Ser a pessoa que muda constantemente
Um conto sobre a metamorfose.
Sou o tipo de pessoa que muda frequentemente e se você lê isso sem julgamento, consegue identificar os maus bocados que ser alguém assim traz. Não é como gostar de peixe frito hoje e sushi amanhã, é algo maior.
O que me entristece mais nessa fase de transição não é somente ver quantas pessoas avaliei mal enquanto tinha determinada opinião, mas quantas nunca mudam. Há quem passe a vida inteira do mesmo jeito e custo à entender como isso é possível. Primeiramente suponho ser receio-acomodação. O indivíduo faz a mesma coisa há anos e isso parece estar bom, então ele se dispõe ali, tá legal, bacana. Porque mudar se está bom assim, não é verdade?! Depois penso que tem uma relação muito mais complexa, porque existe família e ela pode tanto te fazer bem quanto destruir você como pessoa. Família que ensina que você deve fazer isso e aquilo desde criança e desviando-se desse caminho irá acontecer algo desastroso. São conceitos arraigados. Ainda procurando uma justificativa, penso em rebeldia. Alguém insatisfeito com a situação que vive ou vê e busca formas alternativas de manter-se em singularidade. Acha que está tudo muito errado com mundo e quer permanecer distante com a intenção de não se corromper.
Em uma conversa com minha mãe, deixei clara minha decepção ao rever uma amiga de velhos meses. A dita amiga e eu ficamos sentadas na mesa por quase vinte minutos sem dizer sequer algo que valha. Ela me questionava sobre o clima. Quem raios questiona sobre clima a alguém que não vê há anos? Minha mãe com aquele ar de sabedoria balbuciou que — Minha filha, nem todo mundo muda, quem muda é você. Você acha que as pessoas estão diferentes, mas elas sempre estão do mesmo jeito, é você quem as olha de outra forma. — Ao final dessa afirmação, lá estava eu, triste com o que acabara de ouvir. Queria dizer então, que os longos anos de minha vida passariam e eu teria outros desapontamentos como este.
Ainda estou tentando conformar-me com a ideia. Conformar-me em ver pessoas próximas à mim que poderiam ter uma expectativa de vida melhor caso mudassem, mas não, vão morrer deitadas na sobra. Talvez eu tenha apenas que aceitar que eles preferem o comodismo, o resto, a inexatidão. Portanto, perdão, me afasto por não saber lidar com o medo de vocês.