Os Melhores Eps do segundo semestre — até agora — que você ainda não ouviu

Estamos vivendo um dos melhores momentos da música nacional em muitos anos. Cada semestre que se conclui, uma nova leva de singles, EP’s, álbuns, clipes e novos artistas surgem como forma de confirmar a assertiva. Dito isso, nossa equipe selecionou alguns dos melhores trampos do segundo semestre deste ano para você. Se liga:
Gumes — bb
Traço recorrente no circuito independente é a experiência revestida de estreia. São inúmeros os exemplos de bandas que nascem de (re)encontros. A Gumes faz parte dessa tradição. Composto por membros e antigos integrantes de bandas da cena paulista, o grupo conserva estéticas do ambiente em que vivem e inovam a sonoridade através da simplicidade. Fazendo sua parte num resgate bem despretensioso do emo em uma nova roupagem, a banda dialoga em breves momentos com tecituras psicodélicas e harmonias matematicamente roqueiras. Tudo isso num registro leve e humildão.
The Wonderful Now — There’s No Place Like Home
Sabe aquele seu amigo que é a cara do pai? Conhecendo a pessoa mais a fundo, talvez seja ainda mais assustador perceber que as duas gerações convergem também no comportamento. Poderia se dizer que o Midwest Emo é o pai do The Wonderful Now, banda de São Gonçalo que lançou seu primeiro EP e herda as referências e trejeitos de bandas do post-rock noventista. Da sonoridade a títulos quilométricos para suas faixas (continuem que tá ótimo), o quinteto deixa claro a que veio e não se acanha em mostrar suas feições mais sinceras no conforto do lar.
Alpargatos — O Chão É Lava
O Chão É Lava completa a trilogia de EP’s dos gaúchos do Alpargatos. Apesar do nome irreverente, a banda leva a música bem a sério, e essa sobriedade transparece no clima envolvente do registro. Repleto de camadas, o som da banda passeia pela introspectividade da imaginação. Mesmo que seja possível existir na superfície, a aventura está na profundidade e o calor se encontra no interior. O grupo permite-se experimentar e provoca o próprio desafio num cenário perigoso e tentador.

La Leuca — Dente de Leite
Gumes tem pitadas de psicodelia, já La Leuca é psicodélica até o caroço. Se você gosta de Boogarins, Salto, Bike e toda essa nova onda de produções do (re)ssurgimento do indie psicodélico, não tenho dúvidas que você vai curtir Dente de Leite, primeiro EP da banda de Florianópolis. Composto apenas por minas, La Leuca conserva a atmosférica e turva sonoridade do neo-psicodélico aliado a letras e sinestésicas que registram um pouco das percepções que capta o inconsciente na correria do real.
Ventre — Saudade (O Corte 腹切り)



Caso você ainda não saiba, talvez seja uma boa hora para você se sentar, buscar uma água com açúcar e depois voltar a ler. Vai lá, a gente espera.
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Bom, então… não sei muito bem como falar isso, mas a Ventre acabou.
Não é exatamente um término, mas o trio decidiu entrar em hiato por tempo indeterminado e a gente sabe que quando é assim, o melhor é não criar expectativas. Antes de cada um seguir seus caminhos em novas jornadas, eles passaram alguns meses matando seus fãs de ansiedade para saber quando lançariam o próximo single do EP Saudade — O Corte. De março a agosto eles soltaram, sem aviso prévio, três faixas que viriam a integrar, em forma de compacto, a despedida dos cariocas. Numa vibe de novos ares (como se cada um já almejasse estar em outro lugar), o trio mantém a esperada qualidade de produções anteriores — duvido que qualquer um dos três seja capaz de fazer algo sequer mediano — mas com diferentes inclinações no escopo da nostalgia e da expectativa do amanhã. Mesmo que doa, por vezes, é necessário rasgar aquele sonho para construir algo novo.
MENÇÃO HONROSA

niLL — Good Smell Vol. 1
Depois do aclamado Regina, niLL retorna e estabelece o vaporwave como norte em sua produção. Com a nova mixtape, Good Smell Vol. 1, o rapper de Jundiaí vira a página e se conversa com a vida por meio de um diálogo mais honesto e direto. Integrante do coletivo SoundFoodGang, a produção diferenciada — e característica dos membros — que entrelaça beats, flows e líricas de maneira mais autônoma e equilibrada. O novo marco na carreira de niLL conserva elementos da vida comum do cantor, como samples de animes e a autenticidade que a estética de sua produção independente proporciona, mas amplia seu tônus ao instalar novos equipamentos em seu já vasto acervo criativo.
P.S.: se liga no nome das faixas e vai atrás de ver quem são as pessoas que niLL homenageia.
Você pode dar um confere nos pontos altos dos sons que a gente comentou neste artigo dando play na nossa playlist logo abaixo.

