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Uma droga de dia das mães

Hoje foi dia das mães. Acordei e fui inundada de mensagens de mães que se irritam com o termo "mães de pet"… não segui hoje a minha rotina matinal que inclui NÃO TOCAR NO CELULAR ANTES DO CAFÉ.

Foi um show de horrores, vi mulheres se atacando de novo em nome de uma porra de data comercial. Uma data que deveria levantar discussões sobre maternidade compulsória, trabalho doméstico não remunerado, direitos fundamentais para as mães solo e mais um trilhão de assuntos necessários.

Esta semana foi terrível! Teve crianças sendo esfaqueadas na creche, perdemos um ídolo do humor, chacina no Rio de Janeiro, sem falar nos mais de 400 mil mortos por uma doença que já temos vacina, doença esta chamada pelo presidente genocida de gripezinha. Acho que por isso fiquei tão machucada e exausta. Acabei falando muito na rede social a respeito. Derramei a minha indignação sobre o "fogo amigo" da militância. Acabei fazendo fogo amigo em quem tava fazendo fogo amigo.

Me choca o fato de sempre que lutamos por algo, acabarmos expondo e machucando outras mulheres.

Há alguns dias foi a merda da harmonização facial, que está deixando todo mundo deformado e criando um ideal de beleza monstruoso. Todas concordamos. Até que começaram e compartilhar os rostos dessas mulheres. No final da história a mulher sempre se fode. Elas já estão na merda, sendo fantoches de uma sociedade e mercado que julga o envelhecimento, gastando dinheiro que deveria estar sendo usado em coisas muito mais importantes e prazerosas, sendo expostas no show de aberrações promovido pelas pessoas nas redes sociais, que deveriam estar exaltando a beleza natural e trabalho de mulheres que seguem nesta direção.

Eu só estou cansada. Cansada de ver minhas companheiras correndo em círculos.

Sabe, eu tenho gatos…e também não gosto nem acho justa a comparação com a maternidade. Não gosto do termo mãe de pet. Eu ponho isso em prática na minha vida. Entendo quando alguém faz esta comparação. Entendo que tem mulheres que não podem ter filhos e sofrem e acabam colocando nas relações com seus bichinhos a sua maternidade…então sabe o que eu faço? Eu não uso o termo… só isso… Sou a tutora dos meus gatos e trato os outros tutores iguais. Faço brincadeiras, chamo de filhos e tals. Mas porra, eu não sou desprovida de auto crítica nem de inteligência. Não faço disso uma deslegitimação das mães e de todos os problemas que a maternidade, num mundo patriarcal, tem.

Então vou ficar aqui, no meu canto, lutando pelos direitos das mulheres, mães do caralho que elas quiserem, enquanto vocês discutem.

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Um podcast que tem por objetivo desmascarar assuntos para propor diálogos.

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