Fatores que impactam tempo de estadia em UTIs

Nesse texto, entenderemos quais são os fatores que aumentam o tempo de estadia de um paciente na UTI e o porquê de conhecer tais informações

Image for post
Image for post

As UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) são as estruturas hospitalares responsáveis pelo tratamento dos pacientes mais graves. Nasceram da necessidade de suporte avançado e completo, alta complexidade e monitoramento 24 horas para pacientes de alto risco. No início da pandemia da Covid-19 aqui no Brasil, houve muita preocupação a respeito da ocupação desses leitos, devido à quantidade deles e a sua distribuição. Uma informação muito útil que ajudaria na gestão desses leitos é o tempo de estadia (em inglês Length of Stay, LoS) de cada paciente. Com essa informação, é possível estimar quantos recursos serão utilizados, quais pacientes precisarão de mais atenção e quando serão liberados os leitos. Essa informação, entretanto, é de difícil obtenção, e, por isso, há diversas pesquisas abordando esse assunto. Uma dessas pesquisas, publicada recentemente por pesquisadores brasileiros [1], aborda esse tema, usando estatística para mostrar quais são os fatores que impactam o tempo de estadia.

Situação das UTIs no Brasil

Image for post
Image for post
Relação entre Número de Leitos de UTI a cada 10 mil habitantes para cada estado. A linha pontilhada é a recomendação da OMS. Foi utilizado uma transformação logarítmica nos dados para melhor visualização. Dados extraídos de [2], acesso em 29/09/2020. Fonte: autor.

Assim, essa figura nos mostra que diversos estados seguem a recomendação da OMS, havendo alguns no Norte e Nordeste que não a cumprem, logo, isso representa uma desigualdade da distribuição de leitos de UTI entre as regiões. Dado esse cenário, é de extrema importância o gerenciamento de leitos dessas áreas a fim de garantir saúde e segurança para a população.

Estudo

Em seguida, foram realizadas algumas análises estatísticas para ver quais características, de fato, importam. A figura abaixo, extraída do artigo [1], mostra a relação do sexo com a permanência na UTI:

Image for post
Image for post
Análise estatística para sexo, extraído de [1].

Vamos juntos interpretar essa imagem. Os autores encontraram 3 artigos que relacionaram sexo com o tempo de estadia em UTI. Com base neles, os autores calcularam a correlação entre essas duas variáveis e encontraram um valor de 0.01 (última linha), o qual significa uma correlação muito fraca/inexistente. Conclui-se, portanto, que o sexo não é um fator que impacta no tempo de estadia em um leito de UTI.

Outra característica analisada é a ventilação mecânica, descrita na figura abaixo:

Image for post
Image for post
Análise estatística para ventilação mecânica, extraído de [1].

Vamos juntos novamente interpretar essa imagem. Os autores encontraram 4 artigos que estudaram a influência da ventilação mecânica no tempo de estadia e, mais uma vez, calcularam uma correlação entre as variáveis, encontrando um valor de 0.07 (última linha), agora uma correlação significativa. Logo, a conclusão foi que pacientes que utilizam ventilação mecânica possuem um tempo maior de estadia em UTI.

Ademais, um outro aspecto avaliado foi o sintoma de delírio, como se pode verificar na imagem a seguir:

Image for post
Image for post
Análise estatística para delírio, extraído de [1].

Nesse caso, os autores não calcularam uma correlação, mas optaram por encontrar a diferença média padronizada. No caso do delírio, o resultado é que pacientes que apresentam esse sintoma tendem a ficar 1.01 dia a mais, se comparado àqueles que não o possuem. Logo, esse é outro fator que impacta no tempo de estadia. Por fim, outras análises foram feitas no estudo, porém não iremos trazê-las aqui para não tornar o texto muito pesado.

Esse foi o texto dessa semana, espero que tenham gostado e que continuem nos acompanhando nas publicações semanais!

Referências

[1]https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0883944120306468

[2]https://saude-ibgedgc.hub.arcgis.com/datasets/2dfd385e7ded49c6b7f7929911806a20_0/data

Divulgação Científica — Grupo ARGO

Esse é um projeto do Grupo ARGO —  primeiro grupo extracurricular…

Felipe Augusto de Moraes Machado

Written by

Engineering Student

Divulgação Científica — Grupo ARGO

Esse é um projeto do Grupo ARGO —  Grupo de Engenharia Biomédica e inovação em saúde da USP —  que envolve a divulgação de informação sobre a área da saúde, abrangendo produção científica e tecnológica, políticas públicas, notícias, curiosidades, entre outros temas.

Felipe Augusto de Moraes Machado

Written by

Engineering Student

Divulgação Científica — Grupo ARGO

Esse é um projeto do Grupo ARGO —  Grupo de Engenharia Biomédica e inovação em saúde da USP —  que envolve a divulgação de informação sobre a área da saúde, abrangendo produção científica e tecnológica, políticas públicas, notícias, curiosidades, entre outros temas.

Medium is an open platform where 170 million readers come to find insightful and dynamic thinking. Here, expert and undiscovered voices alike dive into the heart of any topic and bring new ideas to the surface. Learn more

Follow the writers, publications, and topics that matter to you, and you’ll see them on your homepage and in your inbox. Explore

If you have a story to tell, knowledge to share, or a perspective to offer — welcome home. It’s easy and free to post your thinking on any topic. Write on Medium

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store