RPG (Kit Fora da Caixa)

Toda semana, três ferramentas novas. Apoie o Kit Educação Fora da Caixa e nos ajude a continuar com esse projeto. Clique aqui para apoiar.
Fonte: Taverna do Elfo e do Arcanos.

O RPG é o jogo da vida com infinitas possibilidades

O Role-Playing Game (RPG) é um tipo de jogo que abusa da imaginação a partir da criação colaborativa de narrativas ficcionais. Desde sua criação na década de 70, o RPG evoluiu para formatos e plataformas diversas, mas o jogo original dispensa muitos apetrechos. Cada partida é chamada de “aventura”, e uma sequência pode ser denominada de “campanha”.

O funcionamento do jogo ocorre por meio de um sistema previamente determinado de regras, dentro das quais os jogadores têm liberdade de escolha de acordo com o perfil de seus personagens. Neste sentido, cada jogador é como um ator, e há uma pessoa — o mestre — que propõe diferentes situações narrativas e julga as ações dos personagens face a cada uma delas. Não há um número definido de jogadores, mas usualmente as aventuras são jogadas em grupos de até 7 pessoas.

Por quê?

O RPG é interessante em contextos educativos por diversas razões, e talvez a principal delas seja o fato de que se trata de um jogo que nutre profundamente a imaginação. Como dizia Albert Einstein, “a imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação engloba todo o mundo”. Ainda que essa frase tenha saído da boca de um dos grandes gênios do século XX, são pouquíssimas pessoas que o entenderam de fato.

Várias aventuras de RPG são cooperativas, de modo que o grupo precisa se perceber e jogar junto para que seja possível ganhar junto. Não é costume haver ganhadores e perdedores individuais, embora isso aconteça em alguns estilos de jogo. Para se jogar bem, é necessário desenvolver a empatia, isto é, a habilidade de entrar na vida do personagem para pensar e agir como ele faria. Exercitar a empatia é uma de nossas urgências primordias como humanidade.

Uma percepção importante em relação ao RPG é que o jogo pode ser encarado como uma metáfora da vida. Há situações inesperadas, existe a aleatoriedade, mas isso convive com os aprendizados — os pontos de experiência — e as escolhas de cada um de nós. Para onde escolhermos ir ditará o nosso desenvolvimento como pessoas, do mesmo modo que ocorre com os personagens de uma aventura no Brasil colonial.

Como?

Fonte: Roleplayers.

O principal objetivo do RPG é diversão. A ampliação de conhecimentos, repertório, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais são consequências. Assim, é possível utilizá-lo de diferentes formas: professores podem criar aventuras baseadas em determinados conteúdos e convidar seus alunos a jogarem; os próprios educandos podem se apropriar do processo de criação das narrativas e estruturar sistemas de jogo de acordo com suas curiosidades; ou um RPGista mais experiente pode ser chamado para criar jogos customizados ou engajar professores e alunos numa dinâmica coletiva de criação.

Para que professores habilitem-se a criar aventuras, uma boa forma é começarem jogando entre si. Vivenciar o jogo e sentir na pele as emoções do RPG pode ser um ótimo caminho para criar narrativas interessantes e, eventualmente, até mestrar partidas com os alunos.

Caso haja algum aluno ou grupo de estudantes que já jogue RPG, reconhecer a sua expertise e convidá-lo a partilhar esse conhecimento com o restante da turma pode ser um movimento estratégico. Talvez a melhor forma disso acontecer seja por vias lúdicas, isto é, jogando.

Decidi escrever sobre o RPG a partir do contato que tive com o Thiago Oliveira, do Grupo Interpretar e Aprender. Eles são um coletivo de jogadores experientes que optaram por conciliar a paixão pelas aventuras com o propósito da educação. A partir de demandas de conteúdo manifestadas por professores e escolas, eles desenvolvem jogos customizados e mestram partidas segmentadas em cenas.

Mesmo em contextos não escolares é possível aproveitar o poder do RPG para a aprendizagem. Imagine sumarizar os resultados de uma pesquisa qualitativa por meio de uma aventura com as histórias e perfis mais destacados? Ou criar uma campanha de planejamento estratégico ou pedagógico? As possibilidades são inúmeras porque o RPG é como uma tecnologia social: totalmente aberta e disseminada em rede.

Para saber mais:

Role-playing Game (Wikipédia)

Grupo Interpretar e Aprender

Roleplayers


Este texto faz parte da série especial do Kit Educação Fora da Caixa, que aborda diversos métodos educacionais inovadores. Navegue no blog para ver todas as ferramentas que já publicamos.

Toda semana, três ferramentas novas. Apoie o Kit Educação Fora da Caixa e nos ajude a continuar com esse projeto. Clique aqui para apoiar.