Em busca da transparência

Asad J. Malik com o seu scanner cerebral

Asad J. Malik, é um jovem designer e artista digital paquistanês, mais conhecido como 1RIC, que usa o seu cérebro para criar imagens abstratas.

Como é que ele o faz? Usando equipamento wireless de electroencefalografia (EEG), que regista as ondas da actividade de diferentes partes do cérebro. Este equipamento traduz essa informação para dados que sejam fáceis de compreender. Também é vapaz de ler movimentos faciais, como um sorriso. Malik pega usa a informação gerada pelo seu cérebro para criar obras de arte digital.

Ele desenvolveu um algoritmo que lhe permite transformar a informação cerebral em representações visuais. Certas cores e padrões representam diferentes emoções e pensamentos. No fundo ele quis criar uma linguagem visual que representasse através da cor e formas aquilo que ele estava a sentir no momento em que fazia o EEG.

“Sleep” por 1RIC

O resultado final acaba por ser um misto de criação algorítmica e artística. Existem alturas em que os algoritmos dominam, como na peça “Sleep”, feita enquanto Malik estava a dormir, noutras, alturas é o artista que gera mais informação, como na peça “Sitting on Our Asses”, feita numa altura em que ele estava sentado num sofá.

“Sitting on Our Asses” por 1RIC

Segundo Malik (a.k.a.1RIC), todas as imagens representam momentos da sua vida. Um dos mais marcantes foi a morte de Abdul Sattar Edhi, um filantropista que criou a maior rede de ambulâncias do Paquistão. Edhi ajudava toda a gente independentemente da religião, sexo ou raça e Malik quis reflectir sobre a morte de um homem que dedicou toda a sua vida a ajudar os outros. O resultado pode ser visto na peça “EDHI”.

“EDHI” por 1RIC

Malik acredita que esta tecnologia é o início do caminho para eventualmente chegarmos à comunicação telepática. O software por ele usado acaba por ser uma forma, ainda crua, do seu cérebro anunciar ao mundo aquilo em que está a pensar.

Numa entrevista à publicação online Fusion, Malik afirmou o seguinte: “O que eu quero é poder expressar várias coisas sem cometer erros de comunicação”. Numa palavra, Malik quer chegar à transparência.