Carta para ela

Desde os meus 6 anos que não me lembro o que é viver sem ti. Foi com essa idade que nos apresentamos, lembras? Antes pudéssemos esquecer…

Acompanhas minhas conquistas me fazendo lembrar que poderia ter sido diferente sem ti, as vezes me fazes desistir até mesmo de tentar. Há dias em que me sufocas e brigamos, eu não aguento te carregar por todas as esquinas, por todos esses dias, por todos os ventos que no lugar de afastar-nos aproximam mais. Disseram que o mar cura tudo, o vento tudo leva, mas nos tornam inseparáveis não é?

Te metes em tudo o que faço, não há mais nada que seja só meu. Por um lado confesso que és tu a fazer meu mundo girar, temos essa relação intensa, possessiva. Assumo, quando me falta algo recorro a ti, és parte de mim, na verdade parte de todo ser humano esperançoso. A válvula de escape dos que creem no amanhã, o exemplo de que as coisas podem mudar pra pior também. Não me culpes pela indecisão, tua instabilidade afeta a todos.

Talvez a pessoa que esteja lendo te seja mais íntima e não me incomoda, és como mil alfinetadas no coração, como és o sangue que o faz pulsar e esse sentimento será sempre unânime. Quem disse que morres enganou-se, ironicamente é da morte que te alimentas. Quando não há morte, matas a quem ama de longe. Matas pessoas que não se conhecem, matas situações que nunca aconteceram, és o alucinógeno mais deteriorante que existe.

Levas a todos para teu mundo ideal. Alguns não conseguem mais voltar, outros tomam remédios todos os dias para aguentar-te. Queria ser tua amiga, não é sempre que me ajudas, mas boa parte das vezes és tu que me tiras da lama. Todos se vão, mas tu me acompanhas por todos os lugares. O que seria de mim sem minha metade, querida e odiada saudade?

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