Pelo fim da esquistossomose no Brasil

O impacto da distribuição em massa do remédio contra esquistossomose

Talvez o nome “esquistossomose” não lhe seja familiar, mas você já deve ter ouvido falar de “barriga d’água”, uma infecção causada por vermes parasitas de água doce, muito comum em países (sub)tropicais. A esquistossomose é uma doença que pode não trazer nenhum sintoma em estágio inicial, mas que, com o tempo, pode se apresentar através de dores abdominais, anemia, indisposição, entre outros.

No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde (2014), estima-se que cerca de 1,5 milhões de pessoas vivam em áreas sob o risco de contrair a doença, sendo o Nordeste e o Sudeste as regiões mais afetadas. Na verdade, há indícios de que este número possa ser ainda maior. É verdade que já evoluímos no assunto, com a redução do número de casos de 66 mil para 20 mil em 15 anos nas áreas endêmicas, mas ainda temos muito o que fazer.

Distribuição em Massa

Na doebem, grande parte das nossas atividades gira ao redor de avaliações de impacto, custo-efetividade de diferentes programas e os melhores investimentos sociais para eliminação da pobreza. Neste contexto, os programas de distribuição em massa de remédios contra esquistossomose em áreas endêmicas — o famoso deworming — é um dos maiores e mais conhecidos cases de sucesso.

Principais aprendizados do estudo realizado pelo JPAL

Dentre diversos estudos realizados sobre tema, uma avaliação conduzida pelo JPAL indica que o deworming é uma intervenção de baixo custo com evidência robusta de seus efeitos positivos tanto no curto quanto no longo prazo. Um dos maiores efeitos dessa intervenção é o aumento da frequência escolar.

Entenda melhor no resumo abaixo:

Nossa Proposta

Normalmente, ao conhecer intervenções altamente eficazes, especialmente no que diz respeito à interseção da Saúde e Educação, a doebem busca organizações que estejam atuando nesta intervenção no Brasil para que possa apoiá-las através das doações feitas pela plataforma.

No caso da distribuição em massa do medicamento contra esquistossomose em escolas de regiões endêmicas, a doebem não encontrou nenhuma organização social ou do terceiro setor que atuasse dessa maneira no Brasil. Existem algumas organizações internacionais, como a Evidence Action/Deworm the World Initiative e a Schistosomiasis Control Initiative (SCI) que combatem a esquistossomose e atuam principalmente na África. Tais organizações já foram recomendadas internacionalmente pela GiveWell e Giving What We Can, recebendo assim grande volume de recursos e atenção para uma enfermidade muitas vezes negligenciada.

A falta de atenção e de medidas eficazes ou conclusivas para a erradicação da esquistossomose no Brasil leva ao comprometimento do futuro de milhares de crianças brasileiras em termos de saúde, educação e produtividade… E isso tudo a um baixíssimo custo!

Assim, a nossa proposta se divide em três principais etapas:

  1. Conscientização da população sobre este tipo de intervenção;
  2. Estabelecimento de uma intervenção de distribuição em massa de remédios contra a esquistossomose em regiões endêmicas através de organizações sem fins lucrativos, governo, iniciativa privada ou até mesmo a partir do lançamento de prêmios e desafios para estimular a criação de uma organização com este fim no Brasil; e
  3. Direcionamento regular de recursos para esta intervenção.

Considerações Finais

Os estudos realizados para entender o impacto do deworming são um exemplo perfeito do que a doebem fortemente acredita: a importância da evidência científica para estimular melhores decisões de como ajudar.


E você? Já conhecia a situação da esquistossomose no Brasil? Se você se identificou com a causa, por favor envie uma mensagem para contato@doebem.org.br ou se inscreva no nosso site e vamos trabalhar juntos para erradicar a esquistossomose! Este post foi escrito por Elisa Mansur e revisado por Guilherme Samora.

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