E você, crê em quem?

Acredito que todo brasileiro está acompanhando com muito interesse o desenrolar dos acontecimentos quem vêm ocorrendo no cenário político brasileiro. Poucos mesmo devem estar alheios, até porque o estardalhaço é tão grande que ficar apático é quase impossível. Desde a pessoa que te cumprimenta no elevador, até o taxista, o padeiro, o dentista, todos, sem exceção, comentam e dão suas opiniões mesmo que não interpelados. Normal. Afinal, todos nós queremos de alguma forma ver uma solução para esse quadro surreal que está sendo pintado.

Não sabemos bem qual é, porque as opiniões divergem, mas todos anseiam por uma transição sólida que possa nos fazer superar esse clima de horror.

Também acredito que não é por acaso que as pessoas duvidam tanto da capacidade de governar da maioria dos políticos brasileiros, indistintamente, seja de que partido for. Já faz um tempo que observo, que ouço e que leio a respeito de como as pessoas agem quando esperam a resolução de alguma problemática de cunho social. Se antes, habituadas ao paternalismo de um governo que supostamente deveria suprir algumas necessidades, básicas ou não, hoje as pessoas já não esperam mais nada. Ao contrário, desacreditam quase que totalmente nas instituições governamentais e transferem para o poder privado suas expectativas.

O estudo global Edelman Trust Barometer 2016, promovido no Brasil pela agência de comunicação integrada Edelman Significa, revela o crescimento da confiança nas empresas. O levantamento considera a credibilidade no governo, empresas, ONGs e mídia em 28 países. No Brasil, mais uma vez, as empresas foram as melhores classificadas, com 68 pontos (numa escala de zero a 100), segundo o público total pesquisado. O governo ficou em último lugar, com 21 pontos — 5 a menos que na edição anterior. Os entrevistados brasileiros confiam cada vez mais nos cidadãos comuns, que não representam discursos institucionais (83%).

E isso, penso, é só o começo de uma revolução social que (oxalá) poderá rumar para o momento que eu considero o ideal para uma sociedade mais equilibrada: as pessoas deixariam de terceirizar a responsabilidade na obtenção de qualquer capital (econômico, intelectual, técnico) e passariam a ser elas mesmas a chave da mudança, sem depender de ninguém que as tutele — e as escravizem.