de usar internet é conectando à rede pública — WIFI-ETECSA (alguns hotéis e restaurantes têm redes próprias, com outros nomes). Você vai precisar de uma “tarjeta de internet”, que compra nos hotéis, nos postos da ETECSA, em alguns comércios, ou de vendedores nas praças. Alguns hotéis vendem umas tarjetas caras — 4,5 CUC — que só funcionam no hotel, e não permitem conectar na rede deles com tarjetas de fora. Se você, como eu, é uma pessoa que não vive sem internet, é bom comprar de antemão e carregar sempre algumas tarjetas.
Nas semanas em que estive aqui eu vi o seguinte, em relação a preços das tarjetas, locais de compra e qualidade do sinal:
Hotel Presidente, em Vedado: a melhor conexão. E eles têm um bar com mesas na varanda ao redor do hotel em que você pode sentar, mas vai ter que consumir. Em geral eu pedia uma água, um café, dava uma boa gorjeta pro garçon e eles me deixavam em paz por horas. O Hotel Presidente também vende tarjetas por um valor ótimo, 2 CUC. Mas chegou uma hora que eles não queriam mais vender pra mim, porque precisam privilegiar quem está hospedado lá. Achei um mau negócio pra eles, porque aí eu comprava fora do hotel — e continuava usando lá. O Hotel Presidente se tornou meu lugar favorito pra trabalhar, passei muitas horas lá.
Havana Vieja e Centro Havana: de maneira geral a conexão nos parques nessas regiões é pior. As tarjetas vendidas pelas pessoas nos parques é mais cara: 3 CUC. E não encontrei um hotel que tivesse conexão e acolhimento ao não hóspede como o Presidente. O Iberostar do Parque Central tem uma conexão razoável tanto do lado de fora, perto da porta, quanto dentro. Mas o bar é caro (3 CUC uma cerveja nacional) e não me senti muito bem-vinda. Teve um dia que rodei, rodei, e fui parar no Floridita (o tal do bar em que ia Hemingway). Ar condicionado ótimo, mas conexão mais ou menos e garçons com uma cara muuuuuito feia pra mim — mesmo eu tendo gastado 11 CUC, uma fortuna, pra ficar cerca de uma hora por lá. Nunca mais voltei (meu conselho é: não vá. Nem pra fazer turismo. Você só vai ver, bem, turistas. O Hemingway não está mais lá, há muito tempo).
La Rampa/23/Havana Libre: o centro de Vedado oferece conexão boa bem na esquina da 23 com L, atravessando a rua do parque onde está a famosa sorveteria Coppelia, na diagonal do cine Yara. Por ali também tem uma banquinha oficial da ETECSA, mas nunca consegui comprar tarjetas lá porque acabam cedo. Por ali também ficam uns vendedores (pessoas que ficam perto da banca da ETECSA e algumas lojinhas ao redor) que cobram 2,5 CUC ou 3, e se você compra mais de uma dá pra negociar. Sempre negocie! Tem que dar uma de brasileiro, a gente não é gringo rico. O hotel Habana Libre é dos que têm tarjeta cara (4,5 CUC) e conexão própria, mas ali perto, na L, quase na frente da escadaria da Universidade, tem o hotel Colina que é um achado. Tem um bar com mesas na rua e um ar condicionado excelente dentro, conexão boa e fica ao lado de um parque que também tem wi-fi e onde deve ter gente vendendo tarjeta (o hotel não vende). Ah, e a cerveja é barata (1.65 CUC a Presidente), a comida também (um sanduíche de vegetais por 1 CUC, achei bem razoável — ainda que de vegetais mesmo só tivesse repolho e pepino), e os garçons te deixam bem à vontade. Com tudo isso, as mesas dentro do bar são bem concorridas.
Malecón: vários pontos no Malecón (geralmente do outro lado da rua, não no lado do mar) oferecem conexão (geralmente na região do centro de Vedado e Centro Havana). É só procurar por pessoas olhando pros celulares.
SEGURANÇA
É seguro em Cuba. É bem seguro. Por qualquer lado, sob qualquer aspecto, é seguro. É claro que qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar do mundo, afinal, existem pessoas, e a pessoa pode ser louca, agressiva, etc. Mas posso afirmar que é muito mais fácil acontecer alguma coisa violenta no Brasil — em São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Rio de Janeiro — do que em Havana. E eu andei por Havana inteira, altas horas da noite, em ruas beeeeem escuras.
Teoricamente, não existem armas de fogo. Na pratica, algumas pessoas têm — ou porque eram do exército revolucionário e não obedeceram a ordem de devolver as armas quando acabou a revolução; ou porque existe fabricação clandestina. Mas não é comum, então assaltos à mão armada também não são comuns. Câmeras e equipamentos eletrônicos: tudo seguro. É o lugar em que vi mais gringo circulando despreocupadamente com câmera cara. De novo: é claro que deve ter gatunos tentando furtar equipamentos, como em tudo que é lugar do mundo. Favor prestar atenção e não abandonar o bom senso.
As pessoas em Cuba, de modo geral, ganham pouco (comparado com padrões capitalistas) e vivem com pouco. Mas têm educação e saúde de graça, moradia garantida, e muitos itens alimentícios praticamente de graça também. Querem, e precisam de mais dinheiro? Provavelmente sim. Mas a abertura do país para o turismo abriu também uma série de possibilidades de fazer mais dinheiro. Qualquer um com um mínimo de imaginação tira dinheiro desse monte de turista do primeiro mundo que roda por Havana. E não precisa roubar. Pode abrir suas casas pra alugar quartos, como muita gente já faz; pode vender — artesanato, ou o amendoim mais caro do mundo em Havana Vieja; raios, pode simplesmente pedir dinheiro na rua.
E mais: não há um problema de drogas epidêmico como é o crack no Brasil. Então não tem hordas de pessoas roubando até fio de cobre dos postes pra comprar droga. As leis são bem rígidas e a polícia costuma ser eficiente, segundo me informam.
ASSEDIO SEXUAL
Os homens assediam? Sim, bastante. Mas, pelo que vi, senti, e ouvi de quem mora lá, o assédio verbal não evolui para assédio físico. É só ignorar e seguir andando (eu estava viajando sozinha. Imagino que com um homem ao lado o assédio não deve ser tanto).
Teve um moço que perguntou se eu queria ter “una buena noche”. Disse que ele estava sozinho, como eu, e poderíamos ficar juntos. Eu disse que não, obrigada, que estava muy bien sola, e agradeci. Nos despedimos e ele continuou no caminho dele.
ONDE FICAR
Não vale a pena ficar em Miramar. É longe e você vai precisar de táxis pra tudo. Lá é onde existem os hotéis grandes, chiques e caros — não vale a pena ficar neles também, ao menos que você seja rico e chique e queira luxo. Em Havana Vieja também não vale a pena ficar. Na minha opinião, é tudo mais caro e cheio de turistas e não representa a vida cubana. É cenário de turista. Isso nos deixa com Centro Havana e Vedado. Ambas ótimas opções. Seguem os prós e contras:
Vedado:
- Facilidades: é mais difícil de comprar coisas. Se você quer cozinhar em casa é mais complicado. Existem restaurantes, menos que em Centro Havana, mas dá pra se virar. Vedado tem bastante coisa, mas mais perto das avenidas e do “centrinho” do bairro (23 com L).
- Transporte: um taxi comum custa 10 CUC do Hotel Presidente (Calzada com G) até Havana Vieja. Na Linnea e na 23 passam os taxis colectivos. Dá pra caminhar fácil até o “centro” de Vedado (23 y L); com um pouco mais de pernada chega-se a Centro Havana e Havana Vieja. Se você quer ir bastante a Havana Vieja, melhor ficar em Centro Havana.
- Salsa: dependendo de onde você está em Vedado e do quanto gosta de caminhar, dá pra ir a pé para o 1830, que fica no fim de Vedado, no Malecón.
- Ambiente: arborizado, ruas largas, casas com quintais. Bem bonito, eu adorei caminhar pelo bairro. É um bairro grande e eu aconselho a ficar perto do “centro” (23 y L), até mais ou menos a rua G (Avenida de los Presidentes). Depois disso vai ficando muito longe, ainda que para o fim do bairro existam uns lugares que podem interessar: 1830 (pra quem dança salsa), Fabrica de Arte Cubana, e um café bem legal, Cuba Libro. Mas não tem muito mais, então você vai acabar gastando muito pra sair dali e fazer coisas.

Centro Havana:
- Facilidades: aqui é onde estão as lojas de tudo, inclusive de comidas. Tem até supermercado, e meu tipo de venda preferida: as feiras de vegetais, onde dá pra comprar com pesos cubanos. E tem muita opção para comer.
- Transporte: dá pra caminhar por Havana Vieja e Centro Havana inteiros. Também é fácil pegar o ônibus para a praia, que sai do Parque Central e custa 5 CUC. A rua Neptuno é onde se pegam os taxis colectivos para Vedado e Miramar.
- Salsa: dá pra ir a pé para o Hotel Florida.
- Ambiente: é trash. Às vezes literalmente. Pense em um centro de cidade meio detonado, bem sujo, barulhento, com prédios desmontando — mas com uma abundância de vida real. Não indico pra quem gosta de tudo bonitinho e arrumadinho. Mas se você não se importa com o caos, e tá a fim de ver a vida como ela é, fique em Centro Havana. Vai ser mais fácil se locomover, fazer comida, comprar coisas. Ainda que de vez em quando canse. Eu quando estava em Vedado gostava de caminhar para Centro Havana e quando estava em Centro Havana dava altos rolês por Vedado :)

ONDE IR PARA FUGIR DOS LUGARES TURISTICOS
Sinceramente? O mais legal do turismo em Havana não está nos lugares turísticos. Que você vê bem rápido. Não tem muita coisa. Uns bares, hotéis antigos, igrejas. As lojas para comprar charutos. A sorveteria Coppelia. A Plaza de la Revolucion, onde você vai, tira umas fotos dos painéis com os rostos de Ernesto e Camilo e em dez minutos está torrando no sol e quer ir embora correndo. Museus. Uma volta em Miramar no ônibus de turismo (10 CUC). Ou você aluga um carro antigo (com motorista) pra dar uma volta em alto estilo.

O mais legal em Havana é caminhar pelas ruas. De Havana Vieja, Centro Havana, Vedado. Caminhar e ver as casas, os comércios, ver como vivem as pessoas. Caminhar no Malecón vendo o por do sol. Ir dançar salsa. Ir pra praia. Comprar comida na feira. Pra mim isso foi o mais legal.
Eu não queria ir em lugares onde só tinha turista. Eu evitava os bares mais famosos/cheios de Havana Vieja. Até a música nesses lugares parece cenário (não vá ao Floridita: só tem turista. O Hemingway não está mais lá — há muito tempo). Fui num lugar com mojitos baratos em Vedado, levada por um cubano: Casa Balear — mas admito que não achei um bar pra chamar de meu. Estive também num café/livraria bem legal, Cuba Libro (Vedado). E no centrinho de Vedado tem o Pabellon Cuba. Quando eu estava lá era verão e tinha toda uma programação de shows e uma feira com produtos cubanos e comida barata. Quase não tinha turista e os shows eram bons.
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