Sobre Divagações pessoais

Mais especificamente sobre a coleção que administro no Medium e também sobre coleções no geral


Escrevo esse texto tendo em mente dois motivos. Primeiro para aqueles que escreveram algum texto no Medium e, na busca por uma coleção para submetê-lo, acharam este e assim o fizeram ou estão para fazer. Segundo, para melhor informar sobre a coleção que aqui administro e sobre coleções no geral, informando de forma esmiuçada seu objetivo e consequentemente explanando os critérios que uso para aceitar ou recusar um texto submetido. Portanto mesclo tanto o que sei sobre coleções no geral quanto com as informações específicas da Divagações pessoais.

Medium: seu próximo blog. Esse era o texto que me chamou a atenção a um tempo atrás. O li em um momento crucial de minha formação como produtor de conteúdo web, pois estava levando a sério um projeto de blog (na qual eu engavetei por motivos que não importam e que nada acrescentam a esse texto). Ler essa matéria sobre um “blog 2.0” justamente quando meu foco era não somente estar dentro deste mundo como de alguma forma contribuir com ele foi inesquecível — uso essa palavra por ela significar em minha vida uma inserção de paradigma que mantenho e atualizo até o momento sobre blogs e produção de conteúdo web. E claro: não ficaria somente na leitura de uma ferramenta tão foda sobre um serviço que trazia boas inovações em algo da qual eu participava.

No mesmo dia consegui acessar, logar com minha conta no Twitter, criar uma coleção e publicar um texto. Foram as 2 horas mais fodas da minha vida naquele bendito dia em exato — 23 de Maio de 2013. Sim: esta é a minha primeira coleção no Medium. A criei para depois associá-lo ao seguinte texto: A espera da nova revolução dos blogs. Portanto é bom saber que, depois de 1 ano, ela continua crescendo em número de textos e de seguidores. Considero esse crescimento saudável como um sinal de que, dentre ‘n’ coleções que existem no Medium em língua portuguesa, esta se insere como uma das mais conhecidas e mais acompanhadas. Entretanto, ter uma coleção com algum grau considerável de importância requer algum rigor advindo da necessidade de, atualmente, não somente produzir e recomendar textos, mas também de ser um bom curador.

Com a chegada de um novo livro, um bibliotecário tem como função primeiramente analisá-lo. Ele realiza tal ato para obter as informações necessárias deste, as usando depois para cadastrar no sistema da biblioteca onde trabalha. Ter uma coleção é ser um pouco bibliotecário. Lógico: descrevi um trabalho importantíssimo com uma compressão medíocre. Mas assim o fiz para discorrer basicamente sobre uma habilidade que um curador de uma coleção do Medium deve ter: a de analisar o texto que é submetido a sua coleção. Todo e qualquer texto que é submetido a minha coleção é lido por mim — e, sinceramente, espero que o mesmo também seja feito por aqueles usuários do Medium que tem uma coleção importante — de cabo a rabo, do pé a cabeça ou do início ao fim. A leitura atenciosa do texto submetido é necessária para que o curador faça um bom julgar com relação ao texto ser aceito ou recusado.

O bom julgar, aliás, é conectado com outra habilidade necessária do curador de uma coleção do Medium: a de objetivar a sua coleção. De primeira, parece fácil pensar em um objetivo para uma coleção, mas o buraco é mais em baixo. Aqui peço vênia para transcender algo comum para um “campo filosófico”. Farei isso para assegurar uma boa e eficiente base teórica do que me parece rondar uma coleção do Medium, podendo assim construir em passos concretos o que parece ser bom e justo — perceba que prezo pela decente construção teórica de algo para poder estar bem embasado nos atos práticos sobre esse algo. Em sua definição, uma coleção é uma categoria preenchida de texto(s). Se a coleção, em si, tem como objetivo agregar texto(s), consequentemente, o curador da coleção deve expandir a definição do seu objetivo — obviamente isso é feito na descrição da coleção:

A coleção nome_da_coleção trata sobre/reúne/publica/mantém textos sobre delimitação_da_coleção

Perceba que, na estrutura básica e formal que escrevi anteriormente, a delimitação da coleção contribui fundamentalmente na construção do seu objetivo. Em uma coleção do Medium, delimitar significa objetivar — ou objetivar significa receber uma delimitação. Quando se cria uma coleção — seja ela pública ou privada —, ao pensarmos em seu fim último ou no que queremos atingir/onde queremos chegar, automática e definitivamente a delimitamos. Por fim, essa objetivação específica resultante da expansão de sua definição tem por função assegurar a boa qualidade da coleção e, para aquele que for submeter um ou mais textos nela, obter o seu correto entendimento. Claro: tecnicamente falando, recomendo que o curador da coleção tenha um bom conhecimento de microtextos nessa parte — uma descrição matadora da coleção resultante da melhor objetificação possível pode evitar erradas interpretações do leitor e do escritor que deseja submeter seu texto a coleção. Chego aqui ao fim de minha explicação teórico-ontológica sobre uma coleção do Medium.

O curador da coleção deve, obvia e obrigatoriamente, ter em mente o objetivo da coleção no momento em que for analisar o texto submetido nele. Caso o texto atenda corretamente as exigências basicamente ou resumidamente desenvolvidas na descrição da coleção, sua associação deve ser aprovada.

- Mas Frank: como eu vou saber que meu texto vai ser aprovado na sua coleção (Divagações pessoais)?

Tal pergunta me permite discorrer sobre o que eu considero na hora de avaliar qualquer texto submetido a minha coleção. Considero que a descrição deve informar o mínimo sobre a coleção. O leitor que está na busca de boas coleções, ao se deparar com uma, realiza a leitura da sua descrição, devendo ter apreendido corretamente o que o curador desta definiu. Após essa leitura e apreensão, começa a verificar o textos publicados ou associados a essa coleção. Nesse ponto, a impressão que complementa o entendimento completo da coleção vem da leitura do títulos e subtítulos dos textos presentes. Perceba que existe toda uma experiência do leitor e escritor de textos do Medium diante de uma coleção. O curador precisa estar atento a essa visão mais geral.

Na coleção Divagações pessoais temos a seguinte descrição:

Para textos do tipo dissertativo (ensaio ou artigo) sobre um determinado tema

Analisemos o que eu quis dizer nessa descrição. Deixo claro o tipo de texto que a coleção conterá: textos dissertativos. Sendo mais preciso:

O Texto Dissertativo é um tipo de texto argumentativo e opinativo, uma vez que expõe a opinião sobre determinado assunto ou tema, por meio de uma argumentação lógica, coerente e coesa.

Estruturalmente falando, um texto dissertativo é composto de introdução, desenvolvimento e conclusão.

  • Introdução: Também chamada de “Tese”, nesse momento, o mais importante é expor a ideia central sobre o tema de maneira clara. Importante lembrar que a Introdução é a parte mais importante do texto e por isso deve conter a informações que logo desenvolverá.
  • Desenvolvimento: Também chamada de “Anti-Tese” ou “Antítese”, nessa parte do texto é que se desenvolve a argumentação por meio de opiniões, dados, levantamentos, estatísticas, fatos e exemplos sobre o tema, a fim de que sua tese (ideia central) seja defendida com propriedade.
  • Conclusão: O próprio nome já supõe que é necessário concluir o texto. Em outras palavras, não deixamos um texto sem concluí-lo e, por isso, esse momento é chamado de “Nova Tese” por ser uma momento de fechamento das ideias, e principalmente da inserção de uma nova ideia, ou seja, uma nova tese.

Por último, o a dissertação desse tipo de texto se reverbera em dois tipos:

  • Texto dissertativo argumentativo: Nessa modalidade, a intenção é persuadir o leitor, convencê-lo de sua tese (ideia central) a partir de boa argumentação, exemplos, fatos.
  • Texto dissertativo expositivo: É a exposição de ideias, teorias, conceitos sem necessariamente tentar convencer o leitor.

Perceba que deixo um adendo após o tipo de texto que há na coleção: ensaio ou artigo. Tais tipos de textos, compreendidos na modalidade dissertação, são os que receberão maior atenção da minha pessoa. E mais: finalizo a descrição falando que os textos que estão na coleção são sobre um determinado tema. Desenvolvendo ainda mais esse final, diria que o tema, como tese a ser defendida no texto ou sobre aquilo que vou/pretendo escrever, serve de norte para algo mais delimitado: o título. O título descreve clara e resumidamente o que será encontrado no texto. O título em si já é uma delimitação do tema. Pedir que o texto e seu título seja advindo de um determinado tema significa que este, como resultado final de todo um processo planejado, seja no geral um bom conteúdo para se ler.

Pode ser que esse meu rigor na análise dos textos submetidos a minha coleção possa assustar, mas tal rigor foi construído para garantir a boa qualidade dos textos associados e publicados nela. O texto que garantir basicamente quase todos esses pontos levantados será aprovado, acontecendo o inverso com aquele que não conseguir. Contudo, na reprovação de um texto, agora o curador pode descrever os motivos que o levou a recusá-lo. Mas ter de apontar o que faltou para que o texto se encaixe no que é cultivado na coleção é meio trabalhoso. Pensando nesse ponto — e considerando o insight que tive na leitura do texto O que é a coleção HISTÓRIA CRIATIVA? do — que resolvi escrever esse texto: eu, como curador da coleção Divagações pessoais, agora poderei sempre apontar exatamente o que faltou e completar colocando o link desse texto.

- Outra pergunta, Frank: a finalidade desse texto é a de somente servir como resposta para os textos recusados?

Não. Ele também é resultado de algo um pouco maior. Volto novamente a construção teórico-ontológica da coleção. Considerando que o escritor esteja desejoso em ver seu texto associado ou publicado a uma boa coleção — ou em uma que julgue ser a cara do seu texto — não tenha compreendido qual o objetivo da coleção, entramos em um possível impasse: o erro foi do curador por ter escrito uma descrição obscura ou do escritor que não realizou a correta interpretação? Basicamente dos dois. É muito possível que, por mais clara que esteja a descrição da coleção, algum entendimento sobre seu objetivo escape ou acabe ficando de difícil apreensão. Por conseguinte, parece ser necessário criarmos alguma forma de explanar satisfatoriamente o que a coleção é, indo além da descrição? É aqui que eu acho legal essa substancial contribuição do Cassius que percebi a alguns dias atrás: publicar na própria coleção um texto que explane o que a coleção é. Aqui está a antecipação para algo que, em uma pergunta direta e pequena aos curadores das principais coleções, me parece acontecer cada vez diametralmente ao crescimento do Medium. Teoricamente falando, uma boa coleção contém uma boa descrição delimitada e alinhada ao seu objetivo, contém um bom texto que explique bem o que a coleção é e está preenchida de bons textos que atinjam o objetivo fixado pela coleção.

Acrescento aqui, antes de finalizar esse texto, mais duas coisas. A primeira é sobre a imagem que vai representar a coleção. A imagem deve refletir bem ou fazer menção ao objetivo da coleção além de estar na melhor qualidade possível. A segunda é sobre a construção teórica. Já estou a mais de 1 ano no Medium e pude acompanhar uma considerável parte de suas mudanças técnicas e pude ler ótimos textos publicados aqui. Entretanto, não observei uma análise ou desenvolvimento mais rigoroso sobre as coleções do Medium. Não querendo ser acadêmico demais, mas pensar em uma interpretação ou entendimento mais “científico” do Medium, para mim, significa não somente tentar entendê-lo em si e durante seus avanços e usos com também tentar fazer melhor compreender os futuros usuários do Medium. Preservar toda essa boa cultura de produção de conteúdo textual na web aqui dentro pode nos trazer irreversíveis — e boas — consequencias para a web e internet em si. Por fim, estou aberto a todo e qualquer diálogo que contribua com esse texto, com esta coleção em exato e com relação aos meus textos.