Faça o bem da melhor forma!

As cinco perguntas do livro “Doing Good Better”

Sabemos que a decisão de como ajudar não é uma decisão fácil, pois temos vontade de resolver o maior número de problemas possível: “Que tal doar para pesquisas de cura do câncer? Ou promover o ensino básico para todos? E se pudéssemos garantir uma melhor distribuição de alimentos? Isso sem falar nas pessoas que não tem nem onde morar…”.

Mas a verdade é que temos recursos limitados, tanto em termos de tempo quanto de dinheiro, e assim, precisamos fazer uma escolha sobre como ajudar.

“Precisamos tomar decisões sobre quem escolhemos ajudar, porque o erro de não decidir é o pior erro de todos.” — William MacAskill, Doing Good Better

Por isso, hoje queremos compartilhar com vocês as cinco perguntas que você deve fazer no momento de decidir quem vai ajudar e como fará a diferença. Esse conteúdo foi adaptado do livro “Doing Good Better”, uma das principais leituras da doebem.

Confira abaixo!

1. Quantas pessoas serão beneficiadas? E qual o tamanho deste benefício?

Quanto mais, melhor! Esta primeira pergunta é simples, mas também muito importante. A princípio, quanto mais pessoas conseguirmos beneficiar, maior será o impacto, não é? Assim, precisamos saber quantas pessoas são afetadas pelos problemas que queremos resolver e, consequentemente, quantas vidas podemos salvar ou melhorar.

William MacAskill, autor do livro "Doing Good Better", falando sobre a melhor alocação de recursos no Effective Altruism Global Summit 2016 em Berkeley, na Califórnia

2. Essa é a coisa mais eficiente que eu posso fazer?

Você sabia que os mesmos recursos (o mesmo número de horas e a mesma quantidade de dinheiro) podem promover até 500 vezes mais impacto positivo?

Ao decidir ajudar, a diferença entre um bom uso do dinheiro e um ótimo uso do dinheiro é enorme. Assim, a pergunta não deveria ser apenas se seu dinheiro está sendo bem usado, mas sim se ele está sendo usado da melhor maneira. Afinal de contas, quando investimos o nosso dinheiro em ações e fundos, buscamos o maior retorno possível, não é? Por que seria diferente quando queremos ajudar?

Imagine que você quer reduzir o número de faltas na escola e existam quatro soluções para este problema: transferência de renda/dinheiro condicionada à presença na escola, bolsas de estudos, uniforme grátis e desparasitação. Qual você acha que terá o maior impacto? A conclusão, de acordo com pesquisas realizadas, é que uma destas iniciativas proporciona resultados muito melhores!

Estudo realizado por pesquisadores do JPAL

Veja que trabalhar no tratamento de parasitas (‘deworming’) em crianças proporciona um aumento mais de 60 vezes maior (13.9 anos) na frequência escolar do que a transferência de renda (0.2 anos). Já saberíamos qual intervenção escolher, não é?

3. Esta área é negligenciada?

A quantidade de atenção que um determinado problema ou área está recebendo é outro ponto que precisamos levar em consideração. A depender disso, a ajuda adicional — um conceito chamado de “utilidade marginal” — poderá fazer mais ou menos diferença.

Funciona assim: se uma área recebe muita atenção da mídia e doações frequentes, por exemplo, ao fornecer recursos adicionais, a diferença não será tão grande. Por outro lado, se a causa ainda é negligenciada, não recebe muita atenção ou recursos, as oportunidades de fazer a diferença são muito maiores.

Uma analogia: se tenho um brinquedo para doar, em qual dos dois casos terei maior impacto?

Em suma, nossos recursos devem ser destinados ao lugar que fará a maior diferença e não necessariamente ao problema que está tendo maior exposição e atenção no momento.

4. Do contrário, o que aconteceria?

Não temos bola de cristal e nem a capacidade de ser extremamente preciso ao trabalhar com hipóteses, mas para saber o impacto que estamos causando, precisamos saber o que aconteceria de outra forma, caso não agíssemos. Este é o famoso “counterfactual”.

Se colocarmos em uma fórmula matemática, o nosso impacto seria medido assim:

SEU IMPACTO POSITIVO = O QUE ACONTECE COMO RESULTADO DE SUAS AÇÕES — O QUE ACONTECERIA NA AUSÊNCIA DE SUAS AÇÕES

Veja um exemplo: para obter água para suas famílias, mulheres de vilas ao redor do mundo enfrentavam bombas de água que funcionavam com um moinho de vento ou manualmente. Mas às vezes não havia vento ou o trabalho era muito cansativo! Com o objetivo de ajudar, eis que surge uma invenção: o PlayPump, um carrossel para as crianças brincarem que, ao mesmo tempo, bombeava água para um tanque. As mulheres não iam mais ter que se preocupar! A solução ficou extremamente popular e recebeu a atenção do World Bank, AOL, UNICEF, Bill Clinton, Jay-Z e milhões de dólares de investimento. Um sucesso, certamente!

Será? Com o tempo, percebeu-se que o PlayPump precisava de força constante para funcionar de forma apropriada, e as crianças se cansavam rapidamente de brincar. Além disso, algumas delas ficavam enjoadas ou até mesmo caiam e se machucavam. Acredita que em algumas vilas as crianças começaram a ser pagas para brincar no PlayPump? No final das contas, as mulheres que precisavam movimentar o carrossel, falando que, na verdade, não gostavam da solução e preferiam muito mais a bomba manual.

Viu só? Por causa disso, precisamos nos perguntar: o que aconteceria se eu não tivesse feito nada? Muitas vezes podemos ficar surpresos que intervenções podem trazer um resultado pior do que se não tivéssemos feito nada, pois como o livro mesmo levanta: boas intenções podem facilmente trazer péssimos resultados! A decisão de ajudar é algo de extrema importância e precisa ser pensada com cuidado.

5. Quais são as chances de sucesso?

Por último, mas não menos importante, vamos pensar sobre o valor esperado de determinada intervenção ou programa, ou seja, qual o seu resultado esperado. Para isso, há duas coisas que precisam ser medidas:

  • Probabilidade do sucesso
  • Valor do sucesso

E o nosso impacto é o produto destes dois fatores!

Dessa maneira, uma atividade com baixa probabilidade de sucesso, mas com alto valor de sucesso pode ser escolhida em detrimento de uma atividade com altíssima probabilidade de sucesso, mas com um valor baixo de sucesso.

“[Nestes casos], a chance de você ser a pessoa que faz a diferença é bem pequena, mas se você fizer a diferença, ela será realmente impactante.” — William MacAskill, Doing Good Better

Parece muita coisa pra se pensar, não é? Pois é mesmo! Queremos ressaltar que sabemos que a decisão de como ajudar não é fácil — vamos ser francos, é definitivamente difícil. Nem sempre temos a resposta exata e mais precisa para tudo, mas ao embasar nossas decisões nestes pontos, já estamos potencializando nosso impacto de forma inimaginável!

“Encontre a instituição de caridade que fará a maior diferença com cada dólar que receberem” — William MacAskill, Doing Good Better

Precisamos combinar o coração e a razão para tomar decisões que proporcionem o maior impacto positivo ao nosso redor!


O autor de “Doing Good Better”, inspiração para este post e para a doebem, é William MacAskill, que tivemos o prazer de conhecer durante o Effective Altruism Global Summit 2016 em Berkeley, Califórnia. Além de ser professor de filosofia em Oxford, é também co-fundador do Effective Altruism Movement, Giving What We Can e 80,000 Hours.

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