Chás e suas propriedades funcionais.

Diário do Chá
Aug 31, 2018 · 5 min read

Texto: Dra. Eliane Tagliari

O chá é a bebida mais consumida no mundo depois da água e é altamente valorizada pelo seu sabor e aroma, seus benefícios à saúde e por diversas razões sócio culturais.¹ É obtido pela infusão de folhas e brotos da espécie Camellia sinensis. O arbusto de chá é cultivado em mais de 45 países. ¹

Cerca de 3 bilhões de quilos são produzidos e consumidos anualmente em todo o mundo e os maiores países produtores são China, Japão, Taiwan, Indonésia, Tailândia, Sri Lanka, Vietnã, Turquia, Quênia e Rússia.

Dependendo do processamento da folha, são obtidos vários tipos de chá, como o chá preto, o chá Oolong, o chá verde e o chá branco. ² ³

O chá branco é menos processado e industrializado de todos os chás. O chá preto passa por um processo de oxidação, em que as folhas se modificam em contato com o oxigênio. No chá Oolong, as folhas são submetidas a oxidação parcial. No chá verde, as folhas passam pelo processo de fixação para interromper a oxidação.

O chá branco é feito inteiramente a partir de botões de folhas que são cobertos por pêlos felpudos e brancos. As primeiras folhas e os botões são selecionados e submetidos a um processamento mínimo, por secagem simples. O chá branco é altamente valorizado por suas características organolépticas, pois proporciona uma infusão com sabor suave e aromático e com notas florais e de frutas. Alguns estudos apontam que o chá branco tem menos cafeína e mais compostos antioxidantes do que o chá verde.² ⁴

O chá preto é o chá mais amplamente consumido (80%), seguido do chá verde (cerca de 20%) e o restante é o chá oolong (2%). ⁵

Composição química do Chá:

A folha de chá é composta principalmente por:

(1) Proteínas (15–20% do total referente à matéria seca), em que a fração principal são enzimas (polifenoloxidases, lipoxigenases);

(2) Aminoácidos livres (1–4% de a matéria seca), onde cerca de 50% é L-teanina (N-etil-L-glutamina), que é um composto relevante nas propriedades de sabor e saúde dos chás verde e branco;

(3) Outros aminoácidos como: ácido glutâmico, triptofano, glicina, serina, tirosina, arginina ou lisina, a valina, a fenilalanina, a prolina, a leucina, a isoleucina;

(4) Carboidratos (5–7% da matéria seca), com polissacarídeos como celulose, hemicelulose, pectinas , glicose, sacarose, arabinose ou ribose;

(5) Lipídios, presentes em quantidades muito baixas como glicerofosfolipídios, álcoois triterpênicos, ácidos graxos e esteróis;

(6) Vitaminas, predominantemente vitamina C e algumas grupo B;

(7) Polifenóis, principalmente Catequinas, em especial EGCG (epigalocatequina galato, cerca de 59%) e outros como cafeína , teaflavinas , urubiginas teofilina e teobromina em concentrações muito baixas. As folhas de chá contêm cerca de 2–5% de cafeína, em 150 mL de infusão de chá verde temos aproximadamente 15 a 25 mg. Esse teor é aproximadamente 15% menor no chá branco. O que poderá ser influenciado pelo tempo de fermentação, tamanho da folha e temperatura da água;

(8) Minerais, incluindo flúor, manganês, cobre e cromo. Consequentemente, seus efeitos benéficos na saúde são mais notáveis. ⁵

Diferentes partes da planta são utilizadas devido a sua composição química , as folhas são as mais utilizadas:

fig. 1 adaptado de Food & Function, 2017, 00, 1–3

Além da planta Camélia sinensis, outras plantas e ervas possuem propriedades medicinais e organolépticas. Como por exemplo, tomilho, hortelã, hibiscos, maracujá, e também algumas flores como macela, camomila, calêndula. Muitos estudos apontam os chás e infusões como adjuvantes de dietas e tratamentos de saúde.

Propriedades Funcionais

Estudos recentes revelaram que chás verde e branco têm atividades biológicas positivas contra doenças crônicas como câncer, síndrome metabólica, obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e neuro-degenerativas, entre outras. ⁴

Demonstrou-se que a combinação de chá com outras ervas aumenta sinergicamente as atividades antioxidantes, dando origem ao desenvolvimento de diferentes misturas de chás. ⁴

A combinação de chá preto, pimenta preta (Piper nigrum), gengibre (Zingiber officinale) e tulsi (Ocimum sanctum) (1: 1: 1: 1) mostrou alta atividade antioxidante em comparação com a da erva individual. ⁵

O chá é geralmente consumido com mel, açúcar, leite ou limão porque as pessoas acreditam que isso aumentará o benefício e o sabor da bebida. Um estudo de dez infusões de chá de frutas mostrou um aumento nos efeitos sinérgicos do conteúdo fenólico total e capacidade antioxidante. No entanto, a adição de mel às infusões que já continham ácido ascórbico diminuiu compostos fenólicos totais e sua capacidade antioxidante. ⁵

Em outro estudo, determinou-se o uso de limão (22.5 mg de ácido ascórbico, presente em ½ limão), em uma preparação de chá preto aumentou a atividade antioxidante do chá. ⁴ ⁵

Os chás possuem ainda atividade antimicrobiana, através da capacidade inibitória do chá verde, preto e de algumas ervas ⁵ ou seja, eles ainda protegem a nossa microbiota intestinal, melhorando a imunidade e assim nossa saúde como um todo.

Frente ao exposto acima, não restam dúvidas que adicionar um chá em sua dieta não só trará benefícios mas também muito mais prazer à sua vida. Pois estudos relatam que a temperatura influencia nosso estado de humor, quente ou frio, e ainda algumas misturas aumentam GABA (neurotransmissor que relaxa e induz a tranquilidade).

Sem falar que ajudam na digestão, absorção e biodisponibilidade de alguns nutrientes. Outra razão para utilizar as misturas, são agregar sabor aos pratos, alquimias muito exploradas por chefs mundo a fora.

Vale lembrar que devemos ter cautela no consumo dos mesmos, não ultrapassando a quantidade de 500–800 ml /dia, uma vez que muitos podem interferir na absorção de alguns nutrientes como ferro e cálcio por exemplo.

Então, vai um chazinho aí?

Referências:

  1. Zheng XQ, Li QS, Xiang LP and Liang YR, Recent advances in volatiles of teas. Molecules 21: 1–12 (2016).
  2. Van Wyk B-E and Gorelik B, The history and ethnobotany of Cape herbal teas. S Afr J Bot 110: (accepted) (2017).
  3. Lerotholi L, Chaudhary SK, Combrinck S and Viljoen A, Bush tea (Athrixia phylicoides): A review of the traditional uses, bioactivity and phytochemistry. S Afr J Bot 110: 4–17 (2016).
  4. Gamboa-Gómez CI, Rocha-Guzmán NE, Moreno-Jiménez MR, Vázquez-Cabral BD and
    González-Laredo RF Plants with potential use on obesity and its complications. EXCLI J
    14: 809–831 (2015).
  5. S. Pastoriza, M. Mesías, C. Cabrera and J.A. Rufian-Henares, Healthy properties of Green and White teas: an update .Food Funct., 2017, DOI: 10.1039/C7FO00611J.

DRA. ELIANE TAGLIARI, CRN8 1469 Nutricionista, Doutoranda em Clínica cirúrgica pela UFPR; Mestre em Biotecnologia na área da Saúde pela UP/PR, pós graduações em: Nutrição clínica Funcional pela VP UNICSUL/SP; Nutrição Funcional e Fitoterapia pela VP UNICSUL/SP.

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