O que eu aprendi de ver rabiscos de Tim Burton

Ontem eu fui ver a exposição do Mundo de Tim Burton, que anda causando um furor aqui em São Paulo com a eterna disputa por mais ingressos e mais horários.

Fui sozinha. Me incluí nessa disputa e não consegui comprar mais que um ingresso meia entrada. Não acho isso ruim. Qualquer um teria enlouquecido com a quantidade de tempo que eu passava em frente a cada desenho, absorvendo cada linha.

Eu não desenho. Não sou muito aficionada por esse mundo e nem entendo muito de arte, movimentos artísticos ou tendências. Entretanto, olhando uma parede de guardanapos desenhados do diretor, eu acho que aprendi muito. E o que eu aprendi lá serve pra escrita pro desenho ou qualquer criação. E, no caso, foi isso aqui:

  1. Um dos áudios diz algo como: Veja essa parede de guardanapos desenhados. Isso mostra como Tim Burton, mesmo longe de sua casa, dos materiais apropriados para desenhar, ele desenha. Isso é uma técnica dos artistas surrealistas chamada automatismo, que é criar de forma inconsciente, sem passar pela racionalidade. Moral da história? Escreva. Desenhe. Crie. Não deixe com que o racional de pare. Escreva o que vier na cabeça. Duas vezes a mesma coisa. Continua. Não para. Falo sério. CONTINUA.
  2. Olhando toda aquela fileira de desenhos, rascunhos e cartas eu percebi o valor de dar valor. E se ele tivesse jogado todos aqueles guardanapos, folhas de bloco de hotel e folhas de caderno (tem até uma folha de jornal rabiscada)? Poderiam parecer ruins pra ele, na hora, como muitas vezes nossas criações mais livres parecem. E quanto valem hoje? Tem valor. Tem muito valor. Não deleta, não joga fora. Na dúvida do que fazer, vide o primeiro aprendizado.
  3. Aprenda e reutilize, eu diria. Quantos dos mesmos motivos, mesmos traços, podem ser vistos nos filmes e nos rascunhos? Personagens que eu me lembro bem de filmes mais atuais, rabiscados em uma folha qualquer. Sally, a Noiva Cadáver e Frankenweenie. Todos criados anos antes, décadas antes, com nomes diferentes, em cenários diferentes. Mas evidentemente, já vivendo lá. Quando o desespero bater, volte no que você já criou. Reutilize motivos, personagens, traços. Eles nunca vão ser iguais de verdade. Em ambientes diferentes, em situações diferentes, serão pessoas diferentes. Brinque com suas criações engavetadas.
Os guardanapos. Jack Skellington e o cãozinho fofo. Todos desenhados, redesenhados e aprimorados. Continuamente.

Eu poderia continuar aqui por horas, afinal de contas, passei 2 horas em uma exposição que nem é tão grande assim. Mas acho que se precisamos aprender a ter disciplina para continuar, auto-estima para encontrar o real valor e valor pelo passado para saber aprender com ele. Aprender com os mestres.

Pelo menos, eu sei que eu preciso.