Voando com Dragões

Sobre um final de semana para começar a entender o que é Dragon Dreaming

Janeiro nem acabou ainda e eu já posso dizer que vivi uma experiência transformadora, cheia de significado e aprendizados. E, por que não, que voei com dragões?

Dos dias 20 a 22 de janeiro, encontrei com uma turma super interessante para um curso introdutório ao Dragon Dreaming, no Jardim Botânico de Lajeado. O encontro foi organizado pelo pessoal da Transformar, que trouxe pro Rio Grande do Sul a Edite e a Camila, responsáveis por facilitar esse encontro recheado de perguntas e de insights.

Grupo de introdução ao Dragon Dreaming, em Lajeado.

Se você quiser uma explicação detalhada do assunto, pode dar uma olhada no site do Dragon Dreaming. Para quem quer algo mais breve e enxuto, explico: é uma metodologia de design de projetos que leva em consideração a construção de um sonho coletivo e, para acontecer, deve gerar crescimento pessoal, senso de comunidade e servir à Terra — princípios da metolodia. Mas, gente, na boa, vale à pena ir além no assunto. Se, ainda assim, tá rolando aquela preguicinha de futricar no site, aqui tem um texto conciso sobre o assunto.

No Dragon Dreaming, os projetos são divididos em quatro etapas: sonhar, planejar, realizar e celebrar. Peguei essa foto no site www.osguardioesdaterra.wordpress.com

Como tem bastante informação por aí sobre o que é a metodologia (muito melhor e mais abrangente do que eu poderia explicar depois de um curso introdutório), vou reservar o espaço restante deste post para falar sobre como foi a minha experiência e porque eu acredito que valha o aprofundamento no assunto.

Há algum tempo, venho sentindo necessidade de ressignificar alguns trabalhos que desenvolvo na Dobro. Não por falta de crença ou propósito, mas porque sinto, muitas vezes, que brilhar o olho e dizer pro cliente que a gente precisa unir forçar e transformar o mundo, não é suficiente. Com o Dragon Dreaming, descobri uma metodologia que ampara e ajuda a construir projetos significativos (que, até então, eu não havia conseguido organizar em princípios, por mais que os sentisse). Essa forma de organização de projetos entende que, para que um projeto aconteça, além dos princípios, a participação e engajamento das pessoas tem de ser genuína (por isso que a construção do sonho coletivo é fundamental).

Ao longo dos dias de curso, tive algumas dúvidas importantes: como tornar genuína e voluntária a participação em projetos dentro de organizações sendo que, na grande maioria das vezes, a própria empresa designa quem fará parte do projeto? Como que o colaborador responde para seu gestor que não está afim de participar sem receio de ficar mal visto ou até mesmo sofrer algum tipo de represália? Como que, dentro de uma organização, com pessoas tão diferentes, cria-se um sonho coletivo? Como que, num espaço corporativo, eu consigo lidar e trabalhar com pessoas em diferentes níveis de desenvolvimento (principalmente pessoal, nesse caso)?

Vários colegas do grupo compartilharam essas mesmas dúvidas. Outros, que trabalham em organizações que utilizam de alguma forma essas metodologias alternativas, disseram um sonoro “não é fácil” como resposta. Mas, pra mim, a melhor resposta veio em formato de pergunta: será, então, que não temos de repensar a forma como as organizações estão estruturadas para que esse tipo de sonho coletivo seja possível?

Fato é que as relações entre pessoas e organizações / organizações e o planeta, não vão bem. Não vê quem não quer. Eu acredito que seja por isso que tanta gente tenha tentado, de alguma forma, algum tipo de organização para ir contra esses movimentos tão hegemônicos e cruéis e que, por isso, em um final de semana de janeiro quente pra caramba, éramos mais de 30 interessados em aprender mais. Em descobrir como fazer diferente.

A minha experiência com o Dragon Dreaming foi muito breve para conseguir responder muitas perguntas, mas intensa o suficiente para saber que eu quero ir além. Nesse final de semana de janeiro, descobri uma ferramenta incrível de transformação e não vejo a hora de saber mais sobre ela.