Publicidade não é tudo

Créditos da foto: Slimmer Jimmer

Certa feita, escutei de um cliente durante uma reunião: publicidade é a coisa mais importante de todas! Na hora, fiquei contentíssima. Afinal, quem trabalha com comunicação sabe o quanto nosso trabalho tende a ser desvalorizado e preterido. Não existe prazer maior do que trabalhar com clientes que veem a importância do nosso trabalho, reconhecendo e mantendo o que é criado. Mas essa afirmação ficou ecoando na minha cabeça de tal forma que me vi impelida a discordar.

Publicidade não é tudo e está longe de ser.

Publicidade, em uma analogia um tanto quanto peculiar, é o resultado de um ultrassom. É aquela imagem projetada na telinha que você tem de ver olhando para um lado diferente da parte do corpo que está sendo ultrassonografada. No exame, a imagem se distorce um pouco. Tem filtro, tem contraste, tem de ter interpretação. Na publicidade é a mesma coisa.

Não é raro escutar casos em que empresas criam selos falsos para atestar algo para o mercado. Casos em que um anúncio é feito de forma dúbia só para vender mais momentaneamente. Mas o que tá na moda agora mesmo é o storytelling. Que bonito escutar que foi o Sr. João que espremeu a laranja diretamente na caixinha do meu suco ou que estou comendo um picolé cuja receita foi passada de geração em geração, vinda diretamente da Itália. A gente se sente parte de uma comunidade. Sente o carinho do João e o abraço do nono Vittorio. Só que, na verdade, o Sr. João não existe e o nono nunca nem pensou em fazer sorvete. Gostava mesmo de bocha. Isso é o filtro. A telinha do ultrassom.

A questão é que, não importa o quão bom o filtro seja, se ele estiver por cima de algo que não tá legal, cedo ou tarde, ele deixa de ser suficiente e aí é pior. Não importa o quão invisível seja o tumor. Cedo ou tarde, ele vai incomodá-lo. Você vai ter de cuidar dele.

Publicidade não é tudo, as pessoas que são. Dentro de uma organização, não importa o tamanho dela, as pessoas são o ativo mais importante e a melhor ferramenta de comunicação possível. São elas quem vão dizer se aquilo que a marca está anunciando é besteira ou não. As pessoas que trabalham com você são os seus clientes mais importantes e se elas não comprarem a ideia da marca, como você espera que elas vendam? Então, meu amigo, se você quiser que sua marca seja bem vista, diga os seus planos primeiro pra quem está dentro da sua casa. Escute o que eles têm para dizer. Construa os objetivos junto com eles. Converse. Não invista no ultrassom.