Entre vistas: Eduardo A. A. Almeida

Alex Xavier
Aug 16, 2018 · 4 min read

Integrante do fala sobre seu novo livro, ‘Testemunho Ocular’

Capa do livro/Lamparina Luminosa

No sábado (18 de agosto), às 14h, a editora independente apresenta, na , em São Paulo, as obras dos quatro selecionados do 3º Concurso Lamparina Publica (saiba mais ). Na categoria prosa, o escolhido foi o discordando , que lançará durante o evento seu segundo livro, a coletânea de contos ‘Testemunho Ocular’ (conheça o primeiro ). Neste bate-papo informal, tentamos descobrir um pouco sobre como funciona a mente deste escritor, que também se divide como professor de História, Teoria e Crítica de Arte, pesquisador de poéticas contemporâneas, colunista do caderno de cultura do Correio Popular e do blog e, recentemente, pai.


O que justifica esses contos compartilharem um mesmo livro?

Os contos foram escritos ao longo de vários anos. Com o tempo, percebi que havia entre eles uma inquietação comum, uma espécie de estranhamento com relação às imagens e à visualidade. Foi nesse momento que optei por reuni-los e desenvolver um projeto gráfico compatível. O livro coloca em evidência esse meu interesse pelo inquietante e pelas imagens que, apesar de dominarem nosso dia a dia, são insuficientes em muitos quesitos.

Do que você abriu mão durante o processo do livro?

Alguns contos selecionados na primeira versão da coletânea foram excluídos, mas isso faz parte do processo editorial. Acho que não abri mão de muitas coisas. A editora respeitou minhas escolhas e colaborou bastante para a qualidade do livro, tanto gráfica quanto literária. Até mesmo o ano e meio que levou desde a seleção no concurso até a publicação foi bom, apesar de angustiante, porque permitiu que a poeira assentasse, detalhes pudessem ser revistos e as decisões fossem mais acertadas.

Eduardo A. A. Almeida/Acervo pessoal

Cite uma sugestão de alguém que leu seu livro que mudou a forma como você enxergava o próprio trabalho?

Os amigos do coletivo Discórdia leram uma das primeiras versões do livro e fizeram sugestões imprescindíveis. A mais radical talvez tenha sido do , que sugeriu uma redução de 50% do conto que, por coincidência (ou não?), se chama ‘A Metade de Tudo’. Foi quando percebi que, escrevendo menos, era possível dizer muito mais.

Quem você gostaria que lesse seu livro e comentasse?

Por mais que críticas negativas algumas vezes nos ensinem a escrever melhor, todo escritor prefere os comentários elogiosos. Não apenas pelo ego, que de qualquer maneira precisa ser rebaixado para produzir um bom texto, mas principalmente porque o trabalho de escrita é demorado e solitário. Quando o livro chega, após anos de gestação, uma acolhida gentil é sempre bem-vinda. Eu gostaria que lesse. Apesar de conhecer pouco da obra dele, tenho um fascínio que é também certo fetiche. O mesmo vale para o . Esses são famosos. Porém eu gostaria que muitos leitores comuns lessem e se inquietassem com as histórias, do mesmo jeito que eu me inquieto quando leio outros livros. Para mim, essa é a sensação mais interessante que a literatura pode provocar.

Quem dirigiria uma adaptação de seu livro para o cinema?

Sou péssimo com nomes de cineastas. Aliás, depois de pesquisar sobre problemas das imagens na arte e na literatura, a relação com o cinema ficou mais difícil. Talvez fosse um bom diretor para a adaptação. Já o vi, em diversas ocasiões, questionar as imagens cinematográficas de um jeito que mostra certa proximidade com o ‘Testemunho Ocular’.

Mencione uma pessoa próxima que não gosta ou não entende sua prosa.

Não faz muito tempo, minha esposa leu uma dramaturgia que eu estava escrevendo. O comentário foi: bom, você é artista, deve saber o que está fazendo. Ela se esforça para conhecer meus textos, mas eu sei que são muito diferentes do que gosta de ler. Essa distância é boa, no fim das contas, porque traz uma perspectiva diferente e me faz abrir os olhos para demais possibilidades.

Com qual personagem do seu livro sairia para jantar ou levaria para um mochilão pela América do Sul?

Eu tomaria um cappuccino com Lucia, que aparece no último conto do livro, chamado ‘Flashes’. Para descobrir o motivo desse encontro, sugiro que você leia o livro.


O livro está à venda .

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Coletivo literário em modus discordantis. Prós em dizer não. Contra a simples repetição, desde que não seja por anáfora. É coletivo, mas cada membro tem seu jeito de expressar, e uma visão, um meio, um método, um motivo justo, justíssimo, pra discordar. Pode isso? Aqui pode!

Alex Xavier

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Sou jornalista, mas sou legal. Vou colocar escritor e ver no que dá. Autor do livro O teatro da rotina (editora Patuá)

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