Para aqueles que nunca tentaram escrever na vida, e mesmo aos demais que sentem-se acometidos de certo estranhamento quando estão diante da fria brancura do papel.

A vocês cuja intimidação embota e reclusa a mente e espírito, transportando-os ao claustro do superficial e risível. A todos aqueles que se calam e preferem o roto conforto de seus pensamentos ao enfrentamento vívido de opiniões diversas, e que quando alariam o brado sôfrego da liberdade são insuflados pela tepidez alheia.

Meu dolo e meu regalo é a liberalidade atenuante de um pensamento qualquer num momento da vida. Daqueles avassaladores com uma intensidade tsunâmica! Mais que sentir-se feliz e completo, o que sinto é a certeza incontestável da plenitude do viver. Magnificência única e inquestionável, fim de toda a angústia e remanso revigorante pós campo de batalha.

Quisera eu poder dizer de forma simples todo o ardor que queima em mim, mas é posto que não o consigo. Não que falte-me o desejo ou a ação de tal empresa, mas o resultado é recorrentemente o mesmo.

Pois aqui consigo ser de fato o que posso e acredito que devo ser. Sem mordaças morais ou filtros sociais, concatenações pictóricas de valores que não reconheço.

É que nestes parcos momentos de sobriedade pulsante somos apenas eu, um papel e toda a vastidão universal de meus pensamentos.