Profundeza em Copo d’Água

~~ Diários de um Pisciano (15/05/2017) ~~

Não leve a mal quando, ao olhar pr’aquele copo,
eu não disser se é meio cheio ou vazio

Não leve a mal se minha escrita passageira
passar levando embora tudo o que era escrito

Não leve a mal se a ira da instância primária
aquiescer ante à incerteza complacente

Não leve a mal a hesitação perante o óbvio
pois ela esconde confrontos que não tem fim


Não leve a mal quando a justiça for o foco
e o que era alento for tomado pelo frio

Não leve a mal se as frases sem eira nem beira
não forem mesmo além de um rascunho infinito

Não leve a mal se tua certeza autoritária
passar batida num silêncio indiferente

Não leve a mal a fixação pelo que é móvel
por cada outro lá fora dentro de mim


(Cada verdade, na verdade é uma trincheira
Quanto mais funda, mais há chance de vitória)

Pois não me leve a mal, me leve para Atlantis
Para adonde nunca se foi antes
Lá onde Ícaro encontra Tritão
A luz cegante acostume à escuridão

Mas, por fim, e por obséquio…

Não leve a mal minha recusa a ser levado
Pois não se trata de desprezo ou de desfeita,
ou de deslize ou de descaso,
Porém apenas de necessidade.

Basta, entre tanto, aceitar o desafio,
que eu aceito a companhia