sobre todos os álbuns que ouvi nesse busão // essa noite bateu como um sonho, terno rei

o asfalto, o chão, as janelas, as luzes da cidade, a noite, as festas. terno rei se disse uma vez rock alternativo e “essa noite bateu como um sonho” é uma obra do novo dream pop brasileiro (desses que tem cara de shoegaze mas também tem cara de praiano, saca?) que poderia também ser facilmente confundida como uma carta de amor à cidade.

antes no novo projeto ser lançado e depois do delicado vigília (2014) que fez terno rei parecer mais triste que high; o segundo álbum de estúdio da banda tem a cara de são paulo.

as letras falam sobre todas essas coisas que a juventude estranha do final do século 20 sente e fazem esse albúm parecer um manifesto — bonito, tranquilo e bucólico — das coisas que a partida, o centro e a passagem dos dias fazem com a gente.

faixa a faixa (serião? brincs, só as mais necessárias))

tem albúm que tem música que é necessária, intrínseca ao álbum, sabe? não faz sentido ouvir tudo e não ouvi-las.

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o álbum começa com sinais de que o álbum pode ser sobre a cidade e o amor; ou sobre a cidade e drogas. das duas, uma, mas prefiro não apostar. versos melancólicos sobre a passagem do tempo e a sina que é amar alguém constituem sinais. e o single que tem capa própria, linda, por sinal, mostra que os meninos de são paulo querem embalar bebedeiras, chapaçøes, beijos e uma inifinidade de coisas que podem ser feitas ao som de um bom dream pop br.

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///criança é sobre ser adulto. “sinto saudade de casa e ninguém nos protege do mundo que há por vir”, é ou não é? a brincadeira de colocar o antônimo do que se vive na letra, no título, parece dar razão pra a afirmação. o baixo marcado do início ao fim da música é o embalo nostálgico que a música precisava: a cereja do bolo (eca).

///depressão na pista de dança é brincadeira com as palavras; a pista de dança vira trânsito que vira fluxo e que vira a nossa liquidez das noites, que vira a depressão dos dias, que vira uma dança… uma percussão rápida no início da faixa e o uso dos teclados pra fazer base no estilo anos 90 deixa a música parecendo uma balada pra dançar junto, só que triste.

///circulares é um orgasmo. se todas as outras músicas parecem uma memória bucólica; circulares é sexo gostoso. a letra, à primeira vista, desconexa faz sentido com os “movimentos simultâneos circulares” (parece uma provocação com os dedos né?) que as guitarras e o baixo fazem no coração.

///tranquila e doce, a prosa é poesia. e que delicia de faixa, amigos. o encontro de alguém que se apaixona no fim da tarde paulista. a letra parece desses amores que falam sobre como a luz passa nos prédios e te dá um tiro no peito quando você olha pra pessoa que gosta e ela parece ser a única no meio da cidade.

////se circulares é sexo gostoso, litoral é sobre soprar. agitada e com guitarras barulhentas e dançantezinhas litoral é sobre as viagens que fazemos, parados e nas estradas.

///curtinhas e já mais para o meio do albúm tem os odes à melancolia, mais conhecidos como da janela e para o centro. a preguiça das letras e o ritmo levemente bucólico tornam essa faixa chapante e deliciosa e dá vontade de sentar e assistir a solidão se pondo no fundo da janela.

e as considerações finais?

ale sater (voz e baixo), bruno paschoal (guitarra), greg vinha (guitarra), luis cardoso (bateria) e victor souza (percussão) fazem a produção assinada por guilherme chiapetta ser densa mas liquida. a temática é a cidade e as guitarras dos meninos com o vocal&baixo marcado e feito pra embalar becos e vez ou outra um teclado ou percussão dançante fazem o albúm ser uma mistura de beach house com beach fossils pra vinhos e cervejas: a vida da noite arte, crua e dura de são paulo.

nota(???: 8/10

pra quem gosta de: bilhão, ombu, beach fossils or beach house.

começa por: circulares, da janela, criança.

Diascevasta

Maria Alice Oliveira

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Diascevasta

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